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Opinião | Tom Moore |

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Tom Moore

22/05/2020

Liderando o setor automotivo em meio à crise

Diante do impacto da Covid-19, aumenta a necessidade de construir um caminho de transformação

A Mandalah, em parceria com a Automotive Business e MHD Consultoria, realizou o estudo Liderança do Setor Automotivo. Por meio de respostas de profissionais de todo o setor, o relatório revela importantes insights. Pelo lado positivo, o número de empresas orientadas por propósito aumentou dentro do setor. Já o outro lado nos mostra a falta de diversidade e uma tendência de curto-prazismo em detrimento do pensamento a longo prazo.



Este artigo é parte do especial Liderança do Setor Automotivo, que traz as principais conclusões da pesquisa e os comentários de grandes profissionais do segmento.
- Clique aqui para baixar o relatório completo do estudo e acompanhar todos os conteúdos sobre o tema.



Obviamente, o impacto da Covid-19 lança uma grande sombra sobre o setor.

No início de 2020, a indústria automobilística já estava em um período de transformação, com líderes reconhecendo a imprevisibilidade do momento. A chegada da Covid-19 transformou um ambiente já incerto em uma crise ainda maior.

Hoje, o setor está em estado de paralisia: a produção de novos veículos foi interrompida e muitas fábricas foram fechadas, com contratos de trabalho suspensos e férias coletivas. As vendas caíram drasticamente e todas as previsões estão sendo revistas para um cenário abaixo do esperado.

Qualquer que seja o cenário que emerja como realidade após o isolamento social, será pautado em cima de um novo insight comportamental: a Covid-19 interrompeu nossa relação com a mobilidade e com as viagens de modo geral.

A NECESSIDADE DE LÍDERES TRANSFORMADORES


Em tempos desafiadores, o setor requer líderes que estejam aptos a gerenciar a crise e a garantir continuidade. Ainda mais importante é a presença de líderes que tenham uma visão coerente para a indústria a longo-prazo e que guiem a transformação para esta nova visão.

Assim como ocorre na economia e na sociedade em geral, a Covid-19 está machucando muito o setor automotivo. Contudo, ela traz uma incrível oportunidade de repensar as práticas de negócios e reinventar o setor para melhor.

Abaixo, compartilhamos quatro insights do estudo considerados pontos críticos para líderes, à medida que enfrentam o desafio da Covid-19 e promovem atividades transformadoras:



#1 PRIORIZE A INOVAÇÃO


Quando os entrevistados são solicitados a classificar os mais importantes desafios de liderança, as respostas mais comuns são “aumentar a lucratividade” (45%) e “aumentar a competitividade” (45%). Esses imperativos básicos de negócio permanecem profundamente relevantes para os líderes do setor.

No entanto, a terceira resposta mais comum é “desenvolver novos modelos de negócio e fontes de receita” (36%), o que evidencia a importância de inovar neste setor. Além disso, 68% dos líderes reconhecem a inovação como prioridade máxima, colocando-a acima da transformação digital (52%), do impacto socioambiental (46%) e do desenvolvimento de liderança (43%).

Adotar o Mindset do Inovador é fundamental para qualquer empresa neste momento de rápida evolução. É importante ir além da compreensão de inovação como sendo uma atividade focada em aproveitar novas oportunidades e crescimento. É muito mais que isso.

Devemos entender o aspecto adaptativo e evolutivo da inovação. Quando o mundo externo está mudando, nós também somos forçados a mudar.

Inovação é uma resposta necessária ao risco.

Nós inovamos para sobreviver.

#2 PROPÓSITO IMPULSIONA AGILIDADE E TRANSFORMAÇÃO


A boa notícia é que propósito está em alta no setor automotivo.

37% dos entrevistados trabalham em organizações com um propósito claramente definido e implementado que norteia a estratégia e as atividades diárias da empresa. Mesmo que a maioria das empresas não seja impulsionada por propósito, houve um aumento significativo entre os dados deste ano e o estudo da Automotive Business de 2018, onde apenas 6% dos líderes foram capazes de definir o propósito de suas empresas.

Mais uma vez podemos ver o poder do curto-prazismo: a maior barreira para o desenvolvimento e a ativação do propósito de uma organização é o “foco em resultados imediatos” (38%).

