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Opinião | Joel Leite |

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Joel Leite

30/11/2020

Caminhão usado é muito bem valorizado

Estudo revela que alguns veículos comerciais perdem menos de 15% após três anos de uso

Até pouco tempo atrás, o negócio com veículos usados era desprezado pelas concessionárias e as próprias montadoras não davam importância ao segmento de negócio. Mas de alguns anos para cá a rede de revendas passou a olhar com mais cuidado esse negócio, que movimenta uma enorme fortuna, resultado das transferências de mais de 1 milhão de unidades por mês. Só no setor de veículos comerciais foram negociadas 265.626 unidades de janeiro a outubro (veja quadro mais abaixo) e o segmento teve uma queda de apenas 13,3% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a queda do setor se usados como um todo foi de 18,8%.

As concessionárias de veículos comerciais não trabalhavam com usados porque, para manter um estoque razoável, seria necessário muito capital de giro, pois o seminovo tem valor elevado. Um caminhão de R$ 300 mil com uma depreciação de 20% cai para R$ 240/250 mil, é um investimento pesado para a concessionária.

Por outro lado, o caminhão seminovo passou a ter muita procura por motoristas autônomos e pequenos frotistas, que optam pelo usado para não investir muito dinheiro no zero-quilômetro.

Aos poucos o setor percebeu que se tratava de um negócio de vulto e algumas marcas iniciaram projetos para sustentar a rede. A Volvo foi a primeira que percebeu o espaço para trabalhar esse mercado e há cerca de sete anos iniciou um plano para ajudar a rede a comercializar o usado. A fabricante criou uma linha de crédito e incentivou a venda de caminhões usados. Foi uma experiência positiva, que acabou elevando o valor do usado.

Em seguida outras montadoras entraram no negócio, incentivando a rede a trabalhar o segmento, como Volkswagen/MAN, Mercedes-Benz e DAF, entre outras.

Em suma: a operação com usado exige grande capital de giro, mas trata-se de um grande negócio a ser ainda explorado, pois a procura por veículos com três ou, quatro anos de uso é grande.

Esse quadro – somado à pequena oferta em comparação com o mercado de carros de passeio – faz o veículo comercial usado ter uma boa valorização no mercado, tanto os utilitários de carga como os veículos pesados.

Os índices de depreciação registrados no estudo da Autoinforme, que definiu o Selo Maior Valor de Revenda 2020, mostram que os veículos comerciais usados tiveram uma ótima valorização. Muitos deles com uma depreciação abaixo dos 15% depois de três anos de uso.





Joel Silveira Leite é jornalista e palestrante, pós-graduado em Semiótica e Meio Ambiente. Trabalhou em diversos veículos de comunicação, entre eles no Grupo Estado (Estadão, Jornal da Tarde, Agência Estado e Rádio Eldorado) e fundou a Agência Autoinforme, primeira agência de notícias especializada no setor automotivo. Apresenta o programa Autoinforme nas rádios do Grupo Bandeirantes e responde pelo blog O Mundo em Movimento. (e-mail joelleite@autoinforme.com)

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