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Opinião | Luiz Sergio Alvarenga |

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Luiz Sergio Alvarenga

01/04/2020

O impacto da Covid-19 no aftermarket automotivo

Ao contrário de outras crises, desta vez o mercado de reparação também é atingido

A pandemia de coronavírus causa uma crise tão grande quanto inusitada e inesperada no planeta todo. Diferentemente do que aconteceu em crises passadas, a atual impacta o aftermarket automotivo de forma diferenciada de algumas outras cadeias de valor.

Tomando como exemplo outras crises recentes, a de 2008 nascida nos Estados Unidos e em 2014 no Brasil, as duas foram de natureza econômica e o aftermarket automotivo se manteve vigoroso em ambas, pois as pessoas não arriscavam seus poucos recursos para aquisição de bens duráveis novos, como um carro por exemplo, o que estimulou fortemente a manutenção dos veículos em uso como forma de manter tudo rodando, e na forma de cascata favoreceu oficinas, comércio e distribuição de autopeças, indústria de componentes, equipamentos e demais agentes que orbitam em torno deste poderoso setor.

Desta vez é diferente. Nesta crise provocada pela pandemia de coronavírus o consumidor se confinou para se proteger da Covid-19 e não utiliza seu veículo (exceção aqui da frota de veículos pesados). Mesmo com as oficinas autorizadas a ficar abertas como atividade essencial, os clientes não chegam mais. As lojas de peças, também autorizadas a trabalhar de portas fechadas, usando serviços de entrega, já não recebem mais pedidos. Assim toda a cadeia é derrubada. Distribuidores e concessionárias têm estoques suficientes para atender a demanda por mais tempo, as indústrias já paralisaram suas operações, a importação de bens não essenciais fica parada, até porque quase todos os países fecharam suas fronteiras.

O isolamento social já afeta bastante este mercado. Com circulação menor de carros, por óbvio as colisões diminuem e os sinistros chegaram próximo a zero, portanto cai a demanda por reparações. Outro exemplo: os poucos veículos que rodam nas ruas em meio à quarentena o fazem de vidros abertos, com o ar-condicionado desligado para evitar que refrigeração da cabine favoreça a propagação do vírus, e com isso fica reduzida a necessidade de manutenção do sistema de climatização.

Notem que na retomada haverá empresas com sistemas e controles de gestão mais organizadas que estarão de volta, mesmo com alguns ferimentos e baixas, enquanto muitas outras sem qualquer capacitação gerencial encontrarão enormes dificuldades para rapidamente estarem competitivas. Isso ocorre em qualquer elo desta cadeia de valor, independentemente do porte e atividade.

O pensamento que fica é como vamos nos articular para uma retomada no aftermarket, que não se faz da noite para o dia, especialmente nesta situação. Não será só ligar uma máquina e voltar a produzir, será preciso uma avaliação cirúrgica das baixas em todos os elos e verificar a quantidade de enfermos desde o consumidor, passando por oficinas e lojas, atingindo distribuidores, concessionárias e indústrias para então aplicar uma forte dosagem do medicamento certo neste mercado.

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Luiz Sergio Alvarenga é diretor da Alvarenga Projetos Automotivos e conselheiro do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA)

Comentários

  • CarlosAlvarenga

    Estácertíssimo, penso também que tudo deverá voltar gradativamente até atingirmos a normalidade plena, isso levará alguns meses..

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