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Eventos | 12/05/2011 | 18h30

Salão de Barcelona exibe efeitos da crise

Apesar das dificuldades evento espera 1 milhão de visitantes.

Michelly Teixeira, especial para AB

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Michelly Teixeira, de Barcelona, Espanha, especial para AB

Poucos quilômetros separam o passado das “quadrigas” e o que há de mais moderno no mundo dos transportes. Aos pés do Museu Nacional de Arte da Catalunya (MNAC), que abriga preciosidades românicas em sua vasta coleção, o Salão Internacional do Automóvel de Barcelona apresenta ao público, de 14 a 22 de maio, os últimos modelos de 37 marcas. A 36ª edição da feira coincide com o Grande Prêmio da Espanha de Fórmula 1, que arranca de 20 a 22 de maio, o que fará da capital da Catalunha um polo mundial do automobilismo por sete dias.

Automóveis, comerciais leves, veículos para turismo, peças de reposição, componentes e acessórios compõem o cenário da Fira de Barcelona, que hoje abriu suas portas somente para a imprensa. A novidade é que o carro elétrico ganhou seu próprio pavilhão, onde modelos de marcas como Mercedes, Audi, Toyota, Renault e até a indiana Mahindra dividem espaço com exposições e atividades para o público.

Em meio à crise por que atravessa a Europa, criar um pavilhão voltado exclusivamente aos elétricos tem um significado e tanto. Encontrar meios de impulsionar a mobilidade elétrica ou híbrida tem sido um dos principais desafios da indústria automobilística. Desde 2000, os principais fabricantes vêm criando projetos com o firme propósito de viabilizar comercialmente os veículos sustentáveis.

Não faltam modelos no Pavilhão Elétrico: a Audi, por exemplo, apresenta o Q5 Hybrid; a Toyota o Yaris Híbrido HSD e o Prius+; a Renault mostra o Fluence VE e o Kangoo VE; a Mercedes-Benz o Classe A-Cell; e a Citroën o C-Cactus. É grande a expectativa sobre como reagirão o público e as concessionárias a essas novidades.

Uma parte do pavilhão é dedicada à história dos carros elétricos. Ao percorrer esta área, o visitante seguramente se surpreenderá com o fato de que o carro movido a eletricidade precedeu o motor a gasolina, este último desenvolvido em 1885. Foi entre 1832 e 1839 que o escocês Robert Anderson criou o primeiro veículo impulsionado totalmente por energia elétrica. Também está exposto um protótipo do automóvel que pela primeira vez superou a marca dos 100 km/h. Desenvolvido pelo belga Camille Jenatzy, o elétrico “La Jamais Contente” (“Nunca Satisfeita") bateu seu recorde de velocidade em 1899.



Expositores e vendas em baixa

A fraqueza do mercado automobilístico europeu afetou sobremaneira o número de expositores – são 18 a menos ante a última edição, de 2009, quando se comemorou o 90º aniversário do salão. O presidente do evento, Enrique Lacalle, quer evitar comparações com a edição comemorativa. À imprensa, ponderou que 2007, quando 43 marcas exibiram seus produtos, oferece melhor base de comparação. É bom lembrar que, além de coincidir com uma data especial, em 2009 a feira teve a seu favor incentivos fiscais para os expositores.

Seja como for, marcas tradicionais como Opel, Saab, Honda, Suzuki, Subaru, Mitsubishi (esta só estará presente no Pavilhão Elétrico) e Lexus ficaram de fora. Mas não foi só a crise que afetou o número de expositores nos 250 mil metros quadrados da feira. O terremoto que assolou o Japão em março afastou do jogo cinco marcas japonesas. Com menos participantes, um dos pavilhões ficou, pela primeira vez, vazio.

Outro efeito colateral da crise é o número de lançamentos. Novidade de projeção internacional há só uma: o Hyundai i40 Sedan. Além disso, haverá três lançamentos em âmbito europeu: o Audi Q3, que será fabricado na planta da Seat em Barcelona; o Volkswagen Beetle; e o Hyundai Elantra. E 25 modelos serão apresentados pela primeira vez para o mercado espanhol.

Em termos de atividades ao público, a feira deste ano também deixa a desejar. Destaque para o circuito off road montado pela checa Skoda. Em 3 mil metros quadrados de pista, os visitantes podem testar sua habilidade em terrenos acidentados. A Fiat, por sua vez, promoverá provas e atividades para a condução eficiente do ponto de vista ecológico.

Ainda que a feira mostre menos força que em edições anteriores, a organização do evento espera receber os cerca de 1 milhão de visitantes já registrados em outras edições. Resta saber quantos vão comprar. Em 2009, quando a feira teve êxito maior que o normal, foram fechados entre 60 mil e 70 mil pedidos de orçamento para a compra de veículos. Sem projetar negócios, os organizadores têm esperança de que a Fórmula 1 na Espanha atraia mais pessoas interessadas em motores e, por consequência, com propensão maior à compra.

A única certeza, no momento, é que o mercado automotivo europeu segue lutando contra a crise, que há dez meses consecutivos vem provocando queda na venda de veículos. Na Espanha, por exemplo, os emplacamentos de automóveis somaram 71.808 unidades em abril, o que corresponde a queda de 23,3% ante igual período de 2010, conforme dados divulgados pelas associações de fabricantes e distribuidores. No quadrimestre, o declínio é de 26,3% sobre janeiro-abril de 2010, para 279.960 unidades comercializadas.

Em 2010, as vendas tiveram acréscimo de 3,1% na comparação com o ano anterior, depois de dois anos de quedas pronunciadas – de 28,1% em 2008 e de 17,9% em 2009. A discreta melhora é explicada pelos subsídios públicos à compra de veículos, ajuda que terminou na segunda metade do ano, com o aumento do IVA (Imposto sobre Valor Agregado).





Tags: Feira de Barcelona, veículos elétricos, Mercedes, Audi, Toyota, Renault, Fiat.

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