Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Opinião | Douglas Palma |

Ver todas as opiniões
Douglas Palma

29/11/2018

O pulo do gato que falta à reparação automotiva

Empresas não precisam esperar a legislação avançar para investir em certificação

A certificação de oficinas no País ainda é muito pequena se comparada aos cenários dos demais segmentos de produção e comercialização do setor automotivo, cujas certificações são amplamente exigidas e aplicadas, uma vez que são compulsórias. No caso das empresas de reparação automotiva, a condição de voluntariedade da certificação transforma esse investimento em qualidade em mais uma abominável despesa extra, temida e postergada pela maioria dos empresários do setor.

Mesmo não sendo obrigatória, a certificação da oficina representa um importante instrumento de segurança para o consumidor porque atesta de forma escrita e rastreada a qualidade dos serviços prestados pela empresa. Toda oficina certificada passa por uma avaliação de todos os pontos de gestão e organização, o que possibilita ao empresário ter o controle absoluto dos processos. Vale destacar que essa avaliação é realizada por órgão imparcial e de terceira parte, acreditado pelo Inmetro.

Quando bem aplicada, a certificação gera múltiplas vantagens ao empresário, como aumento da satisfação dos clientes, diminuição dos desperdícios em materiais, mão de obra e fluxo de trabalho, ampliação das possibilidades de permanência e continuidade da empresa no mercado, e maior interação e comprometimento das equipes de colaboradores com os processos produtivos.

É importante que o empresário tenha consciência da necessidade de processos padronizados porque a certificação dependerá muito de ele “querer e acreditar” para efetivamente acontecer, uma vez que é voluntária. O empresário também precisa pensar como administrador para enxergar todos os benefícios e as oportunidades que a certificação proporciona.

Os empresários do setor têm demonstrado cada vez mais interesse em acreditar nos benefícios da certificação voluntária. Baseados nisso, o Instituto da Qualidade Automotiva (IQA) e o Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios (Sindirepa Nacional) firmaram uma parceria para a criação do Programa de Incentivo à Qualidade (PIQ), cujo propósito é, justamente, a implementação de um sistema da qualidade na empresa, além de intensificar a difusão do processo de certificação de oficinas independentes no País.

A meta do programa é alcançar pelo menos 5 mil empresas certificadas até 2023 a partir da formação de grupos regionais de oficinas interessadas, o que permitirá reduzir os custos individuais do processo de certificação. Outra estratégia é a ampla divulgação das respectivas oficinas certificadas em órgãos governamentais, frotistas, entidades de classe, empresas de seguro, montadoras e indústrias de autopeças, cujo foco é potencializar a demanda de serviços de reparação para as empresas que possuem a certificação da qualidade auferida pelo Inmetro por meio do IQA.


Douglas Palma é diretor do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA), diretor do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios (Sindirepa) e diretor da Artpres Reparadora de Veículos

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

AB Inteligência