As empresas impulsionadas por propósito na indústria automobilística receberão os benefícios dessa abordagem durante este período desafiador. Em momentos de crise, o propósito traz clareza para as estratégias adotadas e para as decisões tomadas, além de melhorar a agilidade na medida em que líderes tomam decisões melhores e mais rápidas.

Uma pesquisa da Harvard Business Review também mostra os benefícios do propósito para apoiar atividades de transformação. Além disso, os funcionários estão mais dispostos a se alinharem à organização e se sentem mais motivados quando a empresa tem um propósito e uma direção estratégica clara.

#3 LIDERE COM EMPATIA


No estudo, a empatia é considerada a característica mais importante para uma boa liderança. Apesar da importância do líder sempre mostrar empatia, isso se torna fundamental em momentos de crise.

À medida que as demandas do mercado mudam e novas necessidades emergem, as empresas que oferecerem respostas empáticas e autênticas a essas mudanças construirão conexões emocionais mais duradouras com seus clientes, fornecedores e demais parceiros. Nesse ponto, parece haver uma base sólida para a indústria automobilística encontrar o seu caminho, uma vez que 75% dos entrevistados trabalham em empresas que valorizam relações mutuamente positivas e constroem parcerias de “ganha-ganha”.

Entretanto, como mostra o modelo de liderança Radical Candor (Empatia Assertiva), as capacidades do líder em desenvolver empatia e importar-se com as pessoas devem ser combinadas com a habilidade de desafiá-las. A crise é um momento para os líderes reforçarem suas conexões com os outros (“respeito” e “escuta” são a segunda e a terceira características mais importantes, respectivamente), combinando isso com abertura e franqueza.

39% dos líderes do setor têm o perfil de liderança “Radical Candor”, que combina importar-se pessoalmente e desafiar diretamente seus liderados. Esses líderes serão necessários durante este período turbulento, de modo a cuidar dos outros e, ao mesmo tempo, tomar decisões difíceis e necessárias para garantir o bem-estar de suas organizações a longo prazo.

#4 ENVOLVA A CULTURA


O estudo também mede o eNPS na indústria automobilística. A sigla eNPS significa Net Promoter Score, uma ferramenta usada para medir a lealdade dos funcionários com base na probabilidade de eles recomendarem a sua organização como um bom lugar para trabalhar.

Um eNPS geral de 39 (com 48% de Promotores e 9% de Detratores) nos mostra que muitos líderes do setor têm uma visão positiva de sua própria organização e acreditam que ela seja um bom lugar para trabalhar.

Contudo, apenas 4% dos líderes consideram “Fortalecer a Cultura” como alta prioridade, um motivo de certa preocupação.

Como o impacto da Covid-19 impõe pressões financeiras cada vez maiores às empresas, há uma reação lógica para reduzir os custos operacionais. Embora cada caso seja único, todas as organizações devem pensar cuidadosamente a respeito dos efeitos a longo prazo para a cultura da empresa por conta de quaisquer reduções de custos feitas para mitigar a crise. As decisões tomadas hoje podem gerar implicações para a cultura organizacional nos próximos anos.



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Ninguém sabe como serão as próximas fases da crise da Covid-19 e suas implicações para o futuro da indústria automotiva brasileira. Talvez estejamos iniciando uma desaceleração prolongada. Talvez a recuperação rápida no formato V aconteça, ou veremos uma recuperação mais lenta em forma de U.

Mas do que podemos ter certeza é que as organizações que realmente conseguirem gerenciar este momento, farão isso graças a líderes e culturas fortes.

A cultura da organização — seu conjunto de crenças, valores e comportamentos — é um elemento vital para garantir uma força de trabalho engajada, produtiva e colaborativa. A cultura cria condições para sobreviver e prosperar nesse novo contexto desafiador.

É responsabilidade dos líderes do setor enxergar isso e agir de acordo com o que é demandado: liderar pelo exemplo nesse momento de intensa transformação e oferecer suas melhores versões, a serviço de suas empresas, da indústria e da sociedade como um todo.

*Tom Moore é sócio da Mandalah, consultoria brasileira de inovação consciente com atuação global.

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