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Opinião | Mario Guitti |

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Mario Guitti

19/04/2012

A qualidade e o novo regime automotivo

Incentivar o investimento em pesquisa e inovação é a ação mais importante do pacote anunciado pelo governo

O novo regime automotivo, divulgado recentemente pelo Governo Federal, vai proporcionar aumento da quantidade de autopeças nacionais nos modelos comercializados no Brasil. Este é o tipo de boa notícia que precisamos ouvir com mais frequência. Há, porém, uma informação em meio a todo este processo que considero mais interessante: o incentivo ao investimento em pesquisa e inovação.

Simplesmente fabricar autopeças a partir de um projeto que já vem pronto pode se tornar uma ação puramente comercial e econômica, mas pouco sustentável. Incentivar o desenvolvimento de tecnologia e inovação, no entanto, demonstra avanço. Ainda somos um país que exporta muita commodity e importa produto manufaturado. Se queremos manter a quarta posição no ranking dos maiores mercados mundiais de automóveis precisamos reverter este quadro.

O aumento de compra de manufaturados no setor automotivo está ligado, principalmente, a oportunidades econômicas causadas pelo câmbio e a grande oferta de produtos por preços atraentes. O movimento também é implicação do “custo Brasil” e da falta de competitividade oriunda da desatualização tecnológica da nossa indústria. Neste ritmo, fica clara a ideia de desindustrialização do nosso parque fabril. Incentivar a compra de mais componentes nacionais é uma medida válida e que resolve uma parte do problema.

O estímulo ao desenvolvimento de pesquisa e inovação ajuda a combater a dificuldade pela raiz, ao permitir aumentar a competitividade da nossa indústria. É neste ponto que nós, do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, também trabalhamos quando abordamos a necessidade de produtos, sistemas e serviços certificados.

Nos mais de 15 anos de fundação do IQA, nos dedicamos em tempo integral ao aprimoramento da indústria automotiva brasileira, para que se torne competitiva, com qualidade acima de qualquer suspeita, em um mercado saudável e sustentável. Trabalhamos muito as parceiras internacionais e hoje, por exemplo, somos os representantes oficiais no Brasil e Argentina da VDA/QMC, para ministrar cursos e distribuir os manuais técnicos, que acabaram de ser atualizados. Assim, em breve estarão disponíveis. A VDA 6.3, importante referência para cadeia produtiva de montadoras alemãs, já pode ser adquirida desde outubro de 2011 em português, além das novas edições dos manuais VDA 1, VDA 6.1 e VDA 6.5.

Para investir em pesquisa e inovação a indústria precisa começar pelo básico, que é ter processos e sistemas com qualidade assegurada. Dificilmente há inovação em locais onde os produtos saem defeituosos, sem engenharia, pois o princípio da inovação é a observação, a criatividade, o estudo. Temos como exemplo a Coréia do Sul. Em menos de 15 anos o país se tornou um grande exportador de automóveis, inclusive para o Brasil.

O segredo deles foi incentivar o estudo, a formação de técnicos e engenheiros assim como o desenvolvimento tecnológico, para conseguir distribuir seus produtos para o resto do mundo. A nosso favor, contamos com um enorme mercado interno que está disposto a pagar o preço justo da tecnologia.

Está na hora de tirar do papel os projetos e planos de desenvolvimento da indústria automotiva brasileira, como a criação de laboratórios comuns para todo setor. É necessário um esforço entre academia, setor produtivo e governo.

Estamos otimistas com esta nova realidade, apesar do incômodo da alteração das regras em pleno jogo. Esperamos sempre o melhor, que é trazer ao país e aos brasileiros mais qualidade e tecnologia quando o assunto é automóvel. Somos importantes para o mundo e, para permanecer, assim temos de desenvolver nossas competências ao ponto de não precisar quase sempre do resto do mundo para nos mantermos no topo.

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