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Estratégia | 22/02/2018 | 18h23

Fornecedores precisam de novos negócios para sobreviver

Estudo da Roland Berger aborda o impacto da transformação da indústria na cadeia produtiva

GIOVANNA RIATO, AB

A esperada mudança no setor de transporte e mobilidade nos próximos anos abala os negócios não só nas montadoras de veículos, mas também nos fornecedores de sistemas, tecnologias e componentes que compõe a cadeia automotiva. Em parceria com a Lazard, a Roland Berger elaborou estudo sobre as perspectivas para estas empresas. Segundo o documento, buscar novos negócios será essencial para a sobrevivência das organizações.



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A verdade é que, para o fornecedor, a saída é bem mais complicada porque os volumes de vendas vão se estagnar e as necessidades passarão por mudança”, diz Rodrigo Custódio, diretor da Roland Berger para o Brasil.

“Uma empresa que produz motores a combustão, por exemplo, será capaz de se transformar para oferecer propulsores elétricos? Uma fabricante de peças de ferro fundido vai conseguir se adaptar para atender à necessidade de materiais mais leves?”, questiona.

“As empresas precisam se capitalizar para investir em tecnologia.” Ele cita uma série de tecnologias usadas hoje nos carros, mas que tendem a sumir nos próximos anos, como sistema de direção hidráulica, peças fundidas, espelhos – que devem ser substituídos por câmeras, além, claro, de algumas soluções menos eficientes para motores a combustão.

A consultoria lembra que as megatendências que impactam a indústria automotiva (mobilidade, direção autônoma, digitalização e eletrificação) terão efeito importante sobre a cadeia produtiva. Segundo Custódio, o caminho dos fornecedores para encarar a mudança está em “ampliar o olhar” ao apostar em novas linhas de produtos e serviços, além de preparar a organização para captar recursos financeiros e assim garantir capacidade para financiar a própria evolução. O consultor cita exemplos como o da Bosch, que tem se ajustado e anunciou recentemente a criação de uma divisão focada em novos serviços de mobilidade. Outro caso importante, aponta, é o da Delphi, que realizou um spin off e tornou a sua divisão de eletrônica, conectividade e segurança um negócio separado, criando a Aptiv.

VENDAS AINDA CRESCEM, MAS CAMINHAM PARA A ESTAGNAÇÃO


O estudo da Roland Berger enfatiza que o cenário já dá sinais de que as antigas fórmulas não vão funcionar por muito tempo para as empresas. “As vendas globais de veículos bateram recorde no ano passado, mas essa expansão tende a se estagnar”, observa Custódio. Além disso, diz, as margens dos fornecedores da cadeia automotiva crescem em ritmo cada vez mais lento. Segundo ele, a performance financeira de cada companhia varia muito de acordo com a região em que atua, o modelo de negócio, o tamanho da organização e a linha de produtos.

Segundo o levantamento, fabricantes com forte atuação na China, Estados Unidos e Canadá são as que conseguem sustentar melhor performance financeira, ao lado das companhias que produzem componentes para o exterior dos veículos, chassis e pneus. Enquanto isso, os fabricantes de componentes para motores enfrentam forte pressão em suas margens, indica o estudo.

Para Custódio, o cenário é ainda mais desafiador porque as empresas precisam investir em desenvolvimento tecnológico mesmo com a lucratividade prejudicada. Há também mudança importante de paradigma, diz, já que a tendência é que o fornecimento de produtos e componentes perca a relevância, enquanto o software seja o grande diferenciador e gerador de receitas para as empresas. Assim, digitalizar é essencial.

“Empresas tradicionais vão perder valor rapidamente. O panorama é de ruptura nos negócios, então os fornecedores precisam estar muito atentos.”


NO BRASIL, CAMINHO ESTÁ NA CONSOLIDAÇÃO


O consultor lembra que, mesmo que demore um pouco mais, o Brasil está na rota da transformação global do setor de transportes. A mudança, estima, deve acontecer de forma mais intensa no País a partir de 2025. Os fornecedores, portanto, precisam se preparar. “É essencial enxugar operação e levantar capital, firmar parcerias com outras companhias e startups. A consolidação é um caminho, já que pequenas e médias empresas brasileiras teriam mais dificuldade de passar por este processo”, diz.

Custódio alerta que as filiais brasileiras de companhias globalizadas também precisam desenvolver projetos nacionais. “Há uma mudança de foco das matrizes, que não estão mais com os olhos no Brasil. É preciso perceber isso e trabalhar localmente de outra maneira”, aconselha.



Tags: indústria, fornecedores, transformação, cadeia automotiva.

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