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Opinião | Marcelo Paiva |

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Marcelo Paiva

Colaboração na cadeia automotiva é o caminho para a competitividade

Empresas buscam cooperação para ganhar flexibilidade e agilizar entregas

O último relatório Future of Jobs, do Fórum Econômico Mundial, aponta que a demanda por profissionais até 2020 será mais voltada a encontrar pessoas com habilidades de soluções de problemas complexos, competências sociais e de sistemas e menos focada em buscar aptidões físicas e técnicas especificas. O mesmo estudo conclui que, nos próximos anos, iremos passar por período de forte transição: a perspectiva de emprego global vai ficar mais achatada, porém com alta rotatividade entre as vagas nas indústrias e rodízio de habilidades na maioria das profissões. Neste caminho de mudanças radicais, a tecnologia é fator importante para o progresso e os lideres também passam a ter papel imprescindível para explorar novos caminhos e tomar decisões em um ambiente mais complexo e disruptivo.

Corroboro com o engenheiro e economista alemão Klaus Schwab em seu livro “A quarta Revolução Industrial”, em que destaca a Inteligência Contextual como pré-requisito para um líder atualmente. Segundo o autor, os gestores precisam ter capacidade de discernir as tendências em face da complexidade, bem como potencial para se adaptar e se moldar os eventos, além de disposição para antecipar tendências emergentes e ligar os pontos.

Num futuro próximo também surgirão muitas novas posições e profissões, geradas não apenas pela quarta revolução industrial, mas também por fatores não-tecnológicos e mudanças geopolíticas. No Brasil já podemos sentir as mudanças depois da aprovação da Reforma Trabalhista e a nova Lei de Terceirização.

Localmente alguns fatores pode, inclusive, limitar o potencial da quarta revolução industrial, como o baixo nível de liderança capacitada e qualificação da mão de obra devido à falta de qualidade no sistema educacional, falta investimento em inovação e abertura do mercado e entraves burocráticos que impedem o desenvolvimento de um bom ambiente de negócios.

Com o início de uma revolução tecnológica que deverá alterar a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos, as empresas nem sempre dispõem das competências de que precisam para reagir imediatamente às necessidades do mercado, especialmente quando há demanda especifica e volátil. Nesse contexto, a capacidade de continuamente aprender, propor soluções, adaptar-se e desafiar os problemas e modelos conceituais existentes é o que irá distinguir as empresas que terão sucesso nos próximos anos.

TERCEIRIZAR PARA INOVAR

Diante deste novo cenário, acompanhado da pior recessão da história do setor no Brasil e da concorrência acirrada entre os mercados nacional e internacional, as empresas precisam promover rearranjo produtivo. O caminho é aperfeiçoar os produtos e concentrar-se no core business. E é justamente neste ponto que o outsourcing, a já conhecida terceirização de serviços para outras empresas da cadeia produtiva, ganha mais força. Este é um caminho seguro para obter acesso a conhecimentos específicos e a novas tecnologias, lançar rapidamente produtos, gerenciar as incertezas, otimizar processos existentes, elevar a flexibilidade, atender demandas especificas e voláteis, além de reduzir custos e melhorar a qualidade. O mercado de serviços para a cadeia automotiva está em transformação, mais preparado para oferecer soluções inovadoras, com baixo custo e maior flexibilidade. Por meio de parcerias estratégicas nesta área, empresas conseguem gerar economia e fazer transição muito mais rápida para atender as atuais necessidades do negócio.

Vale a pena destacar algumas tendências nesse mercado:

Empresas de body rental e companhias especializadas em gestão e soluções
Há evidencias consideráveis que somente a terceirização de mão-de-obra não é uma saída para resolver os problemas atuais na cadeia de suprimentos. As empresas precisam de soluções inovadoras, com fornecedores de serviços que tenham autonomia para mapear o processo e propor melhorias nas atividades, criando valor ao negócio. A sigla dada para este modelo é o BPO (Business Transformation Outsourcing), trata-se de um modelo de terceirização dos processos que não são ligados ao core business da organização para uma empresa realmente especializada naquele serviço. Esta fórmula pode se aplicar a etapas de desenvolvimento, manufatura, qualidade e pós-venda, por exemplo.

Neste contexto, as companhias contratantes constroem parcerias intensivas com seus provedores de serviços, alavancando ganhos em competitividade e fomentando transformações intensas nos processos. As experiências e práticas adquiridas com este formato de colaboração ajudam as organizações a pensar fora da caixa e implementar processos inovadores. Entre as vantagens deste tipo de cooperação, está ainda o ganho de flexibilidade, atendimento sob demanda, redução de custos, aumento da qualidade, rapidez de resposta e acesso às melhores práticas e metodologias.

Solução completa do fornecedor no modelo de gestão e tecnologia
O fato de uma empresa possuir as mais rápidas e poderosas tecnologias de informação e comunicação não se traduz, automaticamente, em análises precisas de mercado ou novos negócios. O inverso também não é verdadeiro: uma fornecedora de serviços especializada em gestão e melhoria dos processos talvez não seja capaz de oferecer a melhor solução sem o acompanhamento de uma tecnologia que possa prover as informações corretas. Por isso, as empresas começam a despertar para parcerias que integram tecnologia com modelos de gestão. A tendência é de cooperação entre os provedores de serviços de gestão de processos com empresas de tecnologia. O foco está em garantir uma solução completa para as empresas contratantes e fornecer soluções inovadoras.

Tomemos como exemplo o processo de análise de garantia e recebimento de peças fora de conformidade por uma montadora, oriundas da rede de concessionárias. Com tantos dados e informações para tratar, somente um modelo de gestão de indicadores para análise e tomada de decisões pode não ser o bastante para gerar informações e abrir oportunidades de melhorar a performance. E aí que entra a tecnologia. Com BI (Business Inteligente) é possível explorar e analisar as informações, gerando conhecimento sobre a devoluções de peças pelas concessionárias e criando oportunidade para melhorar os processos.

Repensar, rever e reavaliar a forma como trabalhamos e como as empresas interagem entre si são ações fundamentais para não correr o risco de desperdiçar oportunidades. As soluções inovadoras serão resultado de ações estratégicas e de um ambiente intensivo de cooperação e integração entre a academia, governo, empresas fabricantes e provedores de serviços e soluções. Com integração, o conhecimento aplicado passa a ser diferencial competitivo para fortalecer a cadeia de suprimentos.

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Marcelo Cordeiro Paiva, é managing director da Formel D Automotive na América do Sul, professor da Faculdade Termomecânica há mais de 12 anos nas áreas de supply chain e operações, é Engenheiro Industrial Mecânico, pós-graduado em Administração e Mestrado pela FEI na área de Engenharia de Processos. Acumula experiência em mais de 20 anos na indústria automotiva nas áreas de operações, supply chain, qualidade, melhoria continua e engenharia.

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