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Marketing e Lançamentos | 22/09/2011 | 16h33

Nissan quer chacoalhar mercado com o March

Carro começa a ser vendido a partir de R$ 27.790

Pedro Kutney, Automotive Business

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Pedro Kutney, AB
De São Paulo


Com o March importado do México, que começa a ser vendido neste fim de semana em todo o País, a Nissan entra de fato na briga do segmento mais povoado do mercado brasileiro de veículos, o de hatchbacks pequenos, que concentra hoje 56% das vendas de automóveis, em um território disputado palmo a palmo pelos maiores fabricantes instalados aqui. “Calibramos os preços e o conteúdo do March para competir com todos, queremos fazer volume e impulsionar o crescimento da marca”, resume Tiago Castro, gerente-chefe de marketing da Nissan do Brasil. Ele estima que as vendas vão começar em 2 mil unidades/mês e chegar à “velocidade de cruzeiro” mensal de 4 mil a 5 mil até março de 2012.

O March chega com a missão de triplicar o potencial de vendas da Nissan no Brasil, já que a marca subirá de 23% para 66% sua presença nos diversos segmentos do mercado nacional. O March será o instrumento principal para tentar dobrar os volumes e o market share da marca japonesa no País, hoje de apenas 1,6%. Com as chegadas do March e do Versa (cuja importação foi anunciada hoje), a empresa reforça seus planos de alcançar 5% de participação no Brasil em 2014.

A Nissan entra na disputa do maior segmento do mercado brasileiro armada de algumas dezenas de pesquisas feitas no último ano, que mostraram um consumidor brasileiro ávido por produtos com maior qualidade, conforto e tecnologia – justamente o que falta à maioria dos carros de entrada no Brasil. “Nunca a Nissan investiu tanto em pesquisa aqui antes de lançar um modelo”, conta Castro. Por isso toda a estratégia de marketing foi desenhada para transmitir a ideia de que o March é um produto inovador e, ao mesmo tempo, acessível à grande parte dos brasileiros. Assim a empresa apostou na imagem de alta tecnologia atribuída ao Japão e ancorou o March à origem japonesa da marca, resumindo seu argumento com o slogan “inovação japonesa para todos”.

Traduzindo para a prática, a tática é oferecer mais conteúdo por menos preço em relação à concorrência. “Calculamos os preços do March para ficar entre o (VW) Gol e o (Fiat) Uno, os mais vendidos do País. Oferecendo mais por menos vamos criar impacto e queremos chacoalhar o segmento”, promete Castro.

Por isso, desde a versão mais básica 1.0, por R$ 27.790, o March já vem equipado com airbag frontal duplo, ar quente, alarme sonoro de faróis acesos e chaves no contato após o desligamento, dispositivo de abertura da tampa do reservatório de combustível no interior do veículo e computador de bordo que integra indicações de consumo instantâneo, médio e autonomia, relógio digital, dois hodômetros parciais e conta-giros.

Por mais R$ 4,2 mil dá para instalar o “Pacote Conforto” com ar-condicionado, direção elétrica progressiva e volante com regulagem de altura. Por R$ 33.390, a versão 1.0S já vem com todos esses equipamentos, mais acionamento elétrico de travas (com controle remoto na chave), retrovisores e vidros (inclusive os traseiros). As versões 1.6 incluem todos esses itens, sendo que a SV já vem com rodas de liga leve, alarme e sistema de som.

Pelos preços e conteúdos oferecidos, a Nissan estima que 60% das vendas do March sejam do modelo 1.0 e os outros 40% das versões 1.6.

 

 

Os preços de cada versão:

• March 1.0: R$ 27.790
• March 1.0 Pacote Plus (limpador, lavador e desembaçador traseiro temporizado, regulagem interna dos espelhos retrovisores, calotas integrais): R$ 28.490
• March 1.0 Pacote Conforto (ar-condicionado, direção elétrica progressiva, volante com regulagem de altura): R$ 31.990
• March 1.0S: R$ 33.390
• March 1.6S: R$ 35.890
• March 1.6SV: R$ 37.990
• March 1.6SR: R$ 39.990

Como já tem fábrica no Brasil – no mesmo complexo industrial da Renault em São José dos Pinhais (PR), onde produz a picape Frontier e os monovolumes Livina e Gran Livina –, a Nissan garante que atende às exigências do Decreto 7567 publicado pelo governo na semana passada. Por isso poderá importar o March do México sem pagar o IPI majorado, nem imposto de importação, pois o país tem acordo de livre comércio de automóveis com o Brasil. Por isso os preços puderam ser ajustados em patamares tão competitivos para o mercado brasileiro.

