ANÁLISE

QUALIDADE

Ações para um novo patamar na indústria automotiva


Brasil precisa avançar um degrau em tecnologia e inovação


A inauguração do Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS), no início de junho, acontece em boa hora para o setor automotivo. Quem acompanha esta coluna sabe que somos grandes defensores dessa iniciativa, uma vez que acreditamos na necessidade de o Brasil contar com laboratórios independentes, de fácil acesso às empresas interessadas em desenvolver inovação e novas tecnologias.

A novidade agora é a abertura do edital de chamamento público de seleção de projetos para empresas de base tecnológica, instituições de ensino superior, e instituições científicas e tecnológicas interessadas em instalar laboratórios e centros de pesquisa no PTS. Vale lembrar que o parque tem como vocação o setor automotivo. Assim, esta é uma oportunidade única e deve ser apoiada por todas as empresas do segmento.

O prazo é 6 de julho para primeira fase. Até esta data, empresas comerciais que tenham a inovação como estratégia, universidades e faculdades, e instituições científicas poderão apresentar propostas para participar deste novo empreendimento.

Nós, do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, temos grandes expectativas para o PTS. As oportunidades de elevar nossa indústria automotiva a um novo patamar são imensas com o aumento do desenvolvimento de tecnologia. Esta é a ordem natural da evolução. Começamos há 60 anos importando veículos e autopeças, até que iniciamos a montagem de automóveis, a partir de projetos concebidos nos países de origem das empresas.

Desenvolvemos fornecedores locais. Ao mesmo tempo passamos a adaptar as tecnologias para a nossa realidade e, aos poucos, iniciamos o desenvolvimento de produtos para o Brasil e também para exportação. Contudo, precisamos investir mais em inovação tecnológica, pois é aí que está a diferença entre uma grande nação produtora e uma nação grande que produz veículos.

Mas, para atingir este patamar, precisamos nos equipar tal como fez o Japão e, mais recentemente, a Coréia do Sul, que contam com laboratórios onde podem realizar testes de homologação e certificação e com isso garantir o desenvolvimento tecnológico. O segredo deles foi envolver governo, academia e indústria em um projeto comum, em que o maior beneficiado era a sociedade civil. O resultado é que hoje eles exportam veículos com elevado conteúdo tecnológico para os quatro cantos do mundo.

Somos grandes em pesquisa e desenvolvimento no campo acadêmico. Nossas universidades possuem um alto número de cientistas e estudiosos nas mais diversas áreas, inclusive no setor automotivo. Apesar disso, apenas uma pequena parcela das pesquisas vira produto e realmente chega ao mercado. É preciso, assim, incentivar o intercâmbio entre indústria e academia.

É preciso ainda estimular a formação de novos engenheiros e trabalhar ainda para que eles atuem no setor. Vou um pouco além: é preciso que mais pessoas tenham acesso à educação de base, pois este é o ponto inicial de uma nação que pensa em se destacar como fornecedora de soluções para o resto do mundo.

Temos talento para isso. Temos uma indústria aeronáutica de tirar o chapéu. Uma empresa no setor de energia que é referência internacional no desenvolvimento de combustíveis. Nosso setor automotivo precisa subir mais este degrau, para não ser superado por um novo gigante que se ergue em ritmo apressado.

Comentários: 2
 

William Roselli
27/06/2012 | 12h38
Parabéns ao Mario Guitti por mais este ótimo artigo na excelente Automotive Business, bem apropriado ao momento que a industria atravessa e que outros " PTS " apareçam, na região de São CArlos com Uspe e UFscar, Campinas, Minas Gerais, etc... abraços William

vanderlei nicola
03/07/2012 | 18h24
Muito oportuna sua analise Mario guitti ,assim como vc tambem batalhei diretamente e em conjunto c/ outros empresarios p/ a formação de um POLO TECNOLOGICO p/ região do grande ABCDR ,missão esta era dar apoio as micros e pequenas empresas destas regiões . Formamos grupos de APL ( arranjos produtivos localizados ) em 2002 ,tinhamos o apoio da AGENCIA de Desenvolvimento , Sebrae , consultorias ,etc .Após varios levantamentos feitos e treinamentos , sentiu -se que , a falta de um Polo Tecnologico era um grave problema ( nadar e morrer na praia ), tentamos varias maneiras de constituir este Polo , até os empresarios se propuseram a ratear parte dele , o municipio de Santo ANDRE tinha e tem até hoje o local p/ a construção .Moral da historia , Temos um grave problema neste nosso ( que mais parece de alguns) Brasil , os nossos arranjos foram desarranjados pelos politicos , passados 10 anos estão novamente falando em fazer o polo ., estamos em ano de eleição . Grande abraço

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