Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Opinião | Ariane Marques |

Ver todas as opiniões
Ariane Marques

19/07/2019

Reciclagem beneficiaria toda a cadeia automotiva

No entanto, apenas 1,5% dos veículos em fim de vida tem destino apropriado

Estima-se que no Brasil existam 45 milhões de veículos em circulação atualmente, com uma média de dez anos de uso. A previsão é de que, em uma década, grande parte desses automóveis seja descartada e substituída por milhões de outros modelos, que terão o mesmo destino em mais alguns anos.

Esses veículos se tornam um grande problema no fim da vida útil: grande parte se torna resíduos e descartes deixados em ferros-velhos e aterros sanitários que custam bilhões de reais por ano ao governo e se tornam mais uma causa de poluição no ambiente e contaminação no solo (o custo é de R$ 8 bilhões, segundo relatório de 2017 da Abrelpe, associação que reúne as empresas de limpeza pública).

Para diminuir a quantidade de resíduos e tornar esse ciclo de vida mais apropriado, a reciclagem e o reúso de peças automotivas são vistos como as melhores soluções para dar sustentabilidade ao ciclo de vida do veículo.

Sua composição corresponde a uma média de 18% de plástico, 7% de borracha, 55% de metais e 20% de outros materiais. Assim, grande parte dos materiais pode ser reciclada e o que não passa por esse processo pode ser reutilizado em novos modelos fabricados.

Na Europa essa solução já não é novidade. Cerca de 85% dos automóveis que circulam no continente têm como destino final a reciclagem ou suas peças são reutilizadas. No Brasil o cenário é bem diferente. Estima-se que 98,5% dos veículos que chegam ao fim do ciclo de vida terminam em depósitos e desmanches; apenas 1,5% tem um destino mais sustentável.

Como medida para tentar mudar essa realidade, em 2010 o Departamento de Trânsito (Detran) do Rio Grande do Sul iniciou um projeto pioneiro no País com a reciclagem de carros a fim de reduzir o impacto ambiental causado nos depósitos e também impedir o uso e venda ilegal de peças.

Em 2014 entrou em vigor em São Paulo a Lei do Desmanche (Lei 12977 - 2014) com o objetivo de combater a desmontagem ilegal, o comércio de peças usadas sem origem comprovada, regular o processo de desmontagem e o de reciclagem de metais.

Essa é uma medida importante para colaborar com o ciclo de vida sustentável dos automóveis, uma vez que o roubo, desmanche e venda de peças ilegais são fatores que dificultam atitudes mais sustentáveis por parte da indústria automotiva.

Em paralelo a esses projetos estaduais no Brasil, a Basf tem buscado promover a sustentabilidade no ciclo de vida dos veículos. Com sua consultoria para sustentabilidade, a Fundação Espaço ECO e a Polen, startup que atua com soluções para venda e rastreabilidade de resíduos, a Basf levou o tema para discussão em uma atividade de design thinking no fórum Automotive Business Experience, #ABX19, realizado em São Paulo.

Também tem trabalhado com grandes parceiros para oferecer aos consumidores automóveis mais sustentáveis e menos poluentes. A partir de soluções inovadoras e mais ecológicas, como plásticos de engenharia e materiais que deixam os carros mais leves (promovendo eficiência energética), catalisadores que reduzem em 90% a emissão de poluentes, produtos para pintura que exigem menos consumo de água e reduzem a emissão de compostos orgânicos voláteis, entre outras inovações, a companhia contribui para o desenvolvimento de veículos mais ecoeficientes.

A falta de um programa de reciclagem veicular, de leis mais duras para combater o descarte inadequado e que permitam mais agilidade na reciclagem de veículos já fora de uso, tudo isso deixa o Brasil muito atrasado na questão da sustentabilidade do ciclo dos veículos. E para que isso se torne uma realidade, como já ocorre na Europa, por exemplo, seriam necessárias medidas por parte do governo para estimular a população a doar seus veículos velhos para a reciclagem com algum tipo de incentivo, além de parcerias com empresas do setor para desenvolver esse processo.

A reciclagem de veículos no Brasil beneficiaria o meio ambiente e a própria indústria automobilística. O uso de peças recicladas e reutilizadas sai a um custo muito menor, até mesmo por não requerer a exploração de matéria-prima, um dos fatores que encarecem a produção de novos modelos.

Ariane Marques é química e estrategista do time de indústria automotiva da Basf para a América do Sul

Comentários

  • PauloRocha Mafra

    OCentro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) tem um projeto fantástico para reciclagem de veículos, em parceria com a FCA já possuem diversos trabalhos baseados em metodologias japonesas focando a reutilização e reciclagem de componentes automotivos. Vale a pena entrar em contato com a faculdade para explorar mais o assunto, especificamente o professor Daniel Enrique Castro.

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

AB Inteligência