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Opinião | Joel Leite |

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Joel Leite

29/08/2018

O carro já anda sozinho, mas automação total só em 2025

Conheça os cinco níveis de automação, o que faz cada um deles e quando estarão no mercado

Os veículos autônomos são classificados em cinco níveis, conforme o número de equipamentos e de tecnologia embarcada, conforme norma estabelecida pela SAE internacional, a sociedade de engenheiros automotivos. Embora a tecnologia venha sendo desenvolvida com rapidez, estamos ainda longe de circular pelas ruas com um carro totalmente autônomo.

Jean Silva, da Here Technologies, empresa que desenvolve tecnologia de software para condução autônoma, remete para o ano de 2025 o momento em que o carro poderá fazer tudo sozinho, dependendo apenas das ordens do motorista (ou melhor, do usuário), ou seja, o veículo autônomo nível 5.

Hoje a indústria já produz o carro de nível 3 de autonomia, aquele que opera de forma autônoma em determinadas situações, mas o motorista ainda tem o controle. Pelo menos quatro modelos, de quatro marcas, já rodam nas ruas nessas condições (veja mais adiante).

No Brasil, estamos engatinhando no nível 1, aquele carro com controles de aceleração e de velocidade.

Vamos aos cinco níveis de automação e a distância de tecnologia e de tempo que estamos de cada um deles.

O carro comum está fora dessa classificação, o “nível zero”. É o veículo em que o motorista tem o controle total. Não há nenhum recurso de automação.

No nível 1 estão os carros equipados com assistência à condução, auxiliando o motorista na direção e em eventuais frenagens e acelerações: dotados de controle de aceleração e controle de velocidade. Nos EUA, no Japão e na Europa 30% dos carros já estão nesse nível. No Brasil, apenas 5% têm esses equipamentos.

O nível 2 de automação é dotado de recursos que permitem condução semi-autônoma, atuando no volante e pedais: os equipamentos são o controle ativo de velocidade e de direção, estacionamento automático e frenagem automática de emergência. 30% dos carros produzidos nos Estados Unidos já estão esse nível. No Brasil, apenas 0,1%, segundo a Here Technologies.

No nível 3, o carro pode operar de forma autônoma em determinadas situações de tráfego, mas o motorista ainda tem o controle, tendo que assumir a direção quando necessário. O carro ganha autonomia em velocidade acima de 60 km/h: assume a direção e controla pela sinalização horizontal e vertical.

Em frações de segundo o carro precisa enviar as informações para uma central para serem processadas. Captura imagem da placa de trânsito, manda para a nuvem, que processa e manda a informação para o carro. É a precisão levada ao extremo. Mesmo tendo mapa, precisa captar informação local e processar em fração de segundos fazer o que o cérebro faz. 10% dos carros feitos nos Estados Unidos e na Europa já possuem esses equipamentos. Alguns exemplos são o Audi A8, o Volvo XC 90, o Mercedes-Benz Classe S e o BMW Série 7. No Brasil o índice é zero.

O quarto nível de automação ainda não é realidade. Os primeiros carros devem surgir nessas condições daqui a dois anos, em 2020. Serão equipados com uma infinidade de sensores, com sistema a laser, que enxergam em 3D. Os veículos deste nível podem atuar sozinhos em diversas condições, exceto em condições climáticas e ambientes adversos. Abaixo de 40 km/h precisa a ação do homem ao volante. Os veículos de nível 4 ainda estão em desenvolvimento.

A autonomia total dos veículos automotores deve chegar entre 2023 e 2025: é o nível 5, o mais avançado. Nessa condição, o usuário simplesmente determina o destino e o carro obedece. O veículo faz tudo sozinho. Pedais e volante são dispensáveis; os comandos podem ser feitos por voz ou pelo celular.

PARCERIAS



A Here, que é também líder global em serviços de mapeamento e localização, fez uma parceria recente com a Renovo – empresa de tecnologia de software de mobilidade – para a fomentação de troca de dados em todo o ecossistema de transporte, com o objetivo de aumentar a segurança, a eficiência e o conforto para os passageiros.

As duas empresas estão trabalhando em uma nova interface de tecnologia para maximizar a utilidade dos dados de sensores gerados por frotas de veículos automatizados na atualização de mapas altamente precisos.

“À medida que construímos a infraestrutura de dados necessária para carros autônomos, a colaboração entre os principais fornecedores de tecnologia e entre setores é essencial”, disse Edzard Overbeek, presidente da Here, empresa que tem parceiros como Audi, BMW, Bosch, Continental, Daimler, Intel e Pioneer.

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Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
joelleite@autoinforme.com.br

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