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Digitalização traz ganhos extras à indústria

Negócios | 10/05/2018 | 18h2

Digitalização traz ganhos extras à indústria

Accenture prevê migração de valor para serviços digitais

PEDRO KUTNEY, AB

A digitalização está reinventando a indústria na forma de fazer seus produtos, mas também (e muito) na forma de vende-los. No caso dos fabricantes de veículos, um carro não terá seu valor agregado somente pelo que ele é (um conjunto mecânico de peças e chapas de aço), mas pelos serviços digitais que traz e experiência que pode proporcionar ao usuário. Essa transformação é intensa e disruptiva, muda o enfoque dos negócios, mas poderá gerar milhões em novos ganhos para quem souber fazer a migração de valores.

Esta é a previsão da Accenture, consultoria internacional especializada em digitalização, que já trata o novo negócio industrial como “Indústria X.0”. Segundo recente estudo da empresa, levando em conta só o setor automotivo, processos e produtos digitalizados podem reduzir em até 14% os custos por empregado; para cada US$ 10 bilhões em faturamento, US$ 200 milhões extras podem ser ganhos com a manufatura digital (a chamada indústria 4.0) que produz sob demanda e evita desperdícios, outros US$ 200 milhões adicionais virão da venda de serviços digitais aos clientes e mais cerca de US$ 70 milhões são gerados por novos modelos de negócios.

“Há muito valor aprisionado no negócio que agora pode ser destravado pela tecnologia digital”, destaca Eric Shaeffer, diretor da Accenture especialista em transformação digital da indústria e autor do livro Industry X.0.



Shaeffer foi um dos palestrantes do Congresso da IFS, empresa desenvolvedora de softwares de gestão que promoveu o evento com parceiros como a Accenture para divulgar o avanço da digitalização e soluções nesse caminho. Segundo o especialista, a indústria automotiva está se movendo para gerar mais valor digital aos seus produtos.

NOVAS FONTES DE VALOR





Um desses exemplos vem da Faurecia, fornecedora de origem francesa especializada em interiores de veículos, que recentemente apresentou um cockpit para carros do futuro desenvolvido em parceria com a Accenture, Amazon Alexa, Parrot Automotive e CES. “Identificamos mais de 20 fontes de faturamento com o novo cockpit, como serviços médicos: o motorista pode passar por vários exames enquanto está em trânsito no carro”, exemplifica Shaeffer.

Outro exemplo recente é o novo plano estratégico da Audi apresentado esta semana (leia aqui), com foco redobrado na digitalização. O fabricante vai abrir um departamento para desenvolver “valor digital” aos produtos e criar uma nova plataforma de tecnologia da informação para conectar seus carros e serviços. Ao comprar um veículo da marca, os clientes poderão adquirir várias funcionalidades on-line. Com isso, a estimativa é que os serviços digitais vendidos pelo portal myAudi deverão gerar contribuição anual para o lucro operacional de € 1 bilhão até 2025.

“A verdade é que no futuro muito próximo ninguém vai comprar um carro baseado só em sua potência ou outros atributos físicos do produto, mas na experiência que ele pode oferecer. Isso será possível com a digitalização e uso intensivo de inteligência artificial (IA)”, afirma o consultor. “A IA é a tecnologia chave para transformar produtos em ‘produtos X.0’”, acrescenta.

Ele cita outro levantamento da Accenture, em que 68% das empresas consultadas acreditam que a IA vai transformar seu negócio, e na Europa 35% das indústrias dizem que nos próximos três anos a IA fará parte de pelo menos metade de seus produtos.

MIGRAÇÃO DIGITAL



Até bens aparentemente básicos, como pneus, por exemplo, passam pela disrupção digital que transforma produtos em serviços. Na era de coisas “chipadas” e conectadas, a francesa Michelin já tem projeto para começar a cobrar frotistas pelo uso por quilômetro rodado de seus pneus, em vez de vender o produto em si. A conexão on-line dos pneus com a rede de computadores permite ao fornecedor monitorar a rodagem, calcular a cobrança e mandar produtos novos automaticamente ao usuário após o fim da vida útil. A digitalização torna isso possível, oferece novas experiências aos clientes e muda o modelo de negócios.

“O valor dos produtos está migrando muito rápido do hardware para o software e para o ambiente totalmente digital. O segredo para ganhar com isso é se adaptar rapidamente às novas tecnologias”, aconselha Shaeffer.



Outro levantamento da Accenture mostra a velocidade da migração de valores para o universo digital. A consultoria prevê que nos próximos anos a digitalização deverá representar cerca de 70% do valor dos bens industriais (contra 10% hoje), enquanto softwares terão fatia de 20%, mecânica e eletrônica ficarão com apenas 5% cada (eram 100% há 20 anos).

Dessa forma, todas as indústrias serão ou estão sendo atingidas pela disrupção digital, que traz à tona um novo mundo virtual formado por equipamentos e utensílios conectados em nuvem (a internet das coisas, IoT na sigla em inglês), análise veloz de bilhões de dados (o big data), automação em massa, gestão compartilhada entre pessoas e equipamentos, aprendizado de máquinas (machine learning) e muita inteligência artificial.

Ninguém duvida da reinvenção digital da indústria, mas poucos estão preparados para ela. Pesquisa recente da Accenture constatou que 80% dos empresários entrevistados disseram que a digitalização irá transformar totalmente os negócios, mas apenas 17% afirmaram que têm alguma estratégia traçada para viver nesses novos tempos nos próximos anos.



Tags: Digitalização industrial, tecnologia, tendências, Accenture, IFS, indústria 4.0, indústria X.0.

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