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Sustentabilidade | 30/08/2011 | 20h56

Murgel Branco: novo pacto para o Proconve

Consultor alerta para esgotamento do programa

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Paulo Ricardo Braga, de Curitiba

Diante de um auditório quase lotado no complexo da Universidade Positivo, em Curitiba, PR, Gabriel Murgel Branco fez a palestra de abertura do já tradicional Fórum Diesel, da SAE Brasil, nesta terça-feira, 30, revisando os principais capítulos do Proconve, programa de controle de emissões que ajudou a criar em 1986. A idéia original era disciplinar por dez anos a iniciativa, que acabou sendo revisada em 1992 e trouxe bons resultados para os indicadores do meio ambiente.

“Agora é hora de voltar a traçar rumos efetivos para o Proconve”, disse o consultor da Environmentality, conhecido pela atuação na Cetesb, como professor de projetos de motores na Poli-USP e profissional da Ford Brasil. Para ele, seria importante reunir os diferentes atores envolvidos na condução do tema para definir as novas etapas.

Murgel Branco tem posição firme sobre a evolução do Proconve no caso de veículos comerciais: é preciso prosseguir na evolução tecnológica em direção a P8, equivalente a Euro 6. Quanto à frota de veículos antigos em circulação, haveria pouco a fazer e o próprio tempo se encarregaria de promover uma renovação no perfil dos veículos. “É indispensável, claro, assegurar boa manutenção dos caminhões e ônibus com idade mais avançada, para evitar prejuízos ao ambiente e no campo da segurança”, observou.

Quanto à possibilidade de promover uma renovação de frota recorrendo a incentivos para incentivar a troca do caminhão, ele diz que alguém teria que pagar a conta, que poderia ser pesada. Além disso, seria preciso regulamentar e estruturar um processo de reciclagem. “Programas desse gênero são complexos”, comentou.

Nem todos concordam com ele sobre esses assuntos polêmicos, como era de se esperar. Para outros especialistas em gestão de frotas e tráfego urbano, seria mais importante dar atenção à frota envelhecida do que concentrar esforços em direção a P8 (que, de toda forma, só ocorrerá em futuro distante). Valeria a pena, também, fiscalizar e até eliminar de circulação os veículos mais antigos, como Fenemês, que resistem à aposentadoria. Antiguidades como essas dificilmente resistiriam a uma inspeção.

Ele elogiou o propósito do PCPV, Plano de Controle da Poluição Veicular, que deve ser estruturada pelos estados e pelas grandes metrópoles, e afirmou que é necessário aperfeiçoar as inspeções veiculares. Para o executivo é preciso também repensar os corredores de tráfego em cidades como São Paulo, nos quais a concentração de particulados no ar é o dobro da medida na vizinhança. “Nesses locais se concentram muitas pessoas”, alertou.

Murgel enfatizou ainda a importância de projetos alternativos para o transporte público, como os ônibus a etanol, no ciclo diesel, desenvolvidos pela EMTU em colaboração com o Cenbio e diversas entidades. Atualmente há 50 unidades em circulação em São Paulo, fornecidos pela Scania, e mais dez a caminho. Híbridos com propulsão elétrica e motores a combustão (Volvo e Agrale) também prometem bons resultados, assim como o movido a célula a combustível da EMTU (há mais três em fase de projeto no momento), embora os preços sejam mais elevados.

O diretor da Environmentality considera que as motos continuarão sendo vilões do meio ambiente se não houver mudanças tecnológicas, já que são responsáveis por um volume crescente na emissão de particulados. “É preciso avançar com novas fases do Promot”, recomendou.



Tags: Fórum Diesel, Gabriel Murgel Branco, Environmentality, Proconve, Cetesb.

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