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Waymo e Uber disputam por carro autônomo

Tecnologia | 07/02/2018 | 0h0

Waymo e Uber disputam por carro autônomo

Suposto roubo de segredo industrial motivou a briga entre empresas

REDAÇÃO AB

O julgamento mais importante da história recente para a indústria de mobilidade está em curso nos Estados Unidos. Apesar de ter como foco o carro autônomo, a disputa passa longe de ser entre montadoras de veículos e envolve a Waymo, que pertence à Alphabet (holding detentora do controle do Google), e a plataforma de transporte Uber. A gigante tecnologia, que supera a marca de 4 milhões de milhas percorridas em testes de modelos sem motoristas, acusa a empresa de mobilidade de roubar segredos industriais relacionados ao desenvolvimento de veículos autoguiados.

A ACUSAÇÃO



Segundo a Waymo, a Uber trabalhou em coordenação com Anthony Levandowski, ex-funcionário do Google que, ao sair da gigante de tecnologia, fundou a startup Otto focada em carros autônomos. Pouco depois, a jovem empresa foi comprada pela plataforma de mobilidade, que teria levado na negociação a tecnologia desenvolvida pela Waymo e ainda atraído profissionais do Google para integrar o novo time.

A acusação é de que Levandowski agiu de forma conspiratória em parceria com a Uber, entregando de bandeja 14 mil arquivos sensíveis, que incluíam detalhes de software e programação para sistemas autônomos de condução. A missão do Google no tribunal é provar que, além de colocar as mãos neste conteúdo, a Uber fez uso dele em seus desenvolvimentos.

Uma série de trocas de e-mails e conversas gravadas apresentadas pela Waymo indicam que até o CEO da empresa na época, Travis Kalanick, estava empenhado na tramoia. O executivo é conhecido por ter injetado na Uber uma cultura interna um tanto quanto agressiva e por adotar medidas de ética questionável para conduzir os negócios – foi isso, inclusive, que o tirou da liderança da companhia.

Ele seria um adepto da filosofia de que “o segundo colocado é o primeiro perdedor”. O Google pretende usar esta argumentação para provar de que Kalanick e a Uber estariam dispostas a tudo, incluindo trapacear, para liderar a oferta do transporte autônomo.

Travis Kalanick, ex-CEO da Uber, é conhecido por adotar práticas profissionais pouco éticas, algo que pode pesar no julgamento



A DEFESA



Em sua defesa, a Uber afirma que, com o processo, a Waymo quer apenas atrasar uma evolução natural da condução autônoma. Segundo a empresa, a tecnologia desenvolvida pelo Google é parte essencial do desenvolvimento dos carros autoguiados e, portanto, qualquer empresa chegaria aos mesmos resultados.

Em depoimento, Kalanick declarou que o plano inicial da Uber era tornar-se parceira da Waymo para trabalhar em modelos autônomos, mas a estratégia foi repensada depois de boatos do interesse do Google em entrar no mercado de transporte individual compartilhado.

Segundo o ex-CEO, a Alphabet também nunca topou uma reunião para falar sobre uma possível parceria e teria ficado irritada com o fato de que a Uber decidiu avançar sozinha no desenvolvimento da tecnologia. Em resumo, a tese do executivo é de que o caso todo gira em torno de um golpe do Google para atrasar a concorrente.

POR QUE O CASO É IMPORTANTE PARA O AVANÇO DO CARRO AUTÔNOMO?



É importante que a Uber capriche no discurso e no embasamento de sua teoria já que, se perder, deve ser condenada a pagar uma fortuna capaz de ameaçar o futuro dos negócios. O Google pede US$ 2 bilhões pelos danos, talvez o suficiente para garantir que a Uber passe longe de desenvolver qualquer solução autônoma tão rápido. A decisão também deverá servir de precedente para toda a indústria automotiva e de tecnologia, traçando limites claros entre o que é segredo industrial e o que é rota tecnológica essencial para chegar aos automóveis que rodam sem motorista.

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