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Opinião | Joel Leite |

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Joel Leite

19/09/2018

Lucro Brasil

Na hora da venda seu carro usado não vale nada

Ligia Roséli, dona de um Uno Vivaci 2011, saiu à procura de um carro; queria trocar o Uno por um mais novo. Encontrou um Ecosport 2013 numa loja de usados por R$ 40 mil.

Como o seu Uno é cotado a R$ 22,5 mil, teria que voltar R$ 17,5 mil, um negócio razoável: teria um carro maior e dois anos mais novo. Triste foi a oferta que ela recebeu pelo seu carro, na troca: o vendedor mandou R$ 12 mil pelo Uno que ela pagou R$ 22,5 mil há apenas seis meses e que está cotado a R$ 22 mil nas tabelas de referência do mercado.

Segundo Lígia, o Uno está impecável, com 40 mil quilômetros rodados (o normal para um carro de sete anos de uso é 80 mil, 90 mil km). Essa desfeita é uma das facetas do Lucro Brasil, cultura que prega o lucro a qualquer custo, buscando o ganho rápido e desenfreado. O sujeito aposta na falta de informação do comprador: chuta alto, se colar, colou.

No mercado de usados é assim: quando você vai comprar, o carro é o melhor do mundo; quando vai vender, ele não vale nada: não tem equipamento, a versão é pouco procurada, a cor é ruim... Eles inventam de tudo para depreciar o seu patrimônio.

Os vendedores alegam que precisam pagar menos para terem uma margem de lucro na revenda. É compreensível: se você tiver que vender o seu carro rápido, numa loja ou numa concessionária, terá que aceitar uma oferta abaixo da cotação de mercado.

Mas desvalorizar tanto assim o seu bem não é aceitável. O melhor é ter um pouco de paciência, anunciar o carro nos classificados e de preferência vender para um particular, onde não há margem de lucro e o negócio fica bom para os dois lados.

Comentários

  • PedroPaulo

    Joel,concordo integralmente com você. Nunca vi prática tão lamentável, mesquinha e absolutamente sem propósito algum a não ser de depreciar o veiculo do cliente. Em alguns casos, desisti até mesmo do veiculo novo que estava procurando em certa marca por ter ficado perplexo. Inclusive parece que há uma certa "obrigação" em aceitar o veiculo na troca. Afirmo isto pois seria muito mais digno da concessionária informar que não tem interesse e/ou não pode pagar o que o veiculo vale, o que infelizmente não acontece. Depreciam e como você escreveu, "se colar, colou". Abraços

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