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Tecnologia e Engenharia | 13/09/2011 | 17h42

GM e Fiat: quem dormir no ponto perderá a vez

As duas montadoras apressam lançamentos com ajuda da LMS

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Foto: Robson Cotta, gerente sênior de experimentação na Fiat Automóveis

Paulo Ricardo Braga, AB

Como a engenharia deve contrabalançar as atividades de simulações, no computador, e os testes práticos no desenvolvimento de sistemas e veículos? As respostas podem ser diferentes, como no caso da General Motors e da Fiat, embora ambas tenham equivalente pressa em levar os lançamentos ao mercado.

Roberto Ramos, gerente sênior na área de testes e simulações da montadora norte-americana, aposta nas simulações e assegura que os resultados obtidos virtualmente proporcionam acertos com 95% de confiança. Para isso é preciso lançar mão de softwares sofisticados e ter boa experiência ao lidar com aplicações. "Os outros 5% devem ser conferidos em provas reais", observa o especialista.

Já o gerente sênior de experimentação da Fiat, Robson Cotta, avalia a questão por outra vertente. Ele enfatiza que os testes práticos continuarão sendo valorizados na empresa, embora ressalte que simulações são indispensáveis para ganhar tempo, eliminar erros e otimizar as soluções. "É fundamental é chegar rápido ao final do projeto, sob risco de perder espaço para os concorrentes", alerta, lembrando que as novidades chegam em velocidade crescente: "Quem dormir no ponto ficará para trás".

Promover testes de campo, que podem exigir milhares de quilômetros em ruas, estradas ou campos de prova, não provocam atrasos na conclusão do programa? Não, no entender de Cotta. O caminho é programar de forma inteligente as avaliações e ganhar todo tempo possível com as simulações.

Os novos desafios dos projetos de engenharia

Mas como juntar diferentes necessidades da engenharia para gerenciar os testes e simulações indispensáveis na criação de produtos automotivos? Na verdade, as soluções costumam ser oferecidas somente em partes, por empresas experientes em tratar do assunto com ferramentas poderosas. Até mesmo softwares PLM, concebidos para o design, projeto e manufatura de veículos, exigem complementos na hora das simulações complexas, na área de acústica, NVH e durabilidade. A maioria das consultorias e prestadores de serviços de engenharia é especializada e domina tarefas específicas.

A LMS, que se dedica a testes e simulações mecatrônicas, garante ser uma das empresas globais mais abrangentes para lidar com a complexidade que representa conectar avaliações virtuais e práticas dos projetos automotivos. "A indústria enfrenta enormes desafios para desenvolver e manufaturar os produtos certos, de forma eficiente, com o design acertado e sem erros logo na primeira vez", define Marc Boonen, presidente para as Américas. "Ao mesmo tempo", completa, "os produtos precisam ser atrativos, ecológicos, criativos, diferenciados e refletir os apelos propostos pelas marcas".

Com tal elenco de responsabilidades, a inovação no campo da engenharia exige também a redefinição das tarefas em simulações e testes para otimizar as propostas, dentro de novos paradigmas em mecânica, eletrônica e softwares. Os produtos criados digitalmente devem surpreender os clientes desde a modelagem e primeiro protótipo em produção, acompanhados de níveis elevados de confiabilidade.

"Há uma revolução em curso no projeto automotivo", assegura Boonem, que está na LMS há 21 anos e se arrisca a dizer que o sucesso dos novos produtos vem 80% da engenharia e 20% do marketing. Ele tem mais uma previsão: 80% das inovações dependerão de softwares e eletrônica. Haverá uso crescente de aplicações via web e esforço crescente em materiais, nanotecnologia e o que chama de 'adaptronics'. Inovação, diferenciação e portfólios diversificados serão chaves para competir.

A LMS acaba de abrir escritórios no Brasil, com duas dezenas de profissionais para dar conta do volume de serviços que já conquistou junto a fabricantes de veículos e autopeças. A empresa, que também comercializa os equipamentos necessários para testes e atua em parceria com a Signal Works, pretende oferecer o máximo de capacitação local, mas nas questões complexas conta com o suporte da matriz em Detroit e de escritórios em diversos países.

Da mesma forma que a LMS, outras empresas de origem estrangeiras do ramo estão chegando ao país, como a britânica Mira, a espanhola Ctag (representada pela Try Testes e Simulações) e a também global Kistler, especializa em sensores para medida de pressão, força, torque e aceleração.

GM soma engenharia de produto e manufatura

Ramos informa que há 62 engenheiros trabalhando em CAE na General Motors para atender projetos veiculares, enquanto outra equipe se encarrega de tarefas similares na área de manufatura. A montadora tem comprado poucos serviços junto a empresas de engenharia locais, já que tem autosuficiência para tocar os programas, junto com um grupo de engenheiros na Índia.

Até o desenvolvimento do Celta, em 1999, a maioria dos trabalhos realizados pela GM no País tinha o objetivo de fazer correções. Uma das três fases de protótipos foi eliminada a partir daí e o time brasileiro passou a receber tarefas de crescente importância -- vieram o desenvolvimento de uma picape global, a Meriva para Europa e Brasil, Montana (criada em apenas 19 meses, contra os usuais 24), Vectra, Prisma, Astra Saturn (para os Estados Unidos), algumas versões do Hummer e, recentemente, o Agile.

A redução progressiva de prototipagem trouxe maior velocidade e também economia, avaliada em US$ 1,6 milhão no caso do Agile. Ramos calcula que desde 2004 a iniciativa rendeu US$ 4,4 milhões. O próximo desafio é integrar as tarefas das equipes de produto e manufatura: "Vamos ter novos ganhos com essa aproximação, otimizando a fabricação dos veículos e a qualidade das operações".

Betim recebe bem fornecedores de serviços

Robson Cotta, da Fiat, diz que já se acostumou a correr atrás de novidades. Com o projeto do Palio a responsabilidade da equipe de engenharia em Betim cresceu exponencialmente e a dependência da matriz se limitou a aprovar as soluções locais ou complementar algumas tarefas. A autonomia avançou com a criação do centro de tecnologia Giovani Agneli, na fábrica mineira, e levou a soluções inovadoras como o Mio, o estilo Aventure, a Strada Cabine Dupla, o Locker, o Novo Uno e, agora, ao Novo Palio, que já em produção limitada.

"A engenharia italiana ficou ocupada com os produtos destinados à Europa e, mais recentemente, com a customização de veículos entre as marcas Fiat e Chrysler", afirma Cota para explicar a evolução dos trabalhos de engenharia no Brasil. Ele não esconde a ansiedade com o desenvolvimento do campo de provas que fará parte do complexo da Fiat em Pernambuco. É fácil entender, já que experimentação faz parte do seu dia a dia.

O executivo diz que será cada vez mais comum a troca de serviços entre diferentes unidades da Fiat. No México ele conheceu as instalações de testes junto à fábrica de Toluca, que monta o Cinquecento e o Freemont destinados ao Brasil. Lá está sendo avaliada uma picape Strada produzida em Betim. Na Argentina estão sendo avaliados veículos Alfa Romeo.

Com tantas realizações simultâneas, a Fiat costuma recorrer a parceiros na área de engenharia, seja em projeto, testes ou simulações. "Precisamos de fornecedores que tragam softsares, tecnologias e contribuam no campo da inovação", assinala Cotta. Ele esclarece, ainda, que os laboratórios de Betim estão sendo certificados em várias partes do mundo, enquanto o pessoal técnico ganha capacitação para enfrentar os novos tempos, frequentando cursos de especialização e até aulas de inglês para atender a globalização em marcha.

Paulo Braga entrevista Robson Cotta - gerente de experimentação da Fiat


O novo avanço da LMS no Brasil




Tags: General Motors, Fiat, LSM, Marc Boonem, Robson Cotta, Roberto Ramos, testes e simulações, experimentação.

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