Automotive Business
  
Siga-nos em:
AB Inteligência

Opinião | OUTROS |

Ver todas as opiniões
OUTROS

25/06/2010

Teoria X, teoria Y e a verdade nua e crua - por Paulo Ricardo Mubarack*

A Teoria X e a Teoria Y são dois conceitos desenvolvidos por Douglas McGregor e representam conjuntos de suposições antagônicas feitas sobre os trabalhadores e servem de base para muitas outras teorias de como liderar pessoas dentro de uma organização.

Antes de listarmos sucintamente os principais atributos de cada teoria, analisemos dois casos reais:

A Teoria X e a Teoria Y são dois conceitos desenvolvidos por Douglas McGregor e representam conjuntos de suposições antagônicas feitas sobre os trabalhadores e servem de base para muitas outras teorias de como liderar pessoas dentro de uma organização.

Antes de listarmos sucintamente os principais atributos de cada teoria, analisemos dois casos reais:

CASO 1:
Inicia-se a implantação de sistema de gestão (o que inclui padrões de processos e auditoria rigorosa) em uma empresa do varejo. Imediatamente o gestor de uma área identifica fraudes praticadas por sua equipe. Em auditoria posterior, descobre-se que a fraude já acontecia há pelo menos dois anos. Duas alternativas explicam a atitude do gestor: participava da fraude (pouco provável) ou estava na zona de conforto, fazendo “vistas grossas” e evitando aborrecimentos (quando viu o sistema chegando, apressou-se em fazer o que já deveria ter feito há muito tempo).

CASO 2:
Dois diretores de uma empresa declaram-se impressionados positivamente com as seguintes afirmações que ouviram em uma palestra:
a) Gerenciamento por metas é um fracasso estrondoso!
b) O lucro é apenas um resultado colateral do negócio. Uma empresa que confunde lucro com a missão do negócio perderá a alma inevitavelmente.
c) Prever resultados futuros para os acionistas e analistas significa fazer-lhes forçosamente "promessas vazias”.
d) Em empresas, que são sistemas complexos, algo como "desempenho individual" não existe!
e) Segundo W. Deming, 95% de todos os problemas nas organizações têm sua causa no sistema e só 5% nas pessoas.

Estes casos foram citados por serem representativos. Jamais usarei exceções como exemplos. Note-se no primeiro caso o velho estilo brasileiro do acobertamento, do “estão roubando pouco”, do “ganham muito pouco e alguns deslizes podem ser tolerados” etc. O estilo da covardia e da tolerância com os bandidos. No segundo caso, percebe-se o estilo “Alice no país das maravilhas”! Ingenuidade e fuga da realidade. Evita-se a todo o custo o confronto com a verdade nua e crua que somente os números e as metas trazem. Também ao estilo brasileiro identifica-se a rejeição ao mercado e a rejeição à responsabilidade sobre resultados.

O que nos dizem, então, as duas teorias?

A TEORIA X

A teoria X representa forte controle sobre os recursos humanos dentro da organização, como demonstram os itens a seguir:
1. O ser humano, em geral, não gosta intrinsecamente de trabalhar e trabalha o mínimo possível.
2. Por essa razão, a maior parte das pessoas precisa ser coagida, vigiada, orientada e ameaçada com castigos a fim de fazer o devido esforço para alcançar os objetivos da organização.
3. O ser humano médio prefere ser dirigido, desejando evitar responsabilidades; é pouco ambicioso, procurando segurança acima de tudo.
4. Empregados evitarão responsabilidades e procurarão receber ordens formais, sempre que possível.
5. A maioria dos trabalhadores põe a segurança acima de todos os fatores associados ao trabalho, exibindo pouca ambição.

A TEORIA Y

A teoria Y deixa evidente que, através do ambiente organizacional adequado, o desenvolvimento dos recursos humanos é muito mais otimizado e pode ser melhor aproveitado. As características da teoria são:
1. O esforço físico e mental no trabalho é tão natural como o lazer ou o descanso.
2. Controle externo e ameaça de castigo não são os únicos meios de suscitar esforços no sentido dos objetivos organizacionais. Movido pela auto-orientação e pelo autocontrole, o indivíduo se colocará a serviço dos objetivos da organização. Em condições apropriadas, o ser humano, em média, aprende não só a aceitar, mas a procurar responsabilidades.
3. A capacidade de exercitar, em grau relativamente elevado, a imaginação, o talento e o espírito criativo na solução de problemas organizacionais, está distribuída, e não é escassa entre as pessoas.
4. Nas condições da vida industrial moderna, as potencialidades intelectuais do ser humano são, em média, utilizadas apenas parcialmente.

Apaixonou-se pela teoria Y? Eu também acho-a muito bacana. Infelizmente, porém, existe a REALIDADE NUA E CRUA que nos ensina alguns pontos:

1º ) As duas teorias são estereótipos e jamais podem ser adotadas integralmente.

2º ) Nossa racionalidade nos impele a acreditar e a desejar fortemente a Teoria Y, mas a prática nos obriga a reconhecer a predominância da Teoria X no comportamento geral dos trabalhadores.

Muitas vezes, somos politicamente corretos e hipócritas. Nosso discurso é medroso e passa longe do que realmente pensamos e é manifestado nas conversas de bastidores. Por que este assunto é importante para ser discutido no ambiente dos negócios? Porque deve direcionar a política de RH e desenvolver lideranças que entendam esta política. Prepare seu sistema adotando a Teoria X e selecione e desenvolva pessoas que estejam com o ponteiro apontado para o lado Y. Parece ser a solução mais real. O resto é poesia, covardia e ingenuidade.


*Paulo Ricardo Mubarack é consultor e presidente da Mubarack Consulting & Business School. mubarack@terra.com.br - www.mubarack.com.br - mubarackconsulting.blogspot.com

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

| 16/07/2010

O método

Na década de 1950 Joseph Wolpe, psiquiatra sul-africano, desenvolveu um método bem sucedido para tratamento de fobias ao combinar técnicas de relaxamento com situações imaginárias de medo experimentadas pelos pacientes. Por exemplo: se o paciente tinha medo de avião, Wolpe iniciava um trabalho de relaxamento profundo. Relaxado, o paciente era convidado a imaginar-se num aeroporto, olhando aviões.

Suportando a idéia, o paciente ia para a fase seguinte, imaginando-se andando em direção ao avião. Depois vendo uma escada em sua frente. Em seguida, imaginava-se subindo a escada. Depois olhando dentro do avião. Em seguida entrando e assim sucessivamente, até chegar à situação imaginária de pânico em que o avião enfrentava turbulências. Segundo o doutor Wolpe, o relaxamento e a tensão se anulavam, acabando com a fobia. O método recebeu o nome de "inibição recíproca" e também "dessensibilização sistemática."

| 06/07/2010

Logística Lean para ‘driblar' restrições da infraestrutura - Por José Roberto Ferro*

O crescimento econômico acelerado dos últimos meses vem expondo cada vez mais as carências crônicas da infraestrutura nacional. Por exemplo, os problemas de logística, gerados pelas debilidades das rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, malhas viárias urbanas etc. e que causam congestionamentos em cidades, estradas, portos e aeroportos. Há também uma burocracia excessiva com a exigência de documentações desnecessárias. E nossos fretes para exportação e importação são muito mais caros que os padrões internacionais.

Essas ineficiências causam altos custos, além de baixa produtividade e perdas de competitividade para a sociedade e para as empresas. E podem dificultar a continuidade das altas taxas de crescimento.

| 18/06/2010

Fábrica de líderes

Em minhas andanças pelos EUA conheci um conceito interessante: a "fábrica de líderes". Meu interlocutor contou que algumas organizações investigavam junto às escolas, clubes e outras entidades, os jovens com potencial para serem líderes. Identificados, eles eram convidados a participar de um processo educacional diferenciado, uma espécie de "fábrica de líderes", de onde sairiam os homens e mulheres que dirigiriam as grandes organizações dos EUA. Achei o máximo.

Talvez haja alguma iniciativa parecida no Brasil, mas não consegui lembrar.

| 14/06/2010

A Escolha de Sofia - por Tom Coelho*

“Você faz suas escolhas
e suas escolhas fazem você.”
(Steve Beckman)



No mundo corporativo de hoje os profissionais são constantemente colocados à prova mediante dilemas que lhes são apresentados. Por exemplo, o que fazer quando a empresa exige tanto do executivo que ele tem que escolher entre a vida pessoal e a profissional?

ABTV