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Qual é o futuro do automobilismo diante do avanço dos carros autônomos?

Tecnologia | 01/08/2018 | 20h49

Qual é o futuro do automobilismo diante do avanço dos carros autônomos?

Di Grassi, piloto e CEO da Roborace, tem um palpite: o caminho está em apostar em corrida de veículos sem motoristas

GIOVANNA RIATO, AB

O implacável avanço dos carros automatizados pode provocar transformação até no automobilismo, esporte que ganha grande força no mundo desde os anos 1950. Foi esta perspectiva que fez o piloto Lucas Di Grassi, que já passou pela Formula 1 e pela Stock Car, apostar na Formula E, corrida de veículos elétricos criada em 2012 e da qual já foi campeão. Agora, com alguns anos de experiência na competição alternativa, ele dá um passo mais ambicioso como CEO da Roborace: quer criar um campeonato de carros autônomos já em 2019.

“O automobilismo sempre foi o espaço onde nasceram uma série de tecnologias importantes que chegaram o mercado depois. Nos próximos 15 anos o carro vai mudar mais do que nos últimos 100 anos, com busca por eficiência energética e automação, coisas que não passam nem perto do esporte hoje. Com isso, vai acontecer um distanciamento. “No longo prazo, o automobilismo vai perder a relevância para a indústria tradicional”, disse em apresentação no Simea, evento da AEA que começou na quarta-feira, 1º.



Para o piloto, o esporte está em uma encruzilhada, já que se baseia em tecnologias que no longo prazo serão ultrapassadas na indústria de veículos, com pouca eficiência e segurança. Para ele, prova deste afastamento dos interesses são os bons resultados que a Formula E tem, com a participação de grande parte das montadoras, que usam a categoria como laboratório. É justamente isso que ele quer reproduzir na Roborace. “Diferentemente do que acontece em outras categorias, antes de realizar a corrida estamos desenvolvendo um carro, já que estamos falando de uma tecnologia que ainda não existe”, conta. Em paralelo, a empresa busca formar as equipes para realizar a primeira temporada já no ano que vem.

O plano soa um tanto mirabolante mas, segundo Di Grassi, já teve uma demonstração importante de que pode ser concretizado: o automóvel-laboratório da Roborace completou a subida do circuito de Godwood, na Inglaterra, no começo de julho passado. O piloto garante que toda a condução foi feita pelo software, algoritmos e inteligência artificial instalados no veículo, sem qualquer interferência remota. “Apenas limitamos a velocidade a 150 km/h por questões de segurança”, diz Di Grassi.

QUEM VAI LEVANTAR O TROFÉU?




Ele reconhece que faltaria apelo emocional em uma competição sem seres humanos para subir no pódio para levantar o troféu. Por isso, a empresa formulou regras para reconhecer a melhor interação entre homem e máquina. “Teremos carros autônomos que contarão com espaço para o piloto, que vai conduzir o veículo nas primeiras 10 voltas.” A ideia é que, nessa primeira etapa, o automóvel aprenda a pista com a pilotagem do profissional.

No pit stop, o piloto desce e as cinco últimas voltas, com o carro em modo totalmente automatizado, vão mostrar qual equipe extraiu o melhor da combinação entre as habilidades orgânicas e digitais. O plano da Roborace é exigir que a competição aconteça com carrocerias comuns a todas as equipes, valorizando o melhor desenvolvimento de software e powertrain. “Assim todo mundo se concentra no que é realmente importante para a indústria e o custo fica mais baixo porque ninguém precisará investir em aerodinâmica, por exemplo.”

Veja a volta do carro autônomo da Roborace no circuito de Godwood:



Tags: Roborace, carro autônomo, automobilismo, Lucas Di Grassi, Simea.

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