Estratégia do barulho

A estratégia para vender o March no Brasil começou a ser colocada em prática um ano antes da chegada do modelo ao mercado nacional, quando o carro foi apresentado ao público brasileiro no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro de 2010. De lá para cá, a ordem foi fazer barulho, explica Castro. Já em março alguns jornalistas especializados foram convidados a testar o March. Desde junho ele é uma das estrelas do Inova Show, evento que a Nissan promoveu em diversas cidades para mostrar seus produtos. No meio de agosto o March chegou a algumas concessionárias nas principais capitais, para aumentar a exposição.

O resultado, segundo a Nissan, é que o March, antes mesmo de ser colocado à venda, já apareceu em 700 publicações, foi dirigido no País por 2,3 mil pessoas e recebeu 300 mil visitas em seu hotsite, gerando 15 mil pedidos de informações sobre o veículo.

Castro diz que o March já está ajudando a aumentar a visibilidade da Nissan no Brasil. Segundo ele, há um ano e meio as pesquisas demonstravam que só 7% dos consumidores brasileiros conheciam a marca. Em dezembro de 2010 esse porcentual passou a 15% e na última avaliação, em julho passado, subiu para 22%, em nível parecido ao de marcas como Toyota, Honda e Hyundai no Brasil. “Isso é resultado do aumento da exposição, que tende a subir mais ainda com o March”, diz.

Global, versátil e evoluído

O March que chega agora é a quarta geração do compacto global da Nissan, lançada em 2010. O modelo é produzido atualmente em quatro fábricas da empresa (além do México, Tailândia, Índia e China) e tem grandes possibilidades de ser o próximo da marca japonesa a ser produzido em uma nova planta a ser construída no Brasil, possivelmente no Paraná. O March, também chamado de Micra em alguns mercados, será vendido em mais de 160 países até 2012. “O carro foi projetado sobre a plataforma V, de versátil, com flexibilidade para ser adaptada a vários mercados do mundo”, informa Castro.

Do ponto de vista tecnológico, a quarta geração do March apresenta sensíveis evoluções. Como o projeto partiu do zero, o carro pôde ser pensado desde o início seguindo conceitos modernos. A Nissan informa ter desenvolvido um processo de manufatura enxuto, com integração de diversas peças, o que diminuiu em 18% o número de componentes em relação à geração anterior. No painel, por exemplo, são 28 itens, em vez dos 50 de antes. A Nissan também investiu em materiais leves para reduzir o peso e, consequentemente, aumentar a economia de combustível e baixar emissões. A versão 1.0 pesa de 925 kg a 938 kg e a 1.6SR, a mais equipada, 982 kg. Parte do corte do peso foi possível graças ao uso intensivo de desenvolvimento virtual, com softwares de última geração que desenharam estruturas leves, como a introdução de vincos no teto para permitir a adoção de chapas mais finas na construção.

Segundo a Nissan, o novo processo de manufatura do March inverteu a cadeia de desenvolvimento, colocando os fornecedores na ponta inicial. Assim a engenharia criou o carro em cima das peças projetadas no computador. Com a ajuda dos instrumentos virtuais, a fabricante também conseguiu espichar o espaço interno com o aumento da distância entre eixos para 2,45 metros, mantendo as dimensões compactas do March, de 1,53 m de altura, 1,66 m de largura e comprimento de 3,78 m.

Adaptado para o Brasil

Castro explica que o March demorou a chegar para receber as adaptações necessárias ao mercado brasileiro. Exemplo maior disso são os motores 1.0 e 1.6 bicombustíveis, que o modelo não usa em outros países. O motor 1.0 16V de 74 cv é produzido no Brasil pela parceira Renault e enviado ao México para montagem no veículo. O 1.6 16V de 111 cv é feito na fábrica mexicana da Nissan, mas recebeu o kit flex.

Para fazer todas as adaptações a Nissan informa ter feito 400 mil quilômetros de testes só no Brasil, para calibrar motor e suspensão. Foram introduzidas outras pequenas mudanças também, para deixar o March mais ao gosto do consumidor brasileiro, como a grade dianteira cromada – em vez de preta fosca, como em outros países.

As pesquisas demonstraram à Nissan que os prováveis consumidores do March no País, principalmente jovens com idade média de 29 anos, querem um carro fácil de comprar e de manter. “Por isso preparamos também um pacote de pós-venda para o modelo, que chamamos de Compromisso Nissan”, conta Castro. O March será o único carro de seu segmento com três anos de garantia, dois anos de assistência 24 horas (com direito até a carro reserva em alguns casos) e seis manutenções programadas, a cada 10 mil km, por preços fixos que somam R$ 1.744 (a primeira custará R$ 149).

“O consumidor está mais exigente. Quer um carro mais completo em itens de conforto e segurança. Também quer segurança e transparência para esse investimento, que se traduz em facilidade e custo baixo de manutenção e revisões. Vamos oferecer exatamente isso com o March. Por isso ele é mais do que um carro: é a base da nova Nissan no Brasil”, resume Castro.



Tags: Nissan, March, mercado, hatch.

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