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Infotainment e conectividade para impulsionar vendas

Tecnologia | 20/07/2018 | 18h56

Infotainment e conectividade para impulsionar vendas

Internet a bordo já é aspecto decisivo para o consumidor. Tendência que deve se intensificar

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As mais diversas pesquisas globais com consumidores apontam para uma verdade: o cliente brasileiro está entre os mais interessados do mundo em adotar novas tecnologias. É vanguardista – ou early adopter, como prefere chamar a indústria de tecnologia. Estudo da PwC divulgado no começo deste ano apontou que, no Brasil, 59% das pessoas gostariam de comprar dispositivos com inteligência artificial, um dos números mais elevados da pesquisa.

Outro levantamento, da KPMG, aponta que 75% dos executivos da indústria automotiva no Brasil acreditam que o carro conectado vai sustentar o modelo de negócio deste setor nos próximos anos. Uma série de fabricantes de veículos já entendeu que, no lugar de esperar por grandes revoluções automotivas, vale a pena investir para tornar os automóveis mais customizados ao cliente por meio de sistemas de infotainment, centrais multimídia e outros recursos capazes de garantir internet a bordo.

“Ao contrário do que o setor automotivo esperava há algum tempo, esta é uma revolução que começa independentemente de outros avanços previstos para o carro, como a condução autônoma. É algo que já está em curso”, avalia Ricardo Bacellar, líder do setor automotivo da KPMG no Brasil.



APOSTAS CERTEIRAS


Entre as empresas que decidiram apostar em carros conectados no Brasil está a General Motors, que no fim de 2015 lançou no Brasil o Chevrolet OnStar. A tecnologia reúne recursos de localização, diagnóstico remoto de problemas no veículo por meio de aplicativo no celular, sistemas de segurança, além de serviço de concierge. A solução vem de fábrica em alguns modelos da marca com seis meses de uso gratuito. A empresa calcula já ter 50 mil clientes que decidiram pagar assinatura mensal para continuar usando a tecnologia depois deste período.

A GM aponta que os novos recursos permitem coletar dados dos clientes e entender seus hábitos e rotinas de uso do sistema, algo que gera novas oportunidades de negócio. “A empresa fica bem mais próxima do consumidor”, resumiu Alexandre Guimarães, diretor de infotainment e telemática da companhia, há alguns meses, quando participou do Congresso SAE Brasil.

Outro exemplo de marca que investiu em conectividade e colheu bons resultados é a Nissan. Desde 2015 a companhia oferece pacote de equipamentos para o March, o Versa e, mais recentemente, o Kicks, que inclui a central multimídia Multi-App, que se propõe a ser um tablet dentro do carro, conectado à internet e com a possibilidade de acesso a uma série de aplicativos. O recurso se destaca principalmente entre os clientes mais jovens, que buscam no automóvel a mesma conectividade que encontram no smartphone.

No segmento premium, há a BMW, que investiu para lançar no mercado brasileiro o ConnectedDrive, plataforma on-line que traz recursos de segurança e acesso remoto do proprietário ao carro. É possível, por exemplo, destravar as portas ou piscar os faróis por comandos no celular. A solução vem de série nos carros da marca, mas o plano da empresa é passar a cobrar por alguns serviços ou assinatura. “No Brasil temos a maior taxa mundial de uso do ConnectedDrive. O consumidor brasileiro é muito conectado. Percebemos que aqui as pessoas incorporaram a plataforma ao dia a dia, tanto que, se temos qualquer problema, rapidamente recebemos uma série de reclamações”, conta Henrique Miranda, gerente de mobilidade da BMW no Brasil.

Para ele, são os recursos de multimídia e conectividade que garantem que o automóvel tenha mais apelo com os consumidores, acostumados com o dinamismo e atualização dos smartphones. “A conectividade muda o jogo”, diz. Se design, motor e toda a parte mecânica só podem ser atualizados quando o cliente troca de carro, ele defende que o caminho é garantir que a interface digital se renove com mais frequência, tornando os automóveis mais perenes. “Precisamos inserir novas funcionalidades de tempo em tempo.”


Azevedo, da LogiGo, destaca que recursos de conectividade podem gerar dados valiosos para as montadoras sobre os consumidores

NOVAS POSSIBILIDADES




Focada no fornecimento de centrais multimídia e no desenvolvimento de soluções de software para a indústria automotiva, a LogiGO é uma empresa brasileira que cresce em paralelo com o aumento da demanda das empresas por soluções de infotainment e conectividade nos carros. Antonio Azevedo, CEO da companhia, lembra que estes recursos geram dados valiosos dos consumidores para as montadoras, que podem acompanhar mais de perto a evolução do interesse dos clientes. “Com nossos produtos as empresas podem coletar dados e analisar as necessidades dos consumidores para fazer entregas melhores e mais customizadas”, diz.

Em um futuro próximo, reforça, as companhias automotivas poderão gerar receitas relevantes a partir de suas plataformas digitais. A General Motors lançou em dezembro de 2017, nos Estados Unidos, um mercado virtual do OnStar, onde o cliente pode pedir comida, pagar estacionamento ou pelo abastecimento do seu carro, entre outras soluções. Bacellar, da KPMG, lembra que há uma nova onda tecnológica em curso, que deve impactar fortemente o avanço das centrais multimídia dos veículos, que deverão incorporar, por exemplo, assistentes de voz com inteligência artificial, seguindo o exemplo da Alexa, da Amazon.

Azevedo, da LogiGO, concorda e aponta que a empresa trabalha em avanços relevantes para seus produtos, como a incorporação de tecnologia de reconhecimento facial nas centrais multimídia, que podem detectar e emitir um alerta caso o motorista esteja com sono, por exemplo. Além disso, a empresa prepara o lançamento de sistema de conexão que coloca a montadora em contato direto com o cliente por meio da central multimídia.

Bacellar, da KPMG, diz que, a exemplo do que faz a LogiGO, as empresas brasileiras precisam deixar de lado o complexo de vira-lata e desenvolver localmente soluções adequadas ao consumidor. “Isso precisa ser tratado aqui. O Brasil é um dos mercados com clientes mais conectados e temos demandas específicas”. O especialista alerta que as montadoras que não investirem para oferecer carros mais conectados pagarão um preço alto: “Muito em breve os automóveis sem internet terão grande dificuldade de alcançar boa performance no mercado”, avalia Bacellar.



Tags: conectividade, infoentretenimento, tecnologia, LogiGo.

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