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Opinião | Danton Velloso |

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<B>Danton Velloso</b>

15/04/2019

Para ter resultados no digital, setor automotivo precisa pensar além da mídia e da tecnologia

Empresas só terão os resultados esperados quando investirem em transformação cultural

Recentemente fui convidado pelo Google a participar de um encontro que tratou, entre uma série de assuntos, de um estudo sobre a indústria automotiva sob o olhar do Google em 2018. Assim como eu, estavam presentes profissionais de mídia digital de grandes fabricantes de veículos, representantes de concessionárias, associações de classe e prestadores de serviço.

As informações apresentadas causaram surpresa pela oscilação de algumas marcas em relação ao ano anterior. Os dados se referiam ao aproveitamento das oportunidades de vendas trazidas pelo mecanismo de buscas, mostravam o ranking, categorias, ocorrências de mercado e por aí vai. A cada nova informação, vinha mais um sinal de que o setor ainda não gera negócios na ponta a ponto de fazer valer a pena os vultuosos investimentos em mídia e tecnologia.

O QUE FALTA PARA MELHORAR OS RESULTADOS NO MEIO DIGITAL?


No decorrer da apresentação, nenhuma pergunta ou comentário da plateia apareceu. O silêncio dos participantes indicava duas possibilidade: era um sinal de plena compreensão do assunto ou de desinteresse. Em determinado momento, no entanto, ouvi algo que, confesso, não achava que escutaria naquele ambiente: era bom demais pra ser verdade!

Um dos presentes afirmou que o que impede as montadoras de terem melhores resultados no canal digital não se resume apenas às questões pragmáticas consideradas ali, como presença na internet, mecanismos de busca, multicanais de relacionamento, Google Ads, inteligência artificial, entre outros. Para aquele profissional, a questão tinha outra natureza: era uma consequência da cultura corporativa das empresas automotivas.

Quando ele falou, a impressão é de que algo mágico foi dito, algo que nunca tinha sido levado em conta. Era enfim uma explicação plausível para os resultados pífios das empresas, apesar de todo o empenho para gerar resultados on-line.

Parece irônico, mas de certo modo fiquei feliz pelo rumo que a discussão tomou naquele encontro. Há um bom tempo trabalho para demonstrar a importância de se dar atenção aos aspectos culturais e não relegá-los ao segundo plano. A questão, com coragem, foi colocada à mesa e uma dúvida razoável foi estabelecida.

Se o público presente ao encontro concordou com a afirmação feita, significa que um novo campo se abre para ser explorado. Há um bom tempo ganha força o debate sobre a questão cultural como fator-chave a ser considerado para o sucesso dos resultados esperados. Pesquisas envolvendo profissionais do setor automotivo em diferentes partes do mundo apresentam resultados neste sentido. Alguns deles ilustram o que cito neste artigo.



MUITO INVESTIMENTO EM MÍDIA E TECNOLOGIA, POUCO FOCO EM CULTURA


Aqui no Brasil, há tempo demais damos foco e investimento para aprimorar as respostas do lado pragmático da questão, pensando em sistemas e tecnologia. Enquanto isso, deixou-se de lado a necessária transformação cultural. O mercado carece de profissionais que possam dar respostas eficazes neste sentido.

Quando falamos de Transformação Cultural não podemos nos fazer valer apenas de estatísticas e/ou séries históricas que assegurem baixo risco na tomada de decisão para apropriação de investimentos e recursos.

Na nova cultura, os dados mais objetivos serão construídos e isto não está no presente, no “D” zero. O ponto de partida é a determinação motivada pela crença de que se está no caminho certo e isto demanda duas características: pioneirismo e empreendedorismo. Essas qualidades exigem conhecimento, coragem, vontade e boa dose de disposição em correr risco para lidar com o novo. Como recompensa está a possibilidade de experiências inéditas, construindo crenças e valores. Isto é pra poucos!

Em resumo: tecnologia, sistemas e investimentos em mídia são fundamentais. Ainda assim, não podemos deixar para trás o processo a ser utilizado, assim como como as pessoas que farão o esperado acontecer.

Processo + Pessoas = Cultura.
Se essa simples equação não for considerada, os resultados não justificarão os meios. Encarar a verdade faz parte do jogo e o seu senhor é o tempo. Enquanto isso, o senhor do equívoco é o auto-engano.

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