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Marketing e Lançamentos | 26/08/2011 | 02h45

Novo Kia Picanto terá rivais de peso neste início de vendas

Fiat Cinquecento a R$ 40 mil é só um exemplo

Mário Curcio, AB

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Mário Curcio, AB

A Kia já vende no Brasil o novo Picanto, mostrado no exterior em março deste ano. Com estilo bem mais arrojado e utilizando agora um motor 1.0 flexível, o modelo chega em versões com câmbio manual de cinco marchas a partir de R$ 34.900 e automáticas de quatro velocidades com preço inicial de R$ 39.900.

As concessionárias já recebem as primeiras 1.550 unidades, que chegaram a Vitória (ES) em três navios e começam a ser entregues ao consumidor final a partir da próxima semana. Os carros são todos produzidos na Coreia do Sul. Nesta sexta-feira teve início a campanha publicitária do modelo em canais de TVs abertas e por assinatura, jornais e revistas.

Até o fim do ano a Kia espera vender 6 mil unidades do modelo. Para 2012 a previsão é de 18 mil unidades. Pode não parecer muito, mas é mais do que todos os VW Golf emplacados em 2010 (17.746 unidades). Segundo a Kia, o volume brasileiro da marca só não é maior por falta de oferta: “Parei até de nomear concessionários”, afirma José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors. A marca sul-coreana ocupa hoje no Brasil o 11º lugar em automóveis e comerciais leves.

Com as vendas do Picanto, Gandini espera fechar 2011 “pelo menos no nono lugar”. Isso implica passar na frente de Toyota (nona) e Peugeot (décima), ambas com fábricas aqui. Sobre a possibilidade de trazer Picantos menos equipados e mais em conta, Gandini descartou: “Fomos nós que decidimos o conteúdo, sou eu que monto o carro. Não seria interessante por causa da concorrência com nacionais.” Sobre o custo de manutenção, o presidente da Kia Motors descartou revisões tabeladas. “É melhor assim do que fixar valores e a revenda não cumprir.”

Tudo novo

Acima, o Picanto antigo em sua primeira reestilização (2008) e o modelo atual: agora vai! Novo interior tem painel moderno e acabamento caprichado, mas porta-malas continua pequeno para uso familiar

Em vez dos antigos motores quatro-cilindros 1.0 e 1.1 a gasolina, a Kia adotou uma unidade de três cilindros para o novo Picanto. Esse propulsor utiliza quatro válvulas por cilindro e comando variável para as de admissão. Toda a carroceria é nova, utiliza outra plataforma e foi criada pelo desenhista alemão Peter Schreyer.

O carro perdeu aquele ar de patinho feito que carregava desde a primeira versão, que chegou por aqui em 2006. Duas cirurgias plásticas (uma em 2008 e outra em 2010) tentaram remediar o que não tinha conserto e o resultado foram vendas tímidas, 21.923 unidades em cinco anos.

Na nova versão, a distância entre eixos cresceu 15 milímetros e o espaço para as pernas de quem se senta no banco traseiro aumentou 6 mm. Parece pouco, mas pode ser a diferença entre raspar ou não os joelhos no banco da frente. O comprimento agora é de 3,6 metros, 60 mm a mais.

O carro tem bom espaço para quatro ocupantes (um quinto ficará espremido no meio do banco de trás). O porta-malas continua muito acanhado. A Kia divulga 292 litros, mas se for adotado o método de medição mais comum no Brasil (VDA), esse número cairá para cerca de 200 litros. Na prática, numa viagem de fim de semana a quatro, cada um poderá levar uma mochila de roupas e talvez sobre um canto para aquela comprinha de supermercado, antes de pegar a estrada.

A lista de itens de série da versão de entrada tem bem mais que trio elétrico, ar-condicionado, direção com assistência elétrica e rodas de liga leve. Há airbag duplo, regulagem de altura no banco do motorista e no volante. Este traz também botões para ajustar o som. O rádio toca-CDs/MP3 com entradas auxiliares é outro item da lista. Entre os opcionais há faróis com LEDs, teto solar, freios com ABS e airbags laterais e do tipo cortina.

No que se refere à concorrência, o Picanto terá vida difícil nos próximos meses, pois o Fiat 500 estará chegando do México a partir de R$ 39.990 e com um carisma muito superior ao do Kia. Outro modelo que roubará atenção dos jovens é o Nissan March, que vem em outubro. Sua versão 1.0 básica custará menos de R$ 30 mil e a 1.6, menos de 35 mil. E a Nissan porá muitas fichas nessa nova aposta, esteja certo disso.

Passada a euforia desses lançamentos, o novo Kia terá ainda como concorrentes os hatches nacionais de pequeno porte, todos maiores no comprimento e com porta-malas mais generosos. Citroën C3 e Peugeot 207 são concorrentes citados pela própria Kia. Outros dois são os VW Gol e Fox (que contam com uma rede de revendas bem maior do que a Kia).

Desempenho ainda não empolga

Apesar de utilizar o 1.0 mais potente à venda hoje no Brasil, 80 cv quando abastecido com etanol, o novo Picanto tem respostas lentas em aceleração e retomadas. Isso ocorre porque sua força surge em rotações muito elevadas. O torque máximo vem a 4.500 rpm e a potência, a 6.200 rpm. Embora tenha 2 cv a mais que o Celta (78 cv), na prática esse pequeno Chevrolet daria um couro no Kia se os dois fossem postos para andar juntos.

Em algumas situações comuns na cidade como pequenas subidas e saídas de lombada, nem mesmo a redução de terceira para segunda marcha traz a agilidade esperada no Picanto com câmbio manual. Essa demora é ainda mais crítica no automático. Nessa versão, a aceleração de 0 a 100 km/h ficou acima de 16 segundos em medições feitas por revistas especializadas.

A velocidade máxima deve estar acima de 150 km/h, como ocorre com a versão a gasolina de 69 cv vendida no exterior, pois, segundo a Kia, o carro vendido no Brasil utiliza as mesmas relações de transmissão e a faixa de corte de rotação também é igual (6.500 rpm).

A falta de agilidade é compensada pelo baixo consumo de combustível. Em uso misto (cidade-estrada), os testes para o programa de etiquetagem revelam 15 km/litro com gasolina e 9 km/l com álcool na versão manual. Com câmbio automático esses valores caem, respectivamente, para 14 km/l e 8 km/l.

A transmissão manual tem engates fáceis e a automática não tem mistério. Os carros que vêm para o Brasil tiveram alterações na suspensão. As molas têm carga um pouco menor e as borrachas dos batentes dos amortecedores são mais macias. O resultado final agradou.

A posição de dirigir do novo Picanto é muito boa e a visibilidade também. Estacioná-lo é moleza tanto pelo tamanho reduzido como pela leveza da direção. O acabamento geral (forração de portas e costura dos bancos) é caprichado e não há o que reclamar dos materiais empregados no painel, teto e outras forrações.

Reportagem atualizada em 27/8/2011



Tags: Kia, Picanto, flex, três cilindros, José Luiz Gandini, Peter Schreyer.

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