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Opinião | Roberto Nasser |

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Roberto Nasser

04/08/2018

Ford sairá do Brasil ou encolherá?

Ao divulgar balanço, companhia fala em necessidade de “redesenho” das operações na região

Desde o ano passado, e em especial em 2018, são recorrentes as informações quanto às decisões da Ford para o seu futuro na América Latina. Em fevereiro esta Coluna obteve documentos indicando definição de encolher a empresa. Causa está em cinco anos seguidos de prejuízos, somando US$ 4,2 bilhões no período – a grosso modo, perder diariamente R$ 10 milhões. E na situação da matriz, com largos investimentos em mudança de tecnologias em seus produtos, sem margem para desviar recursos e suprir filiais dando prejuízo.

Quarta-feira, 2, em seguida a uma reunião para anúncio do balanço da empresa, Bob Shanks, diretor de finanças, utilizou linguagem florentina para projetar o futuro: “O negócio na região não possui uma forte posição competitiva”. Enfatizou “não ter tido retorno apropriado” e apontou necessidade de “um significativo redesenho no modelo de negócio local, onde jogar e como vencer”.

Na prática repetiu as palavras do CEO Jim Hackett há meses.

A agência econômica Bloomberg divulgou fato e informações de a Ford ter contatado FCA e Volkswagen sobre a possibilidade de venda da operação local.

Empresa não tem o que dizer, não apresenta dados, projetos, carros novos ou investimento para o futuro, e isto ficou espelhado no comunicado dirigido à preocupada rede de revendores. Não assinado pelo presidente, mas por vice e diretor, diz ser incorreta a matéria, contestando-a com a declaração, onde utiliza a ampla imprecisão do termo “redesenho”, aplicado por Bob Shanks, para dizer da “necessidade de rever a operação na América Latina, até onde devem participar e como vencer neste mercado”.

Na prática
A meu ver não há dúvidas: a Ford decidiu enxugar a operação na América Latina. Nome pomposo, de prejuízos diários. Operações fechadas na Venezuela; muito dinheiro a receber do ex-companheiro Maduro; prejuízo nos dois países onde restam operações, Argentina e Brasil.

De muita conversa com fontes, gente especializada em mercado, medidas adotadas pela empresa, esta Coluna publicou um resumo e projeções: na Argentina, não atualizar o Focus e o Ranger – mudanças apenas as legais e cosméticas. Aqui no Brasil, em 2019, encerrar a fabricação de caminhões e do Fiesta na tradicional fábrica de São Bernardo do Campo, SP, vendendo a grande área à especulação imobiliária; concentrar produção na unidade de Camaçari, BA, e ter apenas um produto, o Active, a ser feito sobre o recém-apresentado Ka FreeStyle; encerrando, também, o EcoSport.

Prazo desconhecido pois há legislação de incentivos envolvida no processo, e a companhia faz lobby para extensão das benesses. Para não deixar sangrar o caixa dos revendedores, promete ampliar a importação de veículos.

À época, consultando o brasileiro mais qualificado na empresa, percebi uma crise em comunicação social ao não receber respostas sólidas.

Mês passado, adensando os cortes, a Ford dispensou quase todos os motoristas e analistas de comportamento de veículos em sua pioneira pista de Tatuí, SP, mostrando falta de produtos em seu futuro. Novamente questionada, empresa saiu-se com uma hipérbole pouco explicativa. Aparentemente pouco há a negar.

O texto da Bloomberg mostrou que as definições estão em curso, e a falta de convencimento na negativa da Ford adensa a teoria do nada haver a ser dito.

Pessoalmente não creio na companhia deixando Brasil e América Latina. É enorme e promissor mercado. Considero a possibilidade do encolher atividades, porém mantendo o pé na região, esperando a volta do ciclo dos grandes lucros.

No tema, liguei para um dos meus aconselhadores pessoais, homem prático, idoso, criador de bois no Goiás. Não entende de firulas da linguagem, mas da vida. Contei o caso didaticamente, empreguei o termo “redesenho” citado pelo executivo norte-americano e repetido pela Ford no Brasil. Ouviu, falou pausadamente, concluindo com a objetividade do campo goiano: ”Conversa para enganar mãe de moça. Este povo vai vazar ou minguar”.

ÔNIBUS MERCEDES: SEGURANÇA E AUTONOMIA



Ato de coragem, a Mercedes-Benz deu um salto tecnológico, agregando aos ônibus rodoviários da linha O 500 RS e RSD 14 itens de segurança, com vistas a reduzir os riscos de acidente. De maior expressão, o piloto automático adaptativo, capaz de acelerar e frear independentemente do controle do motorista, mantendo distância segura com relação ao veículo precendente.

