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Opinião | Fernando Calmon |

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Fernando Calmon

22/05/2019

Meandros da segurança

Recursos eletrônicos capazes de reduzir acidentes motivaram debates promovidos pela AEA

AEA, Bright Consulting, Adas, ESC, AEB, Stärkx, carros autônomos, ministro, Paulo Guedes, Renault, Kwid, Outsider, VW Comfortline, T-Cross, Nissan, estúdio de design, Grupo Disal Os brasileiros dão mais importância a alguns recursos de conectividade do que motoristas de alguns outros países, conforme pesquisa comparativa feita pela operadora Telefônica, na Europa. Um exemplo: 30% dos brasileiros estão interessados em acessar as mídias sociais em automóveis, ante apenas 9% no Reino Unido. No entanto, conectividade está intimamente ligada à segurança e esses dois temas levaram a AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva) a organizar um seminário semana passada em São Paulo (SP).

Quando se trata do conceito mais amplo de Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista (Adas, na sigla em inglês) o viés de segurança se impõe. De acordo com a Bright Consulting, há diferentes taxas de aplicação dos sistemas Adas. Controle Eletrônico de Estabilidade (ESC, em inglês) e câmera de ré estão em 40% e 35%, respectivamente, dos veículos vendidos no Brasil e em 100% dos comercializados nos Estados Unidos.

No máximo, 2% dos carros novos emplacados aqui vêm com detector de fadiga, assistente de manutenção de faixa e frenagem autônoma de emergência (AEB, em inglês). Na Europa a taxa de aplicação já supera 50% e os três itens estarão em 100%, obrigatoriamente, em 2021. As regulamentações no Brasil estão avançando e os cronogramas de adoção são mais lentos, basicamente pelo custo elevado das diferentes tecnologias e a necessidade de adaptações às condições de uso bastante severas no Brasil.

Entre os dispositivos citados, o AEB reúne maior potencial de aumento da segurança viária por diminuir atropelamentos (ou a sua severidade) e até 40% das colisões em baixa e média velocidades (contra carros estacionados, em movimento ou parados, além de obstáculos fixos). Todos são fruto de distração, imprudência, negligência e algumas vezes de inabilidade ao volante.

Nos debates chamou-se atenção para o desenvolvimento de protocolos que levem em conta como os motoristas interagem com os sistemas de assistência e percebem as limitações. Os níveis de autonomia veicular variam de 1 a 5 em função da interatividade. Carros autônomos continuam a avançar, porém o prazo de sua chegada ao mercado ainda suscita dúvidas. Mesmo o nível 4, que dispensa qualquer atenção ao volante e aos pedais (eliminados no nível 5), ainda será muito caro para automóveis particulares. Esperam-se, primeiramente, aplicações comerciais, em frotas de uso intensivo e roteiros específicos.

A Stärkx Automotive lembrou um ponto importante que, se esquecido, traz sérios problemas. Todos os sensores Adas aplicados em espelhos retrovisores, para-brisas, grades, para-choques e outros componentes menos visíveis precisam ser recalibrados após uma colisão, substituição ou simples remoção para manutenção.

Também se deve considerar que carros elétricos estão suscetíveis a problemas de segurança específicos, quando enfrentam alagamentos ou sofrem colisões mais severas. Nesses casos, melhor se afastar imediatamente e procurar socorro especializado. Por esses motivos, companhias no exterior estão cobrando muito caro pelo preço do seguro.

ALTA RODA


MINISTRO da Economia, Paulo Guedes, acenou para uma gradual redução das tarifas de importação. Uma curva progressiva: 1 ponto percentual (pp), no primeiro ano; 2 pp, no segundo; 3 pp, no terceiro; 4 pp, no quarto. No caso de automóveis significaria o imposto de importação cair dos atuais 35% para 25% ao longo de quatro anos, pela interpretação da coluna. 25% é tarifa máxima imposta pelos Estados Unidos à China, por exemplo. Resta saber se a indústria teria condições para exportar sem os impostos hoje incidentes.

RENAULT Kwid Outsider segue a fórmula aventureira, porém trilha o caminho de chamar atenção sem exageros. Preço de R$ 43.990 está dentro do razoável. Há uma mudança mecânica estendida a todos os Kwid: freio dianteiro a disco ventilado, novo servofreio e pistões de pinça maiores. A sensação de toque e progressividade no pedal ficou melhor.

VERSÃO intermediária Comfortline do VW T-Cross – motor turboflex de 1 litro e câmbio automático de 6 marchas – tem boa desenvoltura em cidade e nem tanto em estrada. O modelo de entrada, com câmbio manual, surpreende pela agilidade em qualquer situação. Espaço interno, ergonomia e comportamento dinâmico superam a média dos concorrentes.

NISSAN inaugurou na semana passada um estúdio de design em São Paulo (SP) para aproveitar talentos locais no desenvolvimento de séries especiais e colaborar em projetos no exterior que podem chegar ao Brasil e em outros mercados. O líder da equipe é o americano de origem vietnamita John Sahs e conta, inicialmente, com seis especialistas brasileiros.

FERRAMENTA inovadora desenvolvida pelo consórcio digital www.carroparatodos.com.br, em parceria com o Grupo Disal, ajuda a planejar um possível lance vencedor por meio de simulações estatísticas e um algoritmo específico. Todo o processo é feito on-line e permite ao interessado uma flexibilidade na entrega do veículo, sem depender apenas da sorte.

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fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2

   

Comentários

  • RogerioA.

    Imaginoque não somente os carros elétricos estão suscetíveis ao problema dos alagamentos, mas também os híbridos. Em um país com cidades com alagamentos frequentes, como São Paulo, quais os riscos em estar em um carro destes? Seria uma boa pauta para o Alta Roda, ouvindo as orientações das montadoras que distribuem estes veículos aqui no Brasil.

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