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Mercado e Negócios | 22/08/2011 | 11h14

Stephan Keese: solução é melhorar a produção local

Para Roland Berger, é preciso baixar custos e automatizar mais

Natalia Gómez

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Natalia Gómez, AB (foto:Ruy Hiza)

O crescimento da demanda por automóveis no mercado brasileiro deve continuar sustentável nos próximos anos, mas isso não significa que as empresas do setor conseguirão garantir bons resultados. A crescente concorrência com os importados e o apetite do consumidor por produtos inovadores podem comprometer a rentabilidade das montadoras instaladas no Brasil, apontou o diretor da consultoria Roland Berger, Stephan Keese, durante a palestra de abertura do Simpósio SAE Brasil Tendências e Inovação na Indústria Automobilística, que ocorre nesta segunda-feira, 22, em São Paulo, no hotel Sheraton WTC.

-Confira aqui a cobertura completa do Simpósio Tendências e Inovação na Indústria Automobilística


Segundo estimativas da consultoria, as vendas no Brasil devem saltar de 3,4 milhões de unidades em 2010 para 6,3 milhões em 2018. O executivo destacou que o perfil do consumidor brasileiro está mudando, com maior interesse por design, conforto e tecnologia e que isso dá mais fôlego aos concorrentes chineses. “O preço não é o único motivo que explica o sucesso dos produtos chineses, mas também o fato de serem mais equipados”, explica. Outro fenômeno é o aumento do preço médio pago pelo brasileiro por um carro, que passou de R$ 29 mil em 2006 para quase R$ 40 mil em 2010, em virtude do desejo por carros maiores e mais equipados.

Essa mudança está levando as montadoras tradicionais a investir em renovação de portfólio. Em pouco mais de dez anos, a oferta de modelos no Brasil deve duplicar. A expectativa das empresas é de que o mercado chegue a 5 milhões de unidades em 2015. Para garantir a oferta de produtos, as montadoras estão investindo pesado em aumento de capacidade e também na importação de veículos, que devem passar de 700 mil unidades em 2010 para 1,8 milhão em 2018.

No entanto, essa estratégia será insuficiente para sustentar os negócios, pois existe um risco de que ocorra um excesso na capacidade produtiva da indústria, o que provocaria uma guerra por participação de mercado, comprometendo preços e lucratividade. “Os investimentos atuais não asseguram a sustentabilidade no longo prazo”, afirmou. A produção ideal para as empresas em 2016 será de 5,2 milhões de unidades, mas o volume de fato será de 4,7 milhões de unidades, segundo suas estimativas.

A solução, segundo Keese, é melhorar a competitividade da produção local, com menores custos e maior automação. Isso permitiria maiores níveis de inovação e desenvolvimento de tecnologias locais. “Dessa forma o Brasil seria capaz de competir com produtos chineses. É preciso desenvolver um produto local de baixo custo.” Além de reduzir as importações, esse cenário permitiria o aumento das exportações dos produtos brasileiros.

Na visão do executivo, o Brasil perdeu muito tempo aproveitando o crescimento do mercado sem investir em inovação e tecnologia, enquanto a China investiu muito em produtividade. Por essa razão, o plano Brasil Maior, lançado no início do mês pelo governo federal para beneficiar a indústria nacional, deve ter um impacto restrito no mercado automotivo, de acordo com Keese. Caso o IPI seja reduzido, poderá melhorar a margem das empresas, mas terá mínimo efeito sobre o preço para o consumidor, em sua opinião. “O setor precisa de ações das empresas e não apenas do governo”, disse.

Nesse cenário, as montadoras e os sistemistas terão condições favoráveis para melhorar sua produtividade, mas o mesmo não se aplica às pequenas empresas, que têm menos acesso a capital para fazer investimentos. Mesmo assim, o executivo acredita que todos devam fazer sua parte antes de contar com a ajuda governamental. Além do maior investimento em centros de desenvolvimento locais, ele destacou a importância de intercâmbio de informações entre empresas e universidades.



Tags: Roland Berger, Stephan Keese, chineses, Brasil Maior.

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