Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Opinião | Mario Guitti |

Ver todas as opiniões
Mario Guitti

Competitividade e qualidade: uma questão de educação

Aumentar impostos não é a única forma de ampliar a competitividade

Todos têm falado do aumento da alíquota do IPI para veículos importados de países que não fazem parte do Mercosul ou que não têm acordo bilateral de comércio com o Brasil, como China, Coréia, Alemanha, entre outros. A medida foi acertada? Não sabemos ainda. Ao mesmo tempo, fala-se muito em competitividade e proteção à indústria nacional, dois assuntos que precisam e devem ser analisados com maior profundidade.

Competitividade tem de existir, mas só há competitividade se todos os players atuarem no mesmo mercado. Aumentar impostos impacta no consumidor; com certeza ele será o maior prejudicado em toda esta história, pois diminuirão as opções de compras compatíveis com o bolso dele. Existem, porém, outras formas de aumentar a competitividade, e esta é uma lição que governo e empresários devem fazer todos os dias, no trabalho e em casa.

O governo precisa reduzir o chamado ‘Custo Brasil’, com melhora da infraestrutura e reforma tributária. Isso é fato mais do que discutido nas reuniões empresariais. Ele tem feito isso, ainda que a passos não tão rápidos quanto gostaríamos, mas já começou. Porém, o buraco é mais embaixo.

Há a necessidade de aprimorar os investimentos em educação. Exemplos não faltam. A Coreia colhe hoje os frutos dos trabalhos nas décadas dos anos 70 e 80, quando decidiu priorizar a educação. Este é um ponto que precisa ser aperfeiçoado, do nível básico ao superior, e não somente com abertura de vagas, mas na formação das pessoas.

Muitas vagas não significam necessariamente aumento do número de profissionais capacitados. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, existem mais faculdades de direito no Brasil (1.240) do que no resto do mundo (1.100). Se não houvesse o exame da Ordem dos Advogados, o número de profissionais atuantes, que é de 800 mil, passaria dos 3 milhões. E por favor, nada temos contra esses profissionais.

No caso dos cursos de engenharia, os institutos de ensino no Brasil abrem anualmente 180 mil vagas. Depois do vestibular, 150 mil são preenchidas e destes, 60% desistem nos primeiros anos. É preciso aumentar o percentual de alunos que terminam o curso. O valor investido por aluno na USP é da ordem de R$ 30 mil por ano. Nos Estados Unidos este investimento salta para R$ 450 mil ou até mais.

Na Europa e Estados Unidos é comum a associação entre academia e empresas para fomentar a inovação e o desenvolvimento tecnológico. As empresas levam os temas e os problemas para esses centros que buscam soluções e são remunerados tanto pela empresa quanto pelo governo. Esta é uma forma interessante de as empresas, universidade (estudantes, pós-graduados, mestres e doutores) e governo de participarem deste processo. Isso já existe no Brasil, porém precisa ser largamente ampliado.

Esta é uma fórmula para melhorar o nível tecnológico no Brasil. Não vale apenas para o Superior, é algo que pode ser aplicado em todos os níveis. Temos hoje cerca de 8 milhões de desempregados e, ao mesmo tempo, 8 milhões de vagas disponíveis, mas os números não fecham, pois quem está desempregado não atende às exigências dos cargos.

Assim como fez a Coreia, podemos nos tornar competitivos o bastante, independentemente de alíquotas ou outros recursos artificiais, mas precisamos investir na base, que é a educação da nossa sociedade.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.
AB Inteligência