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Opinião | Joel Leite |

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Joel Leite

20/06/2018

Distração com tecnologia já mata mais do que embriaguez ao volante – na Alemanha

Uso do celular já briga com o álcool como principal causa de acidentes de trânsito; mas outras distrações também são perigosas

A maior parte dos acidentes ocorre por causa da distração do motorista ao volante. E a maior parte dessas distrações atualmente é provocada pelo uso da tecnologia, como telefone celular e navegação por GPS. Levantamento feito pelo Centro de Tecnologia Allianz na Alemanha mostra que o risco de um acidente cresce exponencialmente quando o motorista divide a atenção entre o trânsito e a tecnologia, causando mais estragos até do que a embriaguez ao volante.

No país europeu, a distração do motorista já mata mais do que a combinação de álcool e direção. Em 2016, mais de 3,2 mil pessoas morreram nas estradas da Alemanha e 256 delas porque uma das vítimas envolvidas estava bêbada. Significativamente mais gente, por volta de 350, morreram devido à falta de atenção ao volante. De acordo com especialistas, um décimo dos acidentes de trânsito com fatalidade é causado por motoristas distraídos.

Segundo a pesquisa da seguradora, 60% dos motoristas envolvidos em acidentes na Alemanha usavam o telefone celular enquanto dirigiam. A conclusão dos técnicos é que quanto mais itens de tecnologia no veículo e mais complexa seja a sua operação, mais distraído estará o motorista.

Outro resultado assustador da pesquisa da Allianz é que três em cada quatro motoristas admitiram que costumam se distrair com as tecnologias existentes no veículo ou com o aparelho celular. Não por acaso, o homem é responsável por 90% dos acidentes de trânsito. Os outros 10% são resultado de problemas com o carro ou com a via.

LIGAÇÕES PERIGOSAS AO CELULAR


O uso do celular é tão disseminado que um em quatro motoristas afirmou que lê mensagens de texto enquanto dirige e (acredite!) 15% afirmaram que as respondem. Nos Estados Unidos a realidade é parecida. Um estudo feito no país apontou que quase 60% dos entrevistados lêem mensagens no celular com o veículo em movimento.

Jochen Haug, diretor de sinistros da Allianz Alemanha, considera o uso do celular ao volante tão nocivo quanto o álcool e defende que a sociedade precisa tomar uma atitude diante dessa realidade. Afinal, até os anos 70, era aceitável um motorista beber e dirigir, mas depois de muitas mortes em consequência do álcool as velocidades nas rodovias foram controladas e estabeleceu-se um nível máximo de álcool no sangue.

“O comportamento em relação à bebida alcoólica mudou. Não é mais socialmente aceitável beber e dirigir. Nós precisamos adotar a mesma atitude em relação ao uso do celular no volante”, disse o especialista, concluindo: “Nosso estudo é claro, o motorista que usa o celular enquanto dirige coloca vidas em risco”.

MUITAS OUTRAS DISTRAÇÕES


Na verdade, qualquer ação ou desvio de atenção ao dirigir aumenta o risco de acidente. Se falar ao celular aumenta em 1,3 vez o risco de acidente e digitar o número do telefone eleva em 2,8 vezes (dados de levantamento feito no Canadá), ao comer enquanto dirige o risco é 1,6 vez maior. Simplesmente olhar para alguém no carro eleva em 3,7 vezes a possibilidade de uma colisão.

Há muitos casos de acidente por causa do desvio da atenção do motorista para atender o choro do bebê ou o grito de uma criança no banco de trás.

Qualquer desatenção pode provocar um acidente e são muitas as possibilidades, além do álcool e do celular. O levantamento feito pelo Centro de Tecnologia Allianz e a Continental em vários países revela que 40% dos acidentes ocorrem ao manobrar ou estacionar o carro.

Os novos formatos e aumento do tamanho dos veículos contribuem para o aumento disse tipo de ocorrência, uma vez que o tamanho das vagas nos estacionamentos não está acompanhando essa evolução. A expectativa era de que esse tipo de ocorrência diminuísse com as novas tecnologias de câmeras traseiras e sistemas automáticos de estacionamento.

Recomenda-se estacionar o carro de ré, uma vez que a vaga normalmente está livre. Já ao tirar o carro da vaga de ré o risco de um atropelamento é maior.

O sono ao volante é uma das principais causas de mortes, principalmente nas estradas. Um levantamento feito pela Academia Brasileira de Neurologia mostra que 20% dos acidentes de trânsito estão associados à sonolência do motorista. Os horários com maior incidência desse tipo de ocorrência são a madrugada e início da tarde, após o almoço, horários em que o sono mais ataca. Uma fração de segundo é suficiente para ocorrer uma tragédia.

Um estímulo vindo de fora pode provocar uma direção mais agressiva, assim como uma situação de relaxamento. Ambas as situações podem resultar em displicência.

Uma investigação feita com um simulador de direção pela Universidade de Leicester, no Reino Unido, revelou o comportamento de um motorista influenciado por um jogo de futebol que escutava pelo rádio. Quando o ritmo do jogo do seu time aumentava, com o avanço para o ataque e a iminência de marcação de gol, o motorista reagia acelerando o veículo acima do normal. Durante o período do ataque de seu time, o motorista pisou fundo no acelerador, aumentando a velocidade do carro de 110 km para 124 km/h em 22 segundos. Qualquer coisa que mexe com as emoções provoca mudança no comportamento, com o aumento da adrenalina.

Mas a situação mais arriscada para o motorista, segundo o estudo canadense, é a presença de um inseto dentro do carro, que multiplica por 6,4 a probabilidade de um acidente. Você já deve ter vivido essa experiência: a gente abre a janela na expectativa de que o bichinho seja sugado pra fora do carro, abana a mão no painel, bate no inseto com um pano... Aparentemente insignificante, o inseto se transforma num imenso problema e ninguém no carro fica sossegado enquanto estiver na companhia dele.

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Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
joelleite@autoinforme.com.br

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