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Opinião | Roberto Nasser |

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Roberto Nasser

01/10/2018

Aliança Ford-VW começa a tomar forma e pode se ampliar

Na América do Sul empresas poderão compartilhar plataformas, a começar pelas picapes Ranger e Amarok

Aos 19 de junho, nota conjunta e cronometrada para ajustar diferentes fusos-horários, Ford, em Detroit, EUA, e Volkswagen, Wolfsburg, Alemanha, dizia da disposição das companhias em explorar uma aliança estratégica desenhada para fortalecer a competitividade. Explicitava não se tratar de fusão, aquisição, troca de ações, para tranquilizar o mercado, abortar especulações sobre junção das empresas. No Brasil e na Argentina a ênfase foi mostrar que essa não seria uma reedição da Autolatina – união das duas marcas nos anos 1980 para tentar sobreviver na “década perdida”. Em ambos os países a antiga associação trouxe confusões internas, perda de mercado para a Ford, miscela de produtos, funcionários desorientados. Na Argentina ficou uma fábrica para a Volkswagen, seccionada da Ford por simplória cerca passada ao meio do terreno.


Vista aérea das fábricas da Ford e Volkswagen na Argentina: a segunda herdou da Autolatina parte do terreno da primeira, hoje dividido ao meio por um muro

Hoje o negócio anda e tem nome: Projeto Cyclone, e na América do Sul se materializa, apesar de informações discrepantes. Pablo Di Si, CEO da VW na região, disse à Coluna sobre a realização de reuniões sucessivas entre as marcas para identificar produtos de ambas as partes para provocar sinergia. Na prática, duas marcas, mesmo produto com sutis diferenças estéticas e identificativas, resultado fácil de ser obtido com mudanças de peças plásticas, como para-choques, grades, faróis. Consultada, área de comunicação corporativa da Ford disse desconhecer qualquer desdobramento a partir do comunicado anterior, de junho.

É conversa de interlocutor solitário, Heiner Lanze, alemão, transferido da matriz alemã, para conduzir a parte VW nas tratativas. Herr Lanze deve estar sendo visto pela Ford na Argentina como um pândego, ao tentar cumprir sua missão, percorrendo a cerca separando as duas marcas em Pacheco, à procura de com quem dialogar...

MAIS
Negócio de amplo espectro, motivado pela Ford e seus receios presentes e futuros quanto às operações com veículos na América Latina. Em processo mundial de enxugamento, materializado por cortes de pessoal, investimentos, suprimirá todos os automóveis da produção norte-americana, substituindo-os por picapes ou utilitários esportivos.

Na AL, onde escritura valente prejuízo – coisa de US$ 1M/dia –, decisão na matriz, contada aos leitores da Coluna, será substanciada na Argentina, pela não atualização da picape Ranger e do automóvel Focus. Manterão linhas defasadas até serem repelidos pelo mercado – possivelmente no fim de 2019. No Brasil os produtos automóveis serão substituídos por único modelo, pequeno utilitário esportivo, cujas partes já começam a integrar os novos Ford Ka.

Caminhões não terão vida longa e, ao fim, a grande área fabril em São Bernardo do Campo, SP, será vendida. Toda a produção do mono Ford ocorrerá em Camaçari, BA. Na prática, a continuidade da Ford, sem investimentos para novos produtos, instiga-a no sentido de tê-los sem aplicar para fazer, e a saída é comprar de terceiros.

Pablo Di Si, chefe da VW América do Sul, disse à agência Reuters que negócios concretos apenas em 2019. Será o primeiro passo, e há quem aposte na produção da picape Amarok das duas caras e duas marcas – como ocorrerá também na vizinha Argentina com picapes Nissan, Renault e Mercedes. Início com produtos existentes, e futuramente desenvolvimento conjunto Ford+VW. A iniciativa da Ford visa âmbito mundial.

Empresa iniciou tratativas com o grande grupo indiano Mahindra, no mesmo sentido – e para aprender a fazer veículos com custos reduzidos.

KIA RETOMA MERCADO COM STINGER E STONIC




Stinger. Poucos, mas para ser referência.

Kia iniciou a operação resgate – de vendas e participação no mercado nacional. No rescaldo dos prejuízos causados pelo nunca explicado programa Inovar-Auto, suas vendas desabaram de mais de 80 mil unidades em 2011 para aproximados 5.000/ano. Este ano pretende vender 8.000 veículos, mantendo o crescimento nos próximos.

Forma de bem assinalar a marca será com o sedã Stinger, de dinâmica esportiva: grande, 4,83m, 2,91 de entre eixos, bom espaço aos usuários. Motor V6 3,3 litros, biturbo, 370 cv, acelera de 0 a 100 km em 5,8s. Um exemplo. Há 25 anos a Hyundai copiava carros japoneses fora de produção. Com um projeto de aposta no futuro de uma geração bem formada, colhe os resultados. Nós, com a cabeça de colônia, continuamos replicando produtos exógenos – do exterior – e com projetos de baixa nacionalização.

Trará ao Brasil contidas 20 unidades, promocional, ante seu preço, projetado em R$ 400 mil – a Kia deu um tempo nas importações até arrefecer o corcoveio do valor do dólar. Será a série Launch Edition by Emerson Fittipaldi.