É sistema chegado aos carros de luxo e agora aplicado ao transporte rodoviário. Segundo a empresa, é importante passo em direção ao ônibus autônomo.

O sistema tem sensores na dianteira percebendo, a partir de 200 m, a presença de veículos á frente, reduzindo a velocidade e, se for o caso por proximidade, inicia frear o coletivo. É extremamente útil em países como os da América Latina, com longas retas e descidas, avultando em utilidade se em caso de chuva ou visibilidade reduzida.

O ACC acelera e freia automaticamente para evitar impactos, e se desliga a velocidades inferiores a 15 km/h, mantendo o comando com o motorista.

O pacote montado pela Mercedes e aplicado aos ônibus O500 reúne 14 itens tecnológicos de segurança. Walter Barbosa, diretor de vendas e marketing ônibus na Mercedes entende, a aplicação do ACC nos ônibus aumenta o nível de segurança nas estradas, com efeitos sobre motoristas, passageiros, usuários das vias. Para ele, o equipamento supera um piloto automático convencional, limitado a manter velocidade pré-selecionada.

A agregação do ACC é passo na direção do ônibus autônomo. Seu principal modelo de vanguarda tecnológica, o Future Bus Mercedes-Benz já o emprega na Europa. Sua aplicação é para médias e longas distâncias. No caso, o pacote incluindo o ACC tem14 itens de segurança, conjugando sistema de frenagem de emergência; aviso de mudança de faixa sem sinal; monitoramento da pressão dos pneus; Retarder, auxiliar de frenagem; Top-Brake, freio-motor; suspensão antitombamento; controle de tração; suspensão pneumática controlada eletronicamente; controle eletrônico de estabilidade; eixo direcional; freios a disco.

Aduz o executivo, a família O 500 é a mais moderna e avançada, desenvolvida no conceito modular, permitindo receber todos os tipos de carroceria imaginada pelos clientes.

RODA-A-RODA



PSA – Le Groupe, como ao Grupo PSA se referem atualmente orgulhosos colaboradores de Peugeot, Citroën, DS e autopartes, ofereceu resultados surpreendentes: faturamento de € 38,595B no primeiro semestre de 2018; 40,1% superior ante primeiro semestre de 2017. Faturamento da Divisão Automotiva cresceu 29,9%, com rentabilidade recorde de 8,5%.

MAIS – Projetam crescer 4% na Europa; 2% na América Latina; 10% na Russia e 2% na China; atingir margem operacional acima de 4,5% entre 2016 e 2018, e ultrapassar 6% até 2021.

TÁ MAUS – No Brasil o grupo precisa se reinventar. Perdeu o líder Carlos Gomes, transferido para os negócios da China; dividiu o país em dois, com poucas vendas do Sul até Brasília, e quase nulas acima da Capital; vendeu mês passado 3.000 unidades das marcas Peugeot e Citroën. Na Argentina estão um pouco melhor.

E? – Volume é inexplicável a quem tem operação completa no Brasil, incluindo fundição de motores e, pior, não garante saúde financeira ou interesse da rede de revendedores. Internamente empresa continua o corte dos postos de trabalho.

PRODUTO – Para aumentar opções a compradores e trabalho com a rede revendedora, marca apresenta versão 2019 de seu utilitário Partner. Vindo da Argentina utiliza motor nacional, L4, 1,6 litro de cilindrada e 122 cv. Diz ser mais potente e econômico.

MIMOS – Projeto antigo, teve mudado painel de instrumentos, agora digital, computador de bordo e indicador para troca de marchas e maior economia. No operacional transporta 800 kg; tem plataforma lisa para melhor manuseio da carga; conta com porta lateral.

MAIS UMA – Nissan iniciou produzir o picape Frontier na Argentina. Leitores da Coluna sabem como furo mundial da criação de um espaço dentro da fábrica Renault em Santa Isabel, Córdoba, para a operação e métodos Nissan fazendo mesmo produto para ser vendido com sua marca, Renault e Mercedes.

JUNTO – Vendas Nissan começam no trimestre final; Renault Alaskan ao fim do ano; Mercedes Classe X em 2019. Duas primeiras idênticas, e Mercedes com mudanças para torná-lo mais automobilístico e menos camional, por bitolas aumentadas, melhor trato termo acústico, ajuste entre partes – trocou, até, o trambulador da caixa de marchas para operação mais confortável. Motor Nissan, diesel, L4, 2.3. Mercedes terão opção superior V6.

NEGÓCIO – Há alguns anos expertos automobilísticos definiram-se pela Argentina como base de produção de picapes e SUVs delas derivados, para servir ao mercado latino-americano. Lá produzem Toyota HiLux; Ford Ranger; VW Amarok; e agora Nissan/Renault/Mercedes. No Brasil Chevrolet e Mitsubishi.

MERCADO – Capacidade de produção será de 70 mil unidades/ano. Destas, mercado doméstico consumirá metade. Brasil será o maior cliente.

AUDITORIA – Não informado pela Nissan, produção dos Mercedes já começou. Para auditar produtos, primeiras unidades estão sendo enviadas à matriz alemã. Na Argentina, informou, terá auditoria ao fim da linha de montagem para garantir a qualidade de partes e mão de obra. Alemães fiscalizando argentinos e japoneses na casa alheia…

ONU – Para entender: carro japones desenvolvido no México, fabricado na Argentina por fábrica francesa, e servindo a cliente alemão? E como as Aliadas Nissan e Renault venderão o mesmo produto?

PERIGO – LatinNCAP, organismo latino-americano para segurança veicular, submeteu a testes de avaliação o Nissan March feito no Brasil. Resultado decepcionante: num teto de cinco estrelas, recebeu uma para incolumidade do motorista, e duas para proteção de crianças no banco traseiro. Laudo do instituto rotula a estrutura da carroceria como instável.

FALHAS – Na relação de inconsistências, o LatinNCAP apontou falta de aviso para utilizar o cinto de segurança; de ancoragem ISOFIX para as cadeiras infantis; proteção limitada pelo emprego de sistema SRI para proteção infantil. Uma olhada às falhas sugerem economia na construção em detrimento da segurança dos passageiros.

REGRA – Governos deveriam acompanhar os testes, auditar resultados, tornar obrigatório oferecimento de segurança aos usuários. Afinal, sem cinismo, o secretário da Receita Federal deveria entrar neste circuito para garantir a incolumidade de quem pagou muitos impostos sobre um veículo, e este não garante sua sobrevivência ou a de seus herdeiros, para a compra do próximo…

TEMPO PASSA – Fábrica GM em Gravataí, RS, comemorou 18 anos de atividade e produção de 3,5 M veículos. Primeira unidade de automóveis das marcas filiadas à GM instalar-se fora de SP, é hoje sua maior operação.

ÁGUIA – Das maiores operadoras de ônibus rodoviários no país, a espitiro-santense Águia Branca deu passo de relevo tecnológico, ao comprar novos 50 ônibus – dentre os 105 a ser adquiridos como renovação de frota neste ano –, duas unidades portarão sistemas de tecnologia de ponta.

NOVIDADES – Foram anunciadas pela Mercedes-Benz no Lat.Bus & Transpúblico, maior evento do setor na América Latina, e ora em realização em São Paulo. Equipamentos são o ACC – Active Cruise Control, piloto automático adaptativo; AEBS, Advanced Emergency Braking System, sistema de frenagem de emergência: e o LDWS, Lane Departure Warning System, de aviso de mudança não sinalizada de faixa. Junto foi o pacote de Fuel Efficiency, para redução de consumo e manutenção, já em uso pela Águia.

NGK, 59 – Corajosa, seguindo os passos do cliente Toyota, a fábrica de sistemas de ignição NGK há 59 anos abriu, em Mogi das Cruzes, beiradas de São Paulo, sua primeira fábrica fora do Japão. A localização bem mostrava a falta de conhecimento com o país, valendo para tanto curioso dado: o grande número de japoneses na cidade, pequena, nitidamente agrícola. Empresa hoje é das maiores na especialidade, com forte presença no mercado local e exportações de velas e seus cabos à América Latina.

MUDANÇA – NAIAS, o conhecido Salão de Detroit, mudará no nome e feição. Em lugar do janeiro gelado e lúgubre em Michigan, o Sol do Verão. Mudança contorna outros pontos, como vôos de menor preço, pois fora da temporada festiva, test-drives.

GENTE – Sergio Duarte, jornalista, 70, passou. OOOO

Comentários

  • Alvarenga

    Quantoa questão da Ford, tenho varios colegas que confirmaram grande dispensa de funcionarios e terceirizados desde o inicio deste ano em SBCampo, inclusive de engenharia, da ordem de 30% do efetivo. Com isto boa parte da estrutura de suporte do Fiesta e de caminhões foi quase desmontada. Dizem que até o fim do ano mais dispensas virão, então realmente parece que nada vai sobrar em SBC.

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