ANÁLISE

RH E VIDA CORPORATIVA

Como encontrar a fonte da juventude


Trocar experiências é o melhor caminho


Recentemente participei de um treinamento de duas semanas e somente eu e outro participante tínhamos mais de 50 anos. Todos os demais estavam entre 25 e 30 anos. Foi uma excelente oportunidade de vivenciar a diferença de gerações. Logo no início do curso o instrutor pediu que nos apresentássemos e percebi que era o mais sênior da turma. O assunto era técnico e com frequência misturávamos os grupos de trabalho. No terceiro dia, criei uma lista com os nomes, e-mails e telefones de todos para facilitar a troca de informação que será necessária para a elaboração dos projetos futuros. Em um dia a lista deu origem a um grupo de WhastApp, que permite troca em conjunto de mensagens e facilita a comunicação entre todos.

Todos trabalhavam ou estavam buscando uma oportunidade e o curso era uma especialização visando melhor tratativa das questões corporativas e projetos. Como se tratava de um curso aberto, muitos haviam investido do próprio bolso pela formação.

A comunicação corria solta, o clima era descontraído e o instrutor tinha um estilo informal que propiciava a integração de todos. Percebi, através do linkedin, que muitos haviam acessado meu perfil, para saber mais sobre mim. Alguns vieram falar comigo sobre minhas experiências profissionais e claro, por ser um profissional de recursos humanos, queriam saber sobre o mercado e as oportunidades.

Durante os exercícios era fascinante observar o estilo de cada um, como agiam com desenvoltura com os softwares que agora são usados desde a escola. Mas o melhor mesmo era a interação entre todos. Não havia ali uma hierarquia, o objetivo era atingido por colaboração. O instrutor, que como eu era oriundo da indústria automobilística, ilustrava com exemplos da vida real as aplicações dos modelos que estávamos vendo na aula. Todos participavam ativamente e contribuíam de acordo com suas vivencias pessoais.

Ali estava uma amostra fidedigna dos jovens que ocuparão as posições importantes do mercado. Todos interessados em progredir, em apreender, antenados sobre política, economia e futebol e preocupados com o futuro do País. Boa parte deles fez intercâmbio ou viajou para o exterior. Eles estavam comprometidos com seu futuro, com planos ambiciosos.

Acho que vivemos nessas duas semanas uma experiência que poderia ser repetida com mais frequência nas organizações. Times orientados por objetivos, sem que o ranking de cada um importasse, mas sim a contribuição para a causa. Jovens e seniores não deveriam rotular-se, apenas trocar impressões sobre como agir. A experiência de uns aliada a criatividade e energia de outros tornava a convivência algo prazeroso, motivador. No fim do curso, no happy hour, tirei mais selfies do que julguei ser possível, mas confesso, sem nenhuma implicação direta na qualidade da reunião. Tudo muito leve, muito divertido, muito zen. A fórmula da juventude é aliar-se a ela. Não de maneira saudosista e sim proativa e divertida.

Comentários: 1
 

Marco Antônio França Quintanilha
30/07/2014 | 12h39
Excelente artigo onde mostra a percepção de um profissional de RH que aborda com muita clareza o que poderia ser de fato observado e aplicado dentro das corporações, para um crescente e profícuo desenvolvimento dos novos profissionais em simbiose de gerações, resultando em corporações mais fortes e dinâmicas.

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