É um flagship, bandeira da marca, para mostrar tecnologia, um de seus pontos fortes. Entretanto o modelo no qual deposita suas fichas para crescer é o Stonic – nome deve ser mudado para outro com melhor latinidade. Nos mercados com preponderância do idioma inglês, Stonic tangencia dicionários como aglutinação de Speedy, veloz e Tonic, tônico.

É feito no México, importado sem as inexplicáveis cotas – na verdade, explicáveis vistos agentes e interesses envolvidos – e sem pagar imposto alfandegário dentro do acordo comercial entre os dois países. Lá é produzido sobre a plataforma do pequeno sedã Rio, é tratado como hatch. No Brasil, mercado de pouco esclarecimento, será mais um utilitário esportivo, não apenas por tal morfologia ser de agrado e preferência do mercado, mas facilitado pela classificação permitida pela ABNT. A entidade os define por ângulos de entrada e saída de obstáculos, dados físicos alcançáveis com a simplória elevação da carroceria, conferindo-lhe ar de valentia, tão ao gosto do mercado.

Tem 4,14m de comprimento – concorrentes frontais, Chevrolet Equinox, 4,16m; Citroën Cactus, 4,17m; e medida do futuro VW T-Cross. Ford EcoSport 4,26m, e Hyundai Creta 4,25m, são maiores.

Motorização 1.0 Turbo e 1.6 aspirado, transmissão mecânica de 6 velocidades. Estará no Salão do Automóvel, boa ocasião para escolha popular do nome, e vendas em 2019.


Stonic: versão local mais alta para virar SUV

RODA-A-RODA



DE NOVO – Depois de perder seu negócio no original Uruguai para a chinesa Lifan, empresário Eduardo Effa resolveu aviar a fórmula em Manaus, AM, para aproveitar as vantagens incentivadas e regra de produção local.

MAIS – Quer, próximo ano, incluir dois monovolumes na linha das picapes lá montadas: van para passageiros e, sem vidros laterais, para cargas.

FÓRMULA – Negócio simples: peças compradas na China e agregadas na Zona Franca de Manaus.


Mitsubishi Eclipse Cross. Lançamento pós-Salão.

VEM AÍ – HPE, fabricante dos Mitsubishi no Brasil, apresentará o modelo Eclipse Cross. Nada a ver com o esportivo na década de 1990 preferido por intelectuais futebolistas, mas um SUV construído sobre o Crossover AMX.

COMO É – Medidas assemelhadas ao ASX, motor turbo e injeção direta 1,5 litro, tração nas 2 e 4 rodas. Preço projetado em R$ 130 mil para versão mais simples.

CAMINHO – Empresa adotou temerário caminho de comunicação para o lançamento: apresentou o carro às 9h nas redes sociais e às 19h à imprensa.

ANTECIPAÇÃO – T-Cross, próximo SAV da Volkswagen, motor 1.4 TSI, câmbio automático de 6 velocidades, programado para apresentação no Salão do Automóvel, com vendas em janeiro, terá mostra anterior.

CONJUNTO – VW Brasil confirmou, será dia 3. Carros com disfarces. Apresentação conjunta para Brasil, Alemanha e China, locais onde será produzido.

MÃOS DADAS – Concorrentes em automóveis, BMW Group e Daimler AG – dona da Mercedes –, fizeram joint venture em mobilidade global. Longe da base das companhias, escolheram Berlin por simpatia ao governo alemão, incentivando o renascimento da cidade. Querem desenvolver e vender soluções ao mundo.

NEGÓCIO – A mudança de óptica negocial, fazendo a Toyota do Brasil líder continental, e da unidade argentina base para produzir picapes Hilux e o SUV SW4, ambas com a missão de abastecer o continente, ampliou-se.

ÁFRICA – Toyota argentina iniciará a exportar partes para linha de montagem na África do Sul, e por seu intermédio vender picapes argentinas à Europa. Hoje tal fornecimento é feito pelo país africano, com capacidade industrial saturada. Os Toyota argentinos farão a triangulação.

CORREÇÃO – Ford Ka aplicou reforços estruturais para a Coluna B e obteve três das cinco estrelas possíveis para proteção de passageiros adultos em teste do Latin NCAP. Na avaliação anterior havia recebido zero.

ALAVANCA – Nota é verdadeira enzima de segurança, e fabricantes como a Ford e a GM, expostas à insegurança de seus produtos, tratam de repará-los por questões institucionais e de responsabilidade civil – o medo das sentenças condenatórias em ações de indenização.

ANTIGOS – Autoclásica, na Argentina, maior evento de antigomobilismo do continente, junta atrações. Nesta edição, outubro, Citroën festeja os 50 anos do Mehari, e levará raridades à mostra. Uma delas, uma picape feita sobre o 2 CV em 1964 e 1965. Iniciativa mundial, o mercado não se mostrou sensível e produção cerrou na 300ª unidade. Restou uma – a ser exposta.

GENTE – Robson Cotta, engenheiro, 36 anos de Fiat. OOOO Gerente de desenvolvimento, criou escola e método para acerto de direção, suspensão e freios. OOOO Os da FCA são primorosos e ampliam mercado. OOOO Trabalho realizado nos Fiat Freemont foi adotado nos EUA pelo Dodge Journey. OOOO Rogério Franco, porta-voz da Citroën, deixa a empresa a partir de novembro. OOOO Excelente nome, correto, experiente. OOOO Mercado é carente destas qualidades. OOOO

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