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Opinião | Marcelo Braga |

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Marcelo Braga

23/04/2020

É chegado o momento de reinventar

Precisamos deixar de lado os manuais tradicionais de crises e buscar formas de preservar os empregos

Estamos desde 2014 em crise. Sim, atravessamos momentos de esperança, de “agora vai”, de pessimismo e euforia. De certa forma, apesar de o governo não ser exatamente como a maioria da população brasileira acreditava que seria, havia um sentimento de que tínhamos chegado ao fundo da crise e que daquele ponto em diante só teríamos crescimento.

As pessoas, empresas, famílias, governantes, em sua maioria, já vinha com um sentimento de que o mais difícil havia passado. Um dos principais entraves, que era a reforma da previdência, já tinha ficado para trás. Agora viriam ajustes finos para que a economia voltasse à vitalidade tão almejada.

Mas não. Uma crise sem precedentes, que alguns já dizem ser a junção do crash de 1929 com a pandemia da gripe espanhola, avassala o mundo por completo. Muitos economistas falam em recessão global para 2020. No entanto, é chegado o momento de juntar responsabilidade com criatividade, para reduzir os impactos para que, quando esta crise acabar, tenhamos o mínimo de danos possível.

O capítulo um de qualquer manual de crise é cortar custos, o que em grande parte das vezes significa reduzir o quadro de colaboradores, interromper investimentos em marketing, desenvolvimento de pessoas e congelar contratações. No entanto, recorrer ao manual da crise nos levará uma contração maior ainda.

É ESSENCIAL EVITAR O DESEMPREGO


O Brasil está longe da recuperação dos níveis aceitáveis de taxa de desemprego. Isto levando em conta os números oficiais que não consideram as pessoas que desistiram de procurar recolocação formal. Uma nova onda de demissões trará reflexo direto no consumo, levando a economia a um ciclo ainda mais negativo em que a redução do emprego leva à diminuição do consumo e com isso, à contração do PIB.

É fundamental que governantes, empresários e executivos busquem alternativas que não impactem o nível de emprego e a renda das famílias. As medidas precisarão ser rápidas, mas enquanto não chegam, é essencial que as empresas se reinventem para tocar seus negócios sem grandes movimentações de pessoas. Repensar modelo de vendas, modelo de entrega, banco de horas, antecipação de férias, trabalho compartilhado. Reavaliar as fortalezas do seu time e ver novas funções que podem assumir, entender onde precisam de desenvolvimento e buscar qualificações online e gratuitas neste período.

Sem dúvida o mercado nunca mais será o mesmo. A distância entre ricos e pobres, grandes empresas e pequenas, países desenvolvidos e em desenvolvimento, ficará ainda maior. Ao término da crise teremos acelerado o processo de inclusão digital. Muitos modelos serão repensados, trazendo ainda mais consequências, como avaliar a real necessidade de escritórios físicos para tantas pessoas, quando muitos poderiam trabalhar home office. Também vamos repensar a necessidade das empresas do varejo terem muitas lojas físicas, quando grande parte da população já estará mais confortável para fazer compras online. Reuniões e entrevistas passarão a ter um percentual digital muito acima de antes da crise porque aprenderemos a conviver com elas, entendendo que não há reflexo negativo na produtividade.

A área de RH trabalhará dobrado de agora em diante. Primeiro para conseguir estruturar toda a operação para atravessar este momento, passando por aspectos legais, motivacionais, orçamentários, redefinição de prioridades e papéis de parte da equipe. Vejo iniciativas de empresas de compartilhamento de equipe de forma a atravessar a crise e preservar o emprego, o que o certamente envolve muito do RH para estruturar a operação. Passada a tempestade, precisaremos avaliar e recompor times e trabalhar a cultura organizacional no novo cenário.

Certamente o mundo será diferente após o término desta tempestade. E é crucial que a nossa mudança de comportamento acompanhe esta transformação da sociedade. Grandes decisões deverão ser tomadas com responsabilidade, em prol da economia como um todo e não de interesses pontuais.

E você, qual sua opinião? Deixe abaixo seus comentários ou escreva para mim: Marcelo.braga@searchrh.com.br

Marcelo Braga é headhunter, fundador das empresas SEARCH RH e Reachr. Expert em Transformação digital do RH, com mais de 20 de atuação em Recursos Humanos. Anteriormente atuou na indústria automotiva (General Motors e Plascar). Engenheiro Químico – Unicamp e Pós-graduado em Administração de Empresa pela FGV.

Comentários

  • LeonardoSoares Paim

    Concordocom você, Marcelo. Trabalho em um grupo de concessionárias no RS, e aqui já estamos buscando nos readequar ao novo cenário do mercado. Principalmente no atendimento ao cliente. Vejo pouca mudança na estrutura operacional interna, mas acredito vamos precisar também rever os papéis de cada um visando o longo prazo dentro da cultura da empresa, que também terá que ser revista e se adaptar ao meio em que ela está inserida.

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