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Mercado e Negócios | 20/07/2011 | 20h30

BC eleva juro a 12,5% ao ano

Decisão é duramente criticada por representantes da indústria e do comércio

Agência Estado

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Agência Estado

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central seguiu o roteiro previsto pelo mercado financeiro e decidiu elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto porcentual, para 12,5% ao ano. Com o movimento, o BC dá sequência ao processo de aperto monetário iniciado em janeiro deste ano, com o objetivo reverter a tendência de alta da inflação e colocar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de volta no centro da meta, de 4,5% em 2012.

Levantamento feito pela Agência Estado com 74 instituições do mercado financeiro mostrou que 73 apostavam na alta de 0,25 ponto da taxa Selic nesta quarta-feira, 20, e somente uma previa estabilidade.

Desde janeiro, a taxa Selic acumula elevação de 1,75 ponto porcentual. A alta busca conter o ímpeto da demanda de bens e serviços na economia brasileira, que tem sido apontada como um dos fatores por trás da escalada dos preços no País. Com juros mais altos, não só o crédito fica mais caro (especialmente em um ambiente no qual medidas adotadas pelo governo restringem o alongamento de prazos) para os consumidores, mas também se cria um incentivo para as pessoas guardarem dinheiro, ao invés de aproveitarem seus ganhos de renda para gastar mais e dessa forma incentivar o encarecimento dos produtos.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 30 e 31 de agosto. A ata da reunião desta quarta-feira será divulgada pelo BC na quinta-feira da próxima semana, dia 28.

Indústria critica e CNI cobra medidas de compensação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) cobrou do governo medidas que amenizem os efeitos da alta da taxa de juros sobre a competitividade da indústria nacional. Em comunicado divulgado após a reunião do Copom que subiu a taxa Selic de 12,25% para 12,5% ao ano, a CNI criticou a decisão em nota: “Quanto mais essas ações demorarem, maiores serão os prejuízos para o País. Por isso, a indústria espera a inclusão de medidas efetivas de desoneração tributária na nova fase da política industrial.”

“O custo dessa política (monetária) é muito alto, especialmente para a indústria, porque o aumento dos juros encarece o crédito e diminui o consumo. Além disso, com a taxa real de juros mais alta do mundo, o Brasil atrai capital externo, o que intensifica a forte valorização do real diante do dólar. Com juros altos e câmbio valorizado, os produtos brasileiros não conseguem competir com os estrangeiros e perdem espaço nos mercados interno e externo”, ressalta a nota.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, também repudiou por meio de nota a decisão do Copom. Skaf considerou que o quinto aumento consecutivo da Selic irá acelerar o processo de desindustrialização nacional. “E poderemos ter perdas de postos de trabalho, agravando os sérios problemas que já enfrentamos com a competitividade brasileira”, observou.

O presidente da Fiesp sugeriu ainda que, em vez de elevar os juros, o governo federal deveria adotar medidas que efetivamente reduzam a carga tributária, equilibrem a taxa de câmbio e melhorem a infraestrutura nacional.

Força Sindical

O presidente da Força Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, avaliou, em nota, que a decisão do BC “agrada o mercado financeiro” e prejudica a busca dos trabalhadores por “um aumento de renda real”. O presidente da entidade lembrou que o controle da inflação é essencial, mas repudiou o que chamou de “política que traz lucros vultosos apenas aos especuladores, em detrimento da maioria”.

“Nós repudiamos esta atitude do Copom de ignorar os custos desta política para a população”, criticou. “Nós também não engolimos o discurso de que aumento real de salário gera inflação”, acrescentou.

Lojistas e comércio

A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) lamentou, em nota distribuída logo após a reunião do Copom, a decisão de elevar a taxa básica de juros. “Ao tentar esfriar a economia o Banco Central dá um duro golpe no bolso do cidadão comum, que terá de arcar com custos ainda maiores em financiamentos, além de conviver com os juros reais mais altos do mundo”, diz a CNDL.

Conforme avaliação presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, ao decidir elevar pela quinta vez consecutiva os juros básicos, os diretores do BC demonstraram ter “pouca fé” nas informações que apontam para a perda de força da inflação. “Ainda pela manhã, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) já havia divulgado que o IPCA-15 de julho havia recuado para o menor patamar desde agosto de 2010. A cautela foi desmedida”, disse.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) avaliou como um “excesso de conservadorismo” a decisão do BC. A elevação dos juros, segundo a entidade, desagrada a todos os setores produtivos, uma vez que não reflete o atual momento econômico brasileiro. “Em termos práticos, o IPCA e o INPC mostraram forte desaceleração nos últimos dois meses e a componente sazonal da inflação se confirmou”, considerou.

A Associação Comercial de São Paulo também criticou a decisão. “Já era esperada pelo mercado, mas consideramos que, tendo em vista o cenário externo de incertezas e a trajetória recente da inflação, a taxa básica deveria ter sido mantida, mesmo que fosse com um viés de alta”, diz a nota da entidade.

Para a associação, a alta taxa de juros afeta mais os meios produtivos do que o mercado consumidor. “A taxa Selic já está muito elevada e seu impacto vem se fazendo sentir mais na produção do que no consumo, além de contribuir para uma valorização ainda maior do real”, apontou Rogério Amato, presidente da Associação Comercial e Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo.



Tags: Banco Central, Copom, Taxa Selic, Juro, CNI, Fiesp, Fecomércio, CNDL, Força Sindical.

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