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Tesla envia carro a Marte, mas patina para fechar as contas na Terra

Balanço | 08/02/2018 | 20h34

Tesla envia carro a Marte, mas patina para fechar as contas na Terra

Empresa levantou US$ 850 milhões, mas fechou 2017 com prejuízo recorde

REDAÇÃO AB

Depois de enviar um Roadster vermelho à Marte, a Tesla foi rapidamente trazida de volta à Terra com o fechamento de seu balanço financeiro de 2017. De astronômico só sobrou o tamanho do aumento de seu prejuízo líquido, que saltou 190% para US$ 1,96 bilhão. A companhia não apura um único lucro anual desde 2010, quando abriu capital, e agravou a situação com a dificuldade enfrentada para escalar a produção do Model 3, seu aguardado carro de alto volume. “Se pudermos enviar um Roadster para o cinturão de asteroides, provavelmente podemos resolver a produção do Model 3”, declarou a analistas Elon Musk, CEO da companhia.

De fato, mesmo com um rombo tão grande em seu balanço financeiro, a Tesla tem no executivo sua principal ferramenta para garantir a confiança do mercado. Como presidente também da SpaceX, empresa de exploração espacial, ele lançou na terça-feira, 6, um dos foguetes mais poderosos do mundo carregando o Roadster dentro dele. O feito, além de impressionante para uma empresa privada, rendeu atenção global para as duas marcas e elevou o valor de mercado da Tesla para US$ 57 milhões, mantendo a companhia posições à frente de montadoras tradicionais, como a Ford.

Pré-venda do caminhão semi e do esportivo Roadster garantiram US$ 850 milhões em receitas para a Tesla


US$ 850 MILHÕES EM PRÉ-VENDA



Em 2017, durante o pico da crise na produção do Model 3, analistas da Bloomberg apontaram que a companhia perdia US$ 8 mil por minuto com a dificuldade para fabricar o modelo. Nessa mesma época, Musk apresentou ao mercado o Roadster, com a promessa de lançamento em 2020 com o título de carro mais rápido do mundo em aceleração, saindo do zero aos 96 km/h em apenas 1,9 segundo. Outra novidade foi a revelação do Semi, primeiro caminhão elétrico da marca com início da produção prevista para 2019.

As novidades, aparentemente sem propósito naquele momento, garantiram a entrada de US$ 850 milhões em receitas para a Tesla aplicar em sua operação. O montante veio da pré-reserva dos novos modelos, uma demonstração de que a companhia pode gerar incerteza entre analistas, mas ainda tem a confiança dos consumidores. Com isso, a montadora descartou ainda a necessidade de levantar mais capital no mercado – ao menos por enquanto.

Ao comentar os resultados, Musk disse que este ano será “transformador para a Tesla” e enfatizou a meta de alcançar a produção de 5 mil unidades do Model 3 por semana a partir de junho – objetivo que já foi postergado uma série de vezes. A expectativa é que, quando a empresa enfim atingir este volume, as preocupações financeiras montadora diminuam consideravelmente.

MODELO Y



Os planos da companhia para garantir que 2018 seja transformador incluem a apresentação de um novo modelo este ano, o crossover Model Y. A Tesla pretende começar a investir na fabricação do carro no fim de 2018. “Muitas lições aprendidas com o Model 3 vão nos ajudar a desenhar o produto para ser facilmente produzido”, declarou Musk sobre o modelo.

A empresa anunciou ainda a meta de entregar em 2018 100 mil unidades dos carros que já tem no portfólio: Model S e Model X. Se alcançado, o número será equivalente ao registrado no ano passado.

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