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Opinião | Luiz Sergio Alvarenga |

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Luiz Sergio Alvarenga

29/06/2020

Catálogo eletrônico de autopeças ainda enfrenta resistências no Brasil

Será que o pós-Covid-19 eliminará o nosso atraso?

Vocês já se perguntaram quantos milhares de componentes encontram-se em um veículo automotor? Agora imagine tudo isso por modelos e suas inúmeras variações, você acha que um ser humano teria condições de conhecer de cabeça ou mesmo por meio de um único catálogo impresso os códigos oficiais de cada peça? Pois é, estamos em pleno 2020, quando se fala de digitalização, indústria 4.0, entre outros ingredientes tecnológicos de última geração, mas o aftermarket ainda está se debatendo para mudar a cultura analógica para digital, em todos os elos que o compõe.

O Brasil encontrou e adotou por várias décadas o seu jeito de comprar peças técnicas: a oficina pedia por telefone e os comerciantes encontravam a peça porque mantinham aquele profissional conhecido com orgulho da loja por ser o conhecedor de todos os códigos, pois os tinha na cabeça. Isso até pode ter funcionado bem nos tempos onde reinavam apenas quatro montadoras, GM, Fiat, Ford e VW falando de linha leve. Hoje são dezenas de fabricantes e centenas de modelos, tornando-se impossível essa operação sem um sistema inteligente de catalogação eletrônica – lembrando que não é só conhecer o código, mas a peça certa para cada modelo de veículo, pois um componente errado é fatal neste negócio.

Países e regiões desenvolvidos, como Estados Unidos e Europa, já adotaram há muitos anos o catálogo eletrônico de autopeças com o objetivo de melhorar a comercialização, construindo sua padronização, melhorando a assertividade da peça, buscando a produtividade para um negócio cada vez mais dinâmico, não havendo tempo a perder com questões básicas como esta.

As montadoras, mesmo possuindo cada uma seu catálogo, encontraram no Partslink24 uma plataforma segura que reúne em um único catálogo a maioria das marcas para melhorar e potencializar o seu relacionamento com oficinas e varejistas, traduzido em mais de 18 línguas e presente em dezenas de países. Mas, acredite se quiser, ainda encontra resistência no Brasil de algumas grandes marcas como General Motors e Mercedes-Benz por exemplo, que não introduziram seus dados, mas continuam mantendo interesse em vender peças às oficinas, ainda que pouco preocupadas com a produtividade das mesmas.

Enquanto isso o canal independente, mesmo possuindo modelos domésticos e sendo abordado por modelo norte-americano como ACES & PIES e o europeu TECDOC, ainda patina para adotar um padrão único. Recentemente, as instituições que reúnem os atores do canal independente encontram-se estudando profundamente uma sistemática de padronização que deverá pôr fim a essa novela, em breve poderemos ter novidades para um modelo que atenda a necessidade das empresas brasileiras.

O Brasil é realmente inusitado no aftermarket automotivo, enquanto o mercado em geral já ultrapassa a barreira do e-commerce e começa a avançar no m-commerce (venda via celulares e tablets), ainda temos de quebrar a barreira cultural para que as indústrias entendam que podem vender mais, evitando custos de garantia e devolução com um catálogo digital unificado.

Essa unificação também estabelece uma nova forma de relacionamento entre oficinas e lojas. Se cada empresa insistir em manter um catálogo, a oficina multimarca ficará menos disposta a comprar pela dificuldade criada.

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Luiz Sergio Alvarenga é diretor da Alvarenga Projetos Automotivos e conselheiro do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA)

Comentários

  • FabioNascimento

    Ola!bom dia Sr Luiz Sergio, tudo bem ? Uma Ótima reportagem; meus parabéns, pois aborda um gargalo enorme no mercado de auto peças. Faço parte do Grupo Rolemak e hoje a Mak Automotive marca de autopeças, esta na vanguarda de vendas on-line para o varejista de auto peças, disponibilizamos uma plataforma não só com os códigos originais, mas também com as conversões das principais marcas de reposição de peças. Sua abordagem e bem assertiva em relação a resistência, pois lidamos com o varejo, e verificamos que há uma resistência muito grande ha esta nova tendencia. Mais uma vez , meus parabéns pela reportagem .

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