Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

Certificação | 28/04/2011 | 21h28

Pesquisa amplia fontes de biodiesel

Macaúba tem o maior rendimento e cana é a mais nova alternativa.

Automotive Business

NOTÍCIAS AUTOMOTIVAS EM QUALQUER LUGAR
Email RSS Twitter WebTV Revista Mobile Rede Social


Pedro Kutney, AB

As pesquisas com biodiesel no Brasil estão avançando não só nos testes de campo com diversos veículos, mas também na ampliação das fontes de extração do biocombustível. “Existem limitações na produção de biodiesel proveniente só da soja. Por isso é necessário investir em alternativas mais eficientes”, explica o professor Miguel Dabdoub, coordenador nacional do Projeto Biodiesel Brasil no Ladetel (Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas), da USP Ribeirão Preto (SP).

Dabdoub destaca que o Brasil lidera os testes mundiais com biodiesel etílico (extraído de óleos vegetais com uso de etanol no processo químico, diferente da Europa, que usa para isso o metanol derivado de petróleo). “Fomos pioneiros em testar o B30 (diesel mineral com 30% de biodiesel etílico) desde 2003 em carros de passeio, quando ninguém queria testar nem o B5”, diz o professor, citando o programa de testes da PSA Peugeot Citroën. “Hoje fazemos testes com outras montadoras também, mas nenhum com B30, no máximo B20”, revela.

A estratégia agora, defende Dabdoub, é diversificar as fontes, privilegiando as mais eficientes, e diminuir o custo dos processos de produção. Segundo ele, até agora o melhor custo-benefício está na palma africana, ou dendê, capaz de produzir 5,9 mil litros de biodiesel por hectare plantado, ou dez vezes mais do que os 500 l/h da soja – até agora a oleaginosa mais usada na produção do agrocombustível. “Para se ter uma ideia, com 12 milhões de hectares plantados de palma a Malásia faz mais óleo do que toda a produção de soja do mundo inteiro.”

Novas promessas

A grande promessa agora, diz Dabdoub, é o que ele chama de palma latino-americana, a macaúba, da qual se extraem 7 mil litros de biodiesel por hectare, mas o problema é que há poucas plantações.

A mais nova fonte de biodiesel é a própria cana-de-açúcar, capaz de gerar 4 mil litros por hectare plantado. “Pode-se até questionar que a cana não seria boa fonte em um momento que está faltando etanol no País, mas é preciso avaliar o futuro de todas as fontes. E a cana é uma fonte nada desprezível se considerarmos que os 7 milhões de hectares plantados hoje não são nada perto do potencial de plantar 100 milhões de hectares que o Brasil tem”, avalia.

Dabdoub explica que o biodiesel de cana é bastante diferente do diesel de cana, que vem sendo produzido pela Amyris no País, que faz testes com a Mercedes-Benz e recentemente firmou sociedade com o Grupo São Martinho para produção em larga escala. “O diesel de cana funciona, mas o processo químico de obtenção do produto é bastante mais caro do que o para extrair biodiesel. Por isso acredito que a viabilidade econômica seja difícil para uso veicular, devem produzir mais para indústria de cosméticos.”

O professor destaca que a extração do biodiesel de cana é parecida com a feita de outros óleos vegetais, como de soja ou dendê. Mas antes é preciso transformar o caldo da cana em óleo. Para isso são adicionados micro-organismos que se alimentam do açúcar ali contido e geram gordura – em palavras mais simples, isso acontece da mesma forma como comemos e engordamos. Depois disso, por meio de transesterificação com adição de etanol (ou metanol), extrai-se o biodiesel.

O novo tipo de biodiesel extraído da cana começa a ser testado pela primeira vez agora, na terceira fase do programa que o Grupo PSA desenvolve no Brasil em conjunto com o Ladetel, que desde 2003 vem fazendo testes de rodagem com carros diesel Peugeot e Citroën abastecidos com B30 de diversas origens. “Já rodamos com biodiesel de soja, dendê e mamona, todos com resultados muito bons. Agora vamos experimentar o de cana também.”



Tags: Biodiesel, Ladetel, PSA Peugeot Citroën, macaúba, mamona, dendê.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência