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Opinião | Joel Leite |

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Joel Leite

23/08/2018

EUA culpam SUV por aumento dos atropelamentos

Sistema de detecção de pedestre e frenagem de emergência deverá ser obrigatório a partir de 2021

Entidades ligadas à segurança veicular dos Estados Unidos denunciam que os utilitários esportivos geram maior risco de atropelamentos de pedestres do que os demais modelos. Isso ocorre porque os chamados SUVs têm pior visibilidade.

As autoridades veem com preocupação o aumento de acidentes desses carros em atropelamentos, que nos últimos dez anos aumentaram 46% nos Estados Unidos, período em que a participação dos SUVs nas vendas de veículos teve expressivo aumento no mercado.

A indústria se defende: o representante de uma montadora disse que aumentou o número de atropelamentos por SUVs porque há mais SUVs nas ruas...

Mas agências de segurança estadunidenses confirmam que os SUVs, por serem mais altos e maiores, oferecem menor visibilidade ao motorista.

Os especialistas vão além na acusação dos SUVs como os mais perigosos para os pedestres. Alegam que eles são mais pesados e que os donos desse tipo de carro estão mais propensos a distrações ao volante, porque usam mais o celular e se distraem com mais facilidade, uma vez que os SUVs costumam ter mais acessórios e equipamentos para serem operados.

Até a qualidade dinâmica do carro é alegada como maior risco: são carros com menor manobrabilidade e menos reativos a uma eventual manobra de emergência para desviar de um pedestre ou um ciclista.

Diante de todas essas questões, as autoridades de trânsito vão exigir dos fabricantes de SUVs e crossovers a incorporação de sistema de detecção de pedestre e frenagem automática de emergência até 2021.

A câmera de ré é um item essencial para a segurança nas manobras e é cada vez mais utilizado nos carros fabricados no Brasil. Até modelos de entrada já têm o equipamento. Apesar dessa disseminação, o programa Rota 2030 prevê a obrigatoriedade da câmera de ré somente 2032.

O Cesvi, Centro de Experimentação e Segurança Viária, criou o índice de visibilidade avaliando os pontos cegos dos veículos, tanto pela obstrução da visão pela coluna A, quanto os pontos cegos dos retrovisores laterais externos. O estudo também avalia a visibilidade do espelho retrovisor interno (área traseira do veículo visível pelo retrovisor interno). Os carros com sensores e câmeras de estacionamento recebem pontuação diferenciada.

De certa forma, o Cesvi corrobora com a tese de que o desenho do veículo pode determinar (prejudicar ou melhorar) a visibilidade: “A visibilidade em determinados modelos pode ser prejudicada por dois motivos: design ou formato de carroceria. Por exemplo, os veículos que têm ‘linha de cintura’ mais inclinada fazem com que objetos na traseira do veículo sejam visualizados de forma mais distante quando é visto pelo retrovisor interno”, avalia o estudo.

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Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
joelleite@autoinforme.com.br

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