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Distribuição | 02/09/2011 | 21h00

Locadoras roubam vendas de concessionárias

Elas compram com desconto e revendem a preço baixo

Pedro Kutney, Automotive Business

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Pedro Kutney, AB

Ao apresentar o balanço de agosto, Sergio Reze, presidente da associação dos distribuidores de veículos, a Fenabrave, mostrou que o mercado continua crescendo, mas as concessionárias não. O setor sentiu o golpe do aumento das vendas às locadoras, que atualmente compram diretamente dos fabricantes quase um terço dos automóveis emplacados no País, com descontos que passam de 30%, e depois colocam esses carros à venda por preços baixos, “jogando o mercado e a rentabilidade das concessionárias para baixo”, reclamou o dirigente. “Não somos contra as locadoras, mas queremos que elas paguem pelos veículos o mesmo que nós pagamos, senão a concorrência fica desleal”, afirmou.

Reze explica que as vendas às locadoras, no nível que alcançaram, estão causando distorção na concorrência do mercado nacional de veículos: “Elas compram com grandes descontos, que chegam a 35%, e as montadoras que vendem recolhem impostos comerciais como IPI e ICMS sobre o valor da nota fiscal mais baixo, com o desconto. Depois, muitas vezes em menos de três meses, as locadoras colocam esses carros à venda com preços imbatíveis e mesmo assim ganham dinheiro, pois não pagam impostos. Como são consideradas prestadoras de serviço, não recolhem ICMS, só o imposto de renda sobre a diferença entre o preço de compra e o de venda”, revela. “Enquanto isso, nós como concessionários recolhemos todos os tributos sobre o preço público do veículo. Se vendermos com desconto ao cliente final, perdemos os tributos pagos a maior.”

Se as montadoras podem dar descontos tão grandes às locadoras, Reze pergunta: “Por que elas não vendem mais barato ao cliente que vai comprar na concessionária?” A resposta, segundo Reze, é porque os fabricantes precisam compensar no varejo tudo que deixam de ganhar nas negociações de atacado nas vendas diretas.

Em tese, pela legislação, as locadoras só podem vender seus veículos usados depois de um ano. “Mas ninguém fiscaliza isso”, acusa Reze. “Tem muito carro de locadora sendo vendido sem nunca ter sido alugado. Existem empresas sérias, mas também têm as de fachada, que compram como locadoras e vendem os veículos sem pagar imposto.” O dirigente disse que a Fenabrave já alertou sobre esse tipo de fraude o Confaz, que reúne as secretarias de fazenda estaduais.

Portfólio fora do mercado

Fica difícil entender por que as montadoras adotam esse tipo de relação comercial conflituosa, que prejudica os seus maiores compradores, os concessionários, pois ao encher a praça de carros baratos revendidos pelas locadoras, acabam provocando promoções generalizadas, que jogam para baixo os preços e a rentabilidade do negócio. Reze dá uma pista para responder a essa questão: “A maioria dos carros vendidos às locadoras é 1.0, justamente o segmento de mercado que está caindo constantemente, porque com o aumento da renda e do crédito no País os consumidores de zero-quilômetro buscam modelos mais potentes e bem equipados. Assim as montadoras podem estar desovando seus excedentes de 1.0 nas locadoras.”

A declaração sugere algo que está há bom tempo no ar: a inadequação do portfólio de produtos à realidade atual do poder de compra do consumidor brasileiro, que cresceu, enquanto os fabricantes de veículos demoraram a perceber o fato e oferecer um mix mais competitivo. Comprova isso o fato de que 64% dos segmentos de automóveis e comerciais leves à venda no Brasil, justamente os mais populares, estão perdendo mercado, enquanto 36% estão avançando.

Com o portfólio e preços fora do lugar, perdem-se vendas para os importados e quem sofre mais são os concessionários dos quatro maiores e mais tradicionais fabricantes (Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford), também os maiores produtores de 1.0. “O problema é que elas pretendem sempre um número maior do que o mercado pode absorver”, diz Reze. O resultado prático é que, sob a pressão do cumprimento de cotas, os estoques estão crescendo. As concessionárias têm hoje carros suficientes em seus pátios para 40 dias, contra 35 em julho e 25 no começo do ano. “Isso acontece porque não há equilíbrio entre oferta e procura. É uma situação difícil. O nível confortável de estoque não deve passar de 20 a 22 dias”, alerta.

Rentabilidade drenada

Pelas indicações de Reze, a situação caminha para algo além do “difícil”. Se as locadoras já são mais de 30% do mercado de veículos novos no País e o crescimento das vendas neste ano, até agosto, foi de 8%, isso significa que no varejo oi cenário já é de queda nas vendas. Ou seja, o número final do mercado é positivo, mas na maioria das revendas está no negativo.

Reze levanta ainda outro problema do aumento indiscriminado das vendas às locadoras e destas para os consumidores. “Se qualquer um desses carros der problema na garantia, ele vem parar na concessionária, que tem de resolver o problema sem ganhar nada com isso”, reclama. Ele diz que nas vendas diretas das montadoras os concessionários só ganham a “taxa de entrega” dos veículos, equivalente a 1% do valor de cada unidade.

Assim a rentabilidade está sendo drenada por todos os lados: na concorrência com os preços baixos das locadoras, na garantia não remunerada e nos estoques altos, que crescem com produtos desinteressantes empurrados em cotas às concessionárias. Com isso, Reze admite que as margens, que já eram apertadas, estão desaparecendo.

Assista à entrevista exclusiva de Sergio Reze à Automotive Business WebTV, em que o presidente da Fenabrave explica como as locadoras estão concorrendo com as concessionárias:



Tags: Fenabrave, concessionárias, vendas, locadoras, desempenho.

Comentários

  • MAURICIO FARJALLA

    Sou profissional do ramo e sinto isso na pele. Por que não aumentar os impostos no caso de venda locadora x cliente final ou então obrigar as locadoras a vender somente para PJ que revenderão ao cliente final.

  • ALVARO MARQUES

    Saudações, gostaria de saber como um carro que é fabricado aqui no Brasil pode ser vendido no México com um valor 50% menor do que o praticado aqui no Brasil? Penso que o México não paga para vender os seus carros, nem "compra ovos e vende ovos"...se os impostos aqui no Brasil giram em torno do 40% do valor do veículo, as margens de lucro da empresas são baixas (qual a margem de lucro das empresas?), o preço real do carro, aqui no Brasil, é 50% do que ele é vendido? Gostaria muito que alguém pudesse me esclarecer estas dúvidas.

  • ALVARO MARQUES

    Saudações, gostaria de lembrar também que muitas concessionárias atuam no ramo de locadoras também.

  • Eduardo

    Sou locadora que compra para revender os carros e quero deixar bem claro a todos leitores desse conceituado site que, quando esse Sr. Sergio Reze fala uma baboseira dessas, ele não explica que essa venda a locadora quem faz é a própria concessionaria que ele representa, ou seja é impossivel se comprar direto da fabrica, esqueceu de mencionar que cada veiculo vendido pela concessionaria via vendas diretas eles ficam com comissão de 5 a 8 % do valor do veiculo que no caso de um veiculo de R$ 100.000 a conc. embolsa no minimo R$ 5.000,00 por veiculo sem ter trabalho algum imagina esse valor em uma media de 250 carros vendidos por mes na conc. que esse cidadão representa.... Hipocrisia nesse Pais e absurda pois esses mesmos conc. quando querem bater metas, fazer numeros e claro levantar dinheiro são os primeiros a baterem na nossa porta sabendo que iremos revender os veiculos implorando para nos comprarmos deles, como pode isso ?

  • Eduardo

    Apoio totalmente esse tipo de mercado pois o coitado do cliente final que vai ate uma concessionaria para comprar o sonho do veiculo 0km, a conc. so falta pisar na cabeça veja numeros: DOCUMENTAÇÂO despachante normal R$ 520,00 + 4% ipva / despachante concessionaria R$ 1.300,00 + 4% IPVA ( 120% a mais ) - FRETE: o frete do veiculo ja esta incluso no preço de tabela de fabrica, ficando proibido pagar a mais por isso, porem as concessionarias que esse FULANO representa cobram ate R$ 1.500,00 de frete - ACESSORIOS : baseando em coisa simples como uma pelicula protetora ( insul film ) em qualquer loja de acessorio custa no maximo R$ 200,00 ja na conces. o preço fica em torno de R$ 600,00 isso sem falar tapete, som, etc....

  • Eduardo

    VEICULOS na troca quando a conces. aceita um veiculo na troca cuidado amigo você esta literalmente sendo roubado, quem ja foi sabe disso pois a humilhação que o cliente passa com o valor oferecido no veiculo usado da vontade de bater no vendedor, quem passou por isso sabe.... FINANCIAMENTO a taxa de juros pode ate ser um pouco menor, porem combram taxa de abertura de credito que esta proibido por lei no valor de R$ 1.500,00...

  • Eduardo

    Enfim Sr. Sergio Reze antes de falar uma besteira dessas, pense um pouco no valor do veiculo que suas conc. representam e veja que vocês querem cada vez explorar mais e mais os consumidores... enquanto isso vocês enriquecendo mais e mais, claro que vai defender sempre seu ganha pão ( e que ganha pão ) e como sempre quem paga a conta é o cliente, margem de lucro para a mesma negociação vocês tem !!! Então pare de hipocrisia e seja homem !!!

  • DANIEL LOPES

    PREZADOS GOSTARIA DE SABER QUAL AMPARO LEGAL QUE DA DIREITO AS LOCADORAS A TER ESSES DESCONTOS NA COMPRA DE VEÍCULOS NOVOS?

  • Celso

    Sou da área de Locadora de veículos e não vejo porque tanta choradeira por parte desse representante das Concessionárias. Uma vez, que eles sempre estiveram na dianteira do mercado e sempre obtiveram bons rendimentos nesse negócio. Agora, só foi as locadoras de veículos começar a crescer e de certa forma obter uma fatia maior de mercado nas vendas dos seus carros usados é que começou essa choradeira. Vale lembrar que antes o mercado estava em desequilíbrio e eles reinavam sozinhos e inventaram um monte de artifícios para arrancar dinheiro a mais dos clientes. Agora simplesmente o cliente tem outra opção.

  • MárioSilveira

    Bom,uma coisa simples resolveria tudo, deveriam ser produzidos veículos específicos para locadoras , assim como estão fazendo com os carros PCD, e também limitar a venda após quatro anos, como é feito para os carros de PCD. ,dessa forma , compravam mais baratos e também teriam que vender mais baratos,Hoje já existe uma tabela Fipe para os PCD, tanto para seguro, quanto para avaliações e financiamentos,muito simples resolver , afinal carro de locadora sempre foi depreciado como carro de aluguel , Falta vontade de resolver o povo pode comprar um carro com beneficio tributário e se submeter as regras, mais os gigantes não!!

  • TioAlmir

    Nãosei não. Mas, aonde há fumaça, há fogo..O min.Paulo Guedes era metido a gerente da Localiza e fez fortuna . Então, só pode ser, como disse o Ciro Gones, alguma maracutaia!!

  • Eduardo

    Euacho que o maior prejudicado é o cliente final o consumidor, pois se comprar de concessionaria ele paga um valor altíssimo, devido aos impostos, se ele compra da locadora, ele estara fazendo uma compra no escuro, tipo kinder ovo uma surpresas que pode ser boa ou ruim devido as condições de uso do veiculo. Porque o consumidor não pode comprar direto da fabrica como as locadoras isentos de impostos, porque as locadoras são uma faixada, deixaram a muito tempo de viver de alugueis de carro e sim revenda.

  • Claudio

    Seas locadoras fazem este tipo de comercio isento porque alguem permitiu tal situacao. Ninguem é coitadinho nesta historia é cobra engolindo cobra.

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