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Combustíveis | 07/06/2011 | 15h45

Ethanol Summit: ônibus a etanol ganha espaço

Custo maior pode ser compensado com redução de gastos com saúde pública.

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Redação AB

“Se toda a frota de ônibus paulistana passasse a rodar com etanol, já no primeiro ano a cidade teria 700 mortes a menos provocadas pela poluição do ar”, defendeu o médico Paulo Saldiva, pesquisador da USP, no painel de debates “Transporte Público: Nova Frente para o Etanol?”, realizado durante o Ethanol Summit, que aconteceu nesta segunda e terça-feira, 6 e 7, em São Paulo. “A cada ano morrem 4 mil pessoas na cidade por causa desse problema. Temos aqui uma questão de saúde pública muito delicada. As pessoas podem se alimentar de forma saudável, podem parar de fumar, podem se exercitar. Mas como elas podem evitar o contato com ar poluído?”, questionou Saldiva, acrescentando que a situação representa um custo de milhões de reais ao Sistema Público de Saúde, o SUS.

No fim de maio a cidade de São Paulo deu o primeiro passo no sentido de mitigar a poluição causada pelo transporte coletivo, ao iniciar as atividades dos 50 primeiros ônibus movidos a etanol, que serão operados pela Viação Metropolitana. A Prefeitura tem como meta substituir toda a frota diesel de aproximadamente 15 mil veículos até 2018, com sensíveis reduções de emissões de poluentes.

O problema ainda é o alto custo da adoção das tecnologias sustentáveis. Um ônibus equipado com motor ciclo diesel a etanol custa, em média, 10% mais caro do que um tradicional movido a diesel. Acrescenta-se a isso a eficiência energética menor do álcool, com maior consumo. Portanto, para usufruir do ganho ambiental, é preciso pagar por isso, o que poderia ser compensado com políticas públicas de controle e incentivo. “É preciso tratar da questão da sazonalidade e dos preços do etanol, além de reduzir a carga tributária. Um ônibus tem pelo menos dez anos de vida útil e o investimento nesse tipo de negócio requer segurança de que as políticas de incentivo ao uso de energias limpas serão mantidas”, argumentou Niege Chaves, presidente da Viação Metropolitana, que recém-adquiriu a frota de 50 ônibus a etanol.

“Não se pode comparar as novas tecnologias com investimentos em diesel, que já foram depreciados, e que causam sérios problemas ambientais. Não é correto olhar apenas o custo de se rodar com etanol ou diesel porque há custos mascarados por trás disso e que refletem em toda a sociedade”, contra-argumentou o secretário Marcelo Branco, secretário de Transportes de São Paulo, e acrescentou: “A legislação adotada em São Paulo, com a Lei de Mudanças Climáticas, dá mais segurança ao investidor. Não dá mais para voltar atrás. Esta é uma questão de interesse público e nem a sociedade permitiria um retrocesso.”

“Quem paga a conta é a saúde da população, principalmente das pessoas que ficam muito tempo paradas nos corredores de ônibus, onde há concentração muito maior de poluentes. A verdade é que o diesel não se comporta bem no setor da saúde humana”, pontuou o professor Saldiva. “Para cada real investido em energia limpa, a cidade de São Paulo ganha de R$ 7 a R$ 8 em saúde.”

Estocolmo

Os ônibus movidos a etanol que começaram a circular em São Paulo têm a mesma tecnologia dos fabricados pela Scania na Suécia, que introduziu a tecnologia no transporte público de Estocolmo em 1990. Atualmente, 50% dos ônibus que circulam pela capital sueca são movidos a etanol. De acordo com Lennart Hallgren, gerente de projetos da empresa de transporte público de Estocolmo, a meta é atingir toda a frota até 2025, eliminando por completo o uso de combustíveis fósseis.

“A produção brasileira de etanol dá segurança para investir. Além disso, a rede é bem estruturada. O etanol brasileiro é um produto muito bem sucedido. Se teve êxito na Suécia, não há por que não repeti-lo aqui”, avaliou Chaves, da Viação Metropolitana.

Christopher Podgorski, vice-presidente da Scania América Latina, destacou que os biocombustíveis têm viabilidade econômica, mas é preciso investir em infra-estrutura e regulamentação. “Hoje todos nós pensamos em como criar um sistema de transporte mais sustentável. O importante é que haja sinergia entre empresas, governo e produtores.”


Assista à entrevista exclusiva com Wilson Pereira, diretor de vendas de ônibus da Scania, que fala da expectativa de negócios para os veículos movidos a etanol:



Tags: Biocombustível, etanol, Ethanol Summit, Scania, transporte público, ônibus.

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