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Opinião | Karsten Pieper e Ricardo Bacellar |

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Karsten Pieper e Ricardo Bacellar

21/10/2020

Pandemia acelera transformação do setor automotivo; sustentabilidade ganha força

Pesquisa anual da KMPG aponta principais tendências e oportunidades

Conduzida com mais de 1.100 executivos dos setores automotivo e de tecnologia e mais de 2.000 consumidores de 30 países, a 21ª edição da Pesquisa Global com Executivos do Setor Automotivo 2020 (GAES 2020), da KPMG, revelou expectativas e tendências relevantes para a indústria automotiva mundial. Os resultados evidenciam que a pandemia é um fator de aceleração das transformações que impactarão o mercado automobilístico.

No capítulo sobre tendências, a sustentabilidade consta como um diferencial importante para executivos e consumidores. Os dois grupos consideram que, a curto prazo, a experiência da pandemia deve acentuar a preocupação com esse aspecto. E, a médio e longo prazos, os regulamentos ESG (Environmental, Social and Governance) podem acelerar esta tendência.

Alinhado com o tema, as matérias-primas foram destacadas no contexto de que o predomínio dos combustíveis fósseis como matriz energética tende a se dissipar, ainda que a longo prazo, cedendo espaço à eletricidade.

Em mais de 20 anos de GAES, pela primeira vez os executivos não deram como certa a prevalência do motor a combustão pelos dez anos seguintes e agora apostam na coexistência e complementaridade destes com os veículos a bateria e células de combustível, dentre outros.

Analisando dados mais amplos de mercado, sobre a questão de veículos elétricos, a evolução deve ser mais lenta no Brasil do que na Alemanha, considerando a falta da infraestrutura e as distâncias maiores no caso brasileiro. Na Alemanha, onde o setor automotivo é altamente relevante para a economia, há supermercados onde os carros podem ser carregados enquanto os motoristas fazem compras.

Eles reconheceram ainda a importância de entender preferências dos consumidores, critérios que definem decisões de compra e recursos em um cenário repleto de alternativas de mobilidade.

Outro dado é que se espera uma redução de 20% a 30% dos pontos de venda físicos. Quando questionados sobre o que os encorajariam a comprar um veículo on-line, os consumidores destacaram garantia de satisfação (41%), vantagem de preço (38%) e marca confiável (36%), o que significa que é difícil entrar no mercado on-line sem uma marca confiável e conhecida.

A indústria automobilística sempre explorou o desejo de posse do veículo para se aproximar dos seus clientes. Mas o surgimento de serviços de mobilidade mudou essa relação e o conceito de sucesso está sendo redefinido de unidades vendidas para a distância percorrida.

Os serviços de locomoção estão em expansão nos últimos anos. No entanto, a pandemia está alterando essa relação entre carro e usuário, já que os clientes devem valorizar a segurança sanitária, tornando o carro particular mais importante.

Considerando a complexidade do momento atual, a indústria precisa ter acesso a informações qualificadas, que suportem suas decisões estratégicas de negócios. O setor também precisa acompanhar as alterações de percepção de valor de compra dos consumidores. Estes dois elementos serão determinantes para a retomada dos negócios e da economia.


Este ano, mais da metade (59%) dos respondentes da GAES trabalham em empresas com faturamento superior a US$ 1 bilhão, enquanto 22% atuam em organizações com faturamento superior a US$ 10 bilhões.


*Ricardo Bacellar é sócio-líder do setor de Industrial Markets e Automotivo da KPMG no Brasil.
**Karsten Pieper é sócio-líder do German Desk da KPMG no Brasil.


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