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Autopeças | 07/10/2011 | 13h13

A trajetória da propulsão até os renováveis

SAE debate tendências na matriz energética e na infraestrutura

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Igor Thomaz, para AB

Veículos leves, tendências em tecnologias para propulsão e impactos na infraestrutura foram temas de um dos painéis de discussão mais concorridos durante o congresso que a SAE Brasil promoveu em São Paulo, no Expo Center Norte, de 4 a 6 de outubro. Com mediação de Wanderlei Marinho, engenheiro do Centro Tecnológico da Marinha, a sessão teve como palestrantes convidados Waldyr Gallo, professor de engenharia mecânica da Unicamp, Leonardo Cavaliere, supervisor de veículos elétricos da Fiat, Milton Lubraico, diretor de desenvolvimento de produtos da Ford South America, e Alfredo Guedes Jr., supervisor de relações públicas da Honda South America.

O debate avaliou tecnologias atuais e a estrutura das frotas de veículos nos próximos anos. “O crescimento da população mundial e a perspectiva de escassez de petróleo nas próximas décadas impulsionam a busca por recursos que garantam a mobilidade”, comentou Wanderlei Marinho no início de sua explanação. Segundo o engenheiro, os próximos anos serão marcados por diferentes matrizes energéticas automotivas.

“Até 2050, os motores a combustão deverão entrar em declínio gradual, caso não sejam descobertas novas reservas de petróleo. Mas bem antes disso, os mercados possivelmente serão formados por modelos híbridos, híbridos plug in, que podem ter as baterias recarregadas em tomadas, e modelos 100% elétricos.” O especialista apresentou estudos que consideram a predominância dos modelos elétricos somente a partir de 2050.

Transporte coletivo e de carga

O professor Waldyr Gallo apontou que o setor de transporte utiliza maciçamente o óleo diesel. “Ainda não existe substituto para esse derivado de petróleo, apesar de termos o etanol. Além disso, o Brasil usa pouco a eletricidade. O transporte público, por exemplo, poderia ser movido por essa fonte de energia.”

Incentivos governamentais seriam uma forma de direcionar o consumidor para esse tipo de veículo, lembra Gallo. “Há países que oferecem bônus ou redução de impostos, bônus ao sucateamento de antigos para aquisição de veículos com emissões reduzidas de CO2 e descontos nas taxas de propriedade, caminho que poderia ser seguido pelo Brasil. Poderemos ter o privilégio de contar com veículos híbridos flex.”

Desenvolvimento conjunto

Leonardo G. Cavaliere explicou detalhes no desenvolvimento do Fiat Palio Weekend elétrico, realizado em parceria com a hidrelétrica Itaipu e com a KWO, geradora de energia na Europa. “Nosso objetivo é incrementar a atividade de pesquisa, incentivar o parque fabril nacional e capacitar profissionais na produção e manutenção desse tipo de veículo.”

O supervisor lembra que, no Brasil, 87% da matriz energética é renovável. Além disso, 49% da energia atual poderá vir de fonte eólica. “O aproveitamento da energia das marés está sendo estudado e há ainda a energia solar a ser explorada. O Brasil é país do futuro na geração de energia e esperamos que a mobilidade sustentável seja incluída nesse cenário.”

Conceito brasileiro

O Brasil vê nos modelos híbridos e elétricos uma forma de proteger o meio ambiente, segundo Edson Lubraico, da Ford. “Atualmente, todos os fabricantes estão trabalhando para encontrar soluções que reduzam as emissões de poluentes", disse, ressaltando que a marca está ampliando o uso de tecnologias e aumentando o volume de produção.

Para ele, o híbrido é uma das alternativas a curto prazo. “A médio prazo, teremos o híbrido plug in e veículo a bateria. De 2020 a 2030, ocorrerá o predomínio do veículo a bateria. Creio que 25% dos veículos, em 2020, serão compostos pelos eletrificados, que incluem híbridos convencionais, híbridos plug in e alimentados por baterias.”

Outras alternativas

Representante da Honda, Alfredo Guedes Jr. apresentou o sistema utilizado no CR-Z, exposto no evento e assegurou que a associação do motor 1.3 a combustão com o estreito propulsor elétrico, de 13 cavalos de potência, faz o modelo proporcionar um desempenho próximo ao de um modelo 1.8, ou 2.0.”

Guedes também falou sobre o FCX Clarity, elétrico que utiliza energia gerada por célula de combustível alimentada a hidrogênio produzido nos Estados Unidos. “Fomos contatados pela universidade federal do Rio de Janeiro, que nos apresentou um projeto para obtenção de hidrogênio dos lixões. Vimos isso com bons olhos para ampliar o uso dessa tecnologia.”

Ao final, o painel deixou uma mensagem bem clara: o futuro trará uma série de matrizes energéticas como opção para os consumidores, mas todas elas, em algum momento, virão de fontes renováveis.



Tags: Propulsão veicular, elétricos, híbridos, plug-in, Honda, Ford, Centro Tecnológico da Marinha, Unicamp, Fiat.

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