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Tecnologia e Engenharia | 22/09/2011 | 19h19

Mira e MSX: engenharia em colaboração no Brasil

Um dos objetivos é desenvolver centros de tecnologia

Paulo Ricardo Braga, AB

Paulo Ricardo Braga, AB

A Mira já está presente no Brasil, com escritório em São Paulo, na Avenida do Café, junto à MSX International, com a qual estabeleceu acordo de cooperação na área de serviços de engenharia. Enquanto a britânica possui o maior centro de pesquisa independente do mundo, que deve reinvestir obrigatoriamente os lucros obtidos no desenvolvimento da própria operação, a MSX atua como fornecedora de serviços profissionais para a indústria automobilística.

"A aproximação foi boa para as duas empresas", garante o finlandês Ilkka Palin, diretor geral da MSX, que espera ampliar o portfólio com serviços de maior valor por meio da aproximação com a nova parceira. Até o momento houve um esforço conjunto para oferecer trabalhos na área de eletrônica embarcada, mas há outras apostas importantes, como introduzir no país testes de dinâmica veicular e um laboratório para ensaios de interferência eletromagnética. "Faz falta uma iniciativa desse gênero, já que apenas o INPE pode oferecer alguma contribuição à indústria automobilística nessa área", explicou o executivo.

Ao contrário do que se divulgou, a Mira não está empenhada na implantação de um campo de provas e laboratórios no Brasil. "Houve um erro de interpretação. Dissemos apenas que temos ampla capacitação para liderar um projeto desse tipo. Ajudamos a implantar vários do gênero, como na Idiada", disse Armando Canales, gerente geral. Ele explica que a empresa surgiu como resultado de um consórcio, para atender diferentes fabricantes de veículos e autopeças.

Com sessenta anos, a Mira foi privatizada em 1975 e dedica-se a uma série de atividades relacionadas a engenharia automotiva, incluindo especialidades como testes de durabilidade acelerada, para abreviar programas de desenvolvimento. Canales assinala que o conhecimento acumulado está disponível na Inglaterra e pode alimentar projetos no Brasil. "Nada deve ser reinventado em tempos de globalização", alerta.

O executivo, nascido no México, que já trabalhou na MSX durante pouco mais de um ano, esclarece que o avanço da indústria chinesa aconteceu à custa de projetos adquiridos junto a empresas de engenharia e estúdios de design em todo o mundo. Para ele, o alinhamento de plataformas leva núcleos de engenharia brasileiros a participar de empreendimentos globais, sobre os quais terá influência crescente à medida que o mercado local ganhe importância. Esses projetos de caráter universal devem ser customizados regionalmente, abrindo oportunidades para o detalhamento ou adequação de veículos ao Brasil.

Desenvolvimento local

"O país tem nichos de atuação como a criação de picapes ou de modelos do gênero adventure, criados pela Fiat. Nessas situações as equipes locais assumirão o controle", admite Canales. Já Palin observa que as montadoras estabelecidas na região terceirizam poucos serviços de engenharia de primeiro nível a empresas locais. "Em geral, trata-se de tarefas de detalhamento, feitas muitas vezes recorrendo a terceirização de pessoal", explica.

O escopo desses trabalhos pode ser adequação de projetos importados, componentes, motores, revestimentos acústicos e térmicos, avaliação de ruidos, vibrações e aspereza. O objetivo pode ser também simplificar concepções para reduzir custos, tirando arruelas, travamento de porcas, isolantes.

Palin admite que a regulamentação do novo regime automotivo pode trazer impulso ao desenvolvimento de projetos locais, com parcelas de inovação. "A competitividade não implica apenas em reduzir custos, mas em ganhar qualidade em engenharia e produção", analisa. No seu entender, a eletrônica ganhará importância exponencial nos veículos e o país deve dominar o conhecimento sobre os projetos na área.

Antes da crise de 2008 a MSX tinha cerca de 1.200 profissionais registrados. Hoje são 1.500. "A terceirização cresce e há bastante trabalho nas montadoras, que têm maior dificuldade em encontrar pessoal adequado e contratar. "Somos mais rápidos e atuamos estritamente dentro da CLT", garante Palin.



Tags: Mira, MSX International, Idiada, INPE, serviços de engenharia, testes e simulações.

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