ANÁLISE

Valter Pieracciani | BIOGRAFIA

INOVAÇÃO

Alberto Santos Dumont, o Leonardo da Vinci brasileiro


Precisamos de bons exemplos que marcaram a história pela capacidade de ousar e criar


Um grupo de brasileiros e brasileiras mudou o mundo e marcou a história com sua capacidade de ousar e criar. Santos Dumont, Ayrton Senna, Oscar Niemeyer, Pelé, Ruy Barbosa e Chiquinha Gonzaga são alguns deles. Se pessoas como essas tivessem nascido em qualquer país avançado, seriam reverenciadas como deuses da inovação. No Brasil, não é bem assim.

Como consequência desse menosprezo, é muito mais fraca a influência que a história de vida desses heróis exerce sobre nossa juventude. Afinal, quando se trata de ensinar a inovar, não há nada mais eficaz do que o exemplo. Demonstrações reais de que é possível fazer, chegar lá ventilam a chama da coragem nos jovens para que eles transformem ideias em negócios e empreendam. Histórias como a de Santos Dumont têm potencial para injetar nesses meninos e meninas a força para arriscar, errar, cair e levantar de novo, perseverar. Atitudes imprescindíveis à realização da inovação.

Dentre todos os inovadores brasileiros, talvez o mais conhecido seja Ayrton Senna, graças à televisão e às verbas bilionárias da Fórmula 1. É bem provável que uma criança brasileira média, aquela que avança aos tropeços nas escolas públicas, saiba quem foi o campeão Senna. Em uma outra posição desse espectro está Alberto Santos Dumont. Será que as crianças que conhecem Senna seriam capazes de falar alguma coisa sobre o pai da aviação?

Elas provavelmente não sabem que há 110 anos um brasileiro fez uma façanha que poderia ser comparada, nos dias de hoje, a teletransportar matéria. Em 1906, Santos Dumont, a bordo de seu 14 Bis, voou por 60 metros no Campo de Bagatelle, em Paris, local comparável ao que é hoje o Vale do Silício, diante dos olhares estarrecidos dos maiores cientistas e inovadores da época.

Dumont não era apenas um aviador. Nosso herói era empreendedor, inovador, mecânico e cientista. Não fosse assim, não haveria a escada Santos Dumont, os hangares com portas de correr, os balões de pequeno porte e esse relógio que você e tantas pessoas ainda hoje usam no pulso esquerdo.

Um brasileiro exemplar, capaz de inspirar inovadores do mundo todo. A ser homenageado repetidas vezes e em todo lugar. Por mais que doam os cotovelos dos amigos americanos, que chegaram ao cúmulo de criticar a homenagem feita ao grande mestre nas Olimpíadas como se quisessem apagar a memória de um homem brilhante, que em seu tempo conquistou os mais prestigiosos prêmios de inovação.

O acervo e as recordações de um dos maiores inovadores do mundo são parte dessa história e têm que ser resgatados. É preciso enaltecer suas características e seus empreendimentos. Atualmente, alguns objetos pessoais e cartas ainda podem ser vistos no Museu Casa de Santos Dumont, em Petrópolis (RJ), mas a maior parte de suas criações está espalhada por vários locais. Essa perigosa dispersão teve origem no fechamento do museu na Oca, no Parque do Ibirapuera, e, mais tarde, do Museu da TAM, em São Carlos (SP). Réplicas das grandes inovações que ele realizou deveriam ser construídas e exibidas com o orgulho da inovação made in Brazil.

O difícil trabalho de cuidar desse acervo está a cargo da Fundação Santos Dumont, que, afinal e felizmente, conta agora com uma nova gestão do mais alto nível de competência e responsabilidade sob a batuta do Major Brigadeiro do Ar Paulo Roberto Pertusi. Brasileiros que somos, amantes da inovação e interessados em mobilidade podemos dormir mais tranquilos.

Tentemos imaginar o que um gênio como Santos Dumont nos proporia como inovação hoje em dia sobre o automóvel, se estivesse entre nós. Ao mesmo tempo nos perguntemos: quantos pequenos potenciais inovadores como ele existem entre os milhões de crianças brasileiras? Prontos a se tornarem líderes inovadores?

Nosso Leonardo da Vinci merece um Museu da Ciência, Tecnologia e Inovação Alberto Santos Dumont, assim como o Museo Nazionale della Scienza e della Tecnologia Leonardo da Vinci. Um lugar que sirva para cultuar a inovação e alastrar o mais máximo essa cultura. Onde possamos demonstrar às crianças de 5 a 100 anos a capacidade brasileira de mudar o mundo. Um lugar onde possamos todos buscar inspiração para inovar e sonhar, sonhar muito...

Como canta Mia, a personagem vivida por Emma Stone no filme La La Land, um brinde àqueles que sonham, ainda que possam parecer loucos.

QUEM É QUEM NO SETOR AUTOMOTIVO

Encontre empresas e profissionais do setor.
Confira seus perfis e biografias.

Encontre empresas e profissionais do setor.

Encontre empresas e profissionais de comunicação.

Confira seus perfis e biografias.