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Estratégia | 03/02/2018 | 0h0

Byton quer transformar carro em dispositivo tecnológico

Startup fundada por executivos que vieram da BMW vai fabricar autônomos

Enquanto as montadoras tradicionais trabalham em sua transformação digital, nasce uma fabricante de carros que pretende olhar apenas para o futuro, a Byton. Fundada na China em 2016, a companhia quer transformar o carro em um dispositivo tecnológico, uma plataforma digital e de transporte premium para ser vendida globalmente. Um aperitivo deste projeto já foi demonstrado durante a estreia da marca na CES Las Vegas, uma das principais feiras de tecnologia do mundo, onde a empresa apresentou a versão conceito de seu SUV elétrico e autônomo.

A Byton era conhecida até então como Future Mobility, startup criada por dois executivos que vieram da divisão i da BMW. O primeiro deles, Carsten Breitfeld, trabalhou na companhia por 20 anos. Daniel Kirchert, o segundo fundador, também atuou na fabricante alemã e teve ainda passagem pela Infiniti, marca premium da Nissan. Os dois acumulam ampla experiência na China e estabeleceram a sede da companhia ali. O plano, no entanto, é manter o negócio multicultural. Por isso há estrutura estabelecida também na Alemanha e no Vale do Silício.

CAPTAÇÃO DE US$ 1,1 BILHÃO


Por soar um tanto presunçoso que uma empresa recém-fundada queira entregar solução tecnológica que uma indústria de 100 anos de história ainda pena para desenvolver, mas alguns grandes resultados já foram alcançados. A Byton levantou US$ 1,1 bilhão em algumas rodadas de investimentos. A maior parte de empresas chinesas e, portanto, de forma indireta, do governo do País. O valor é extremamente relevante para uma startup de tecnologia, mas tímido se consideradas as proporções da indústria automotiva, que carrega a necessidade de investir pesado em unidades fabris, pesquisa e desenvolvimento, entre muitos outros aspectos.

Com o montante, a empresa finalizou a construção de uma planta em Nanjing, na China, para, inicialmente, 100 mil unidades por ano. O plano é aumentar os volumes para 300 mil carros anuais no médio prazo, com três modelos. Publicações da região apontam que a empresa deve fazer uma nova rodada de investimentos para captar mais US$ 400 milhões.

A TESLA DOS AUTÔNOMOS


Em apresentação na China, Daniel Kirchert, que além de fundador é presidente da companhia, declarou que o plano é que a Byton traga para o mercado de carros autônomos a novidade que a Tesla trouxe para os modelos elétricos há alguns anos. A versão de produção do utilitário esportivo elétrico e autônomo exibido pela marca durante a CES deve começar a ser vendido nos Estados Unidos em 2019 por US$ 45 mil – US$ 10 mil a mais do que o modelo mais barato da Tesla, o Model 3.

Com a ambição de transformar a experiência dos passageiros, o automóvel usa tecnologias como reconhecimento de voz e do rosto para uma série de funções, como o destravamento das portas. A versão conceito traz uma série de recursos ligados ao bem-estar dos ocupantes, como sensores que medem batimentos cardíacos e pressão sanguínea e podem identificar irregularidades e sugerir uma visita ao médico. “O carro será como um dispositivo wearable (vestível) que te dá conselhos importantes de saúde”, diz Kirchert.

O automóvel, inicialmente, será semiautônomo, mas após o lançamento poderá receber atualizações para chegar ao nível 5, com plena autonomia. A Byton trabalha no desenvolvimento da cadeia de fornecedores para produzir o modelo na China e já fechou com algumas parceiras importantes, como a Bosch.

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