Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Opinião | Roberto Nasser |

Ver todas as opiniões
Roberto Nasser

29/03/2018

Mercedes-Benz se renova e implanta o indústria 4.0

Empresa investe para modernizar fábricas no Brasil e ganhar produtividade


Indústria 4.0 chegou na Mercedes