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Mercado e Negócios | 26/10/2011 | 20h00

PSA amplia investimento para R$ 3,7 bi

Fábrica vai aumentar capacidade para 300 mil unidades/ano

Pedro Kutney, Automotive Business

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Foto: Thierry Peugeot (centro) e Carlos Gomes apresentam à Dilma Rousseff novo plano de investimento da PSA no Brasil

Pedro Kutney, AB
De Brasília


O Grupo PSA Peugeot Citroën decidiu elevar sua aposta no Brasil, aumentando seu investimento de R$ 1,4 bilhão previsto para o período 2010-2012 em mais R$ 2,3 bilhões, para o total R$ 3,7 bilhões (o equivalente a cerca de € 1,5 bilhão) até 2015. Boa parte dos aportes será destinada a dobrar a capacidade da fábrica de Porto Real (RJ) das atuais 150 mil unidades/ano para 300 mil. Na quarta-feira, 26, o presidente do conselho de administração e membro da família que detém o controle majoritário da companhia, Thierry Peugeot, esteve em Brasília (DF) para comunicar pessoalmente o novo investimento à presidente da República, Dilma Rousseff.

Inicialmente, o anúncio estava marcado para ser feito no Rio de Janeiro, mas o governador do Estado, Sérgio Cabral, articulou para levar ao conhecimento da presidente mais um investimento de fabricante de veículos no sul fluminense, pela terceira vez em menos de um mês. Apesar de lidar com uma forte gripe e com problemas políticos, com a iminência da queda do ministro dos Esportes (o que de fato ocorreu minutos após o encontro), Dilma recebeu Peugeot por quase uma hora e quis saber dos pontos do projeto.

Peugeot trouxe pessoalmente a marca para o Brasil no início dos anos 90, morou no Rio de Janeiro por mais de uma década (duas filhas nasceram na cidade) e fala português fluente, praticado com frequência nas várias vezes que vem ao País todos os anos, extraoficialmente na maioria dos casos, para descansar em sua casa em Búzios. Ele sempre foi um dos principais incentivadores da instalação da PSA no Brasil. Mas Peugeot não quis falar com a imprensa, preferiu uma atuação discreta durante o anúncio de um dos maiores investimentos da sua companhia no mundo atualmente.

Mais um “gol” do Rio de Janeiro

“O Cabral marcou mais um gol e o Rio de Janeiro se consolida como o segundo maior polo automotivo do País”, disse Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, em sua rápida entrevista coletiva no Palácio do Planalto, logo após a reunião com a presidente. Pimentel se referia às duas últimas visitas de Cabral a Brasília, uma no fim de setembro, quando levou consigo Carlos Ghosn, presidente da Aliança Renault Nissan, que anunciou à Dilma investimento de R$ 2,6 bilhões em uma nova fábrica da Nissan em Resende; e na semana passada, quando veio com Roberto Cortes, presidente da MAN, que colocará mais R$ 1 bilhão na expansão da planta já existente na mesma cidade.

Para conquistar os investimentos, o governo fluminense concedeu grandes descontos e deferimento de ICMS. O imposto a pagar, de acordo com informações de pessoas ligadas às negociações, mais adiante será convertido em títulos que poderão ser comprados pelas empresas com expressivo deságio. “Oferecemos incentivos normais”, desconversou o governador. “Mas seguramente não são condições tão favoráveis quanto a Fiat recebeu em Pernambuco. No Rio não tivemos tanta ajuda do governo federal”, alfinetou Cabral. Os recursos para o investimento, segundo a PSA, virão do caixa próprio da companhia e não está previsto nenhum aporte do BNDES.

Plano expandido

O plano de investimento anterior da PSA no Brasil, de R$ 1,4 bilhão, anunciado em 2010 para desenvolver produtos e aumentar a capacidade da fábrica de Porto Real para 220 mil unidades/ano até 2012, foi estendido em mais três anos e ganhou novo aporte. “Em vez de seguirmos com o planejado até o ano que vem, decidimos ir além e expandir ainda mais a produção no Brasil”, explicou Carlos Gomes, presidente da operação latino-americana da PSA. “No topo da primeira fase, fazíamos 22 carros por hora em Porto Real, chegamos a 29 hoje só com eliminação de gargalos e ganhos de produtividade. Vamos alcançar 40/hora no próximo ano e atingir 55 por hora”, informou Tarcísio Telles, diretor industrial do grupo para a região.

A linha de motores, no mesmo local, também crescerá: a capacidade subirá de 280 mil para 400 mil unidades/ano. “Vamos investir cerca de R$ 575 milhões por ano até 2015”, disse Gomes. Ao todo, 40 mil m2 de área construída produtiva serão acrescentados à planta, com novas instalações de chaparia, montagem e pintura. “Será como ter uma nova fábrica em Porto Real, mas dentro da que já existe”, explicou Gomes. Para atender à expansão da produção, novos funcionários terão de ser contratados. Além das 800 contratações já anunciadas em setembro, serão necessárias mais 900 até o fim do processo, somando o total de 1,7 mil novos empregos diretos nos próximos anos, fazendo o número de empregados no País avançar dos atuais 5 mil para quase 7 mil.

A PSA Peugeot Citroën também quer atrair mais fornecedores para o polo fluminense. Para isso, negocia incentivos com o governo estadual e já comprou uma área adjacente à fábrica de 650 mil m2, para abrigar fabricantes de componentes.

Mais produtos, concessionárias e ambições

Os aportes serão destinados não só a ampliar substancialmente a fábrica fluminense, mas também ao desenvolvimento de produtos. “Lançaremos oito novos veículos produzidos na região até 2015”, informou Gomes, considerando as fábricas do Brasil e da Argentina. Para isso, o executivo destacou os investimentos em pesquisa e desenvolvimento no País. “O nosso Latin America Tech Center já conta com 800 engenheiros.”

Com isso, a PSA tem o objetivo de conquistar participação de 7% no mercado brasileiro e da América Latina como um todo com suas duas marcas – hoje o porcentual é de 5,3% no Brasil, com 2,6% da Peugeot e 2,7% da Citroën, que este ano venderam juntas 133.470 automóveis e comerciais leves até setembro passado, com avanço de 8% sobre o mesmo período de 2010. A ambição é vender 500 mil veículos por ano nos países latino-americanos.

Está prevista, ainda, a expansão da rede de concessionárias das duas marcas no Brasil, de 320 para 480 pontos de venda até 2015, em um expressivo crescimento de 50%.



Tags: PSA Peugeot Citroën, Porto Real, regime automotivo, política industrial, investimento, fábrica.

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