ANÁLISE

QUALIDADE

Laboratório de ponta: mais qualidade em autopeças


Parque Tecnológico de Sorocaba é mais uma ferramenta de inovação na indústria automotiva


No início de junho a cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, se tornará a capital nacional da inovação em parques tecnológicos. Há tempos defendemos a ideia de que devemos investir mais neste tipo de empreendimento, principalmente nossa indústria automotiva, que precisa manter-se competitiva para não perder espaço para os produtos importados.

A inauguração do Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS) com vocação automotiva é um importante marco para a sociedade brasileira. O IQA – Instituto da Qualidade Automotiva estará lá, presente com estande institucional no evento de três dias que baliza esta nova etapa.

O PTS tem condições de abrigar uma iniciativa ainda inédita para nós: um laboratório independente onde podem ser realizados testes de homologação e certificação, além de pesquisa e desenvolvimento de peças e produtos envolvendo também o setor acadêmico. Esta é outra ideia que defendemos há tempos, pois somente com estrutura adequada (governo, indústria e academia) é que podemos desenvolver tecnologias de ponta.

Os grandes fabricantes de veículos já mostraram isso para nós. Alguns deles investiram no potencial da engenharia brasileira e colhem frutos em nível mundial. Países como Japão e, mais recentemente, a Coréia do Sul também ensinaram lição semelhante ao desenvolver a nação pelo investimento em educação e tecnologia. Hoje projetam, desenvolvem, manufaturam e exportam veículos para o mundo inteiro.

Vivemos um momento pelo qual temos batalhado há muito tempo. Tudo começou há mais de 15 anos, quando da fundação do IQA. Naquela época, já se antevia que era preciso trabalhar o mercado de autopeças de forma diferente, com a certificação compulsória para os componentes diretamente ligados a segurança veicular. Começamos bem, com os pneus, mas depois paramos. Agora, finalmente, retornamos.

Várias portarias do Inmetro deram início a um processo automático de preparação dos regulamentos de avaliação da conformidade (RAC) de componentes automotivos. Um dos exemplos recentes é a portaria nº 301 de 21 de julho de 2011 que instituiu a certificação compulsória de oito novos componentes automotivos: amortecedores, bombas de combustível para motores do ciclo Otto, buzinas ou equipamentos similares, pistões de liga leve de alumínio, pinos e anéis de trava (retenção), anéis de pistão, bronzinas e lâmpadas para veículos automotivos. Em outras palavras, assim que as normas ABNT para componentes automotivos ficam prontas, esses componentes cobertos pelas normas, já se qualificam para que o Inmetro analise, desenvolva e divulgue o RAC por meio de portaria específica.

O Comitê Brasileiro Automotivo de Normas Técnicas (CB-05) da ABNT trabalha a todo vapor para esse objetivo. A indústria brasileira entendeu que precisa normatizar os produtos não apenas para garantir qualidade (isso muitas já fazem com investimentos em processos, equipamentos e mão de obra qualificada), mas para garantir a sua participação no mercado em igualdade de condições.

Assim, a demanda por avaliações de conformidade de produtos tende a crescer e gerar oportunidade para investir em tecnologia e em novos produtos, com ciclo de vida devidamente estudados, que não agridam a natureza e devolvam a ela os recursos utilizados na sua fabricação após o descarte.

Este é, inclusive, outro assunto que vai tomar cada vez mais corpo no mercado, pois a sociedade (com participação especial das autoridades e do consumidor) está mais exigente com a destinação correta dos objetos. A coleta de pneus usados, assim como a restrição das sacolas plásticas nos supermercados, já é um indicador disso.

A sociedade está mais cuidadosa com o futuro do planeta. É preciso lembrar que a nossa frota precisa ser renovada de forma inteligente, com reciclagem dos veículos e não puramente o descarte sem compromisso. E, mais uma vez, faz total sentido o País ter um novo Parque Tecnológico com centros de desenvolvimentos e laboratórios independentes, onde qualquer player da indústria possa desenvolver tecnologia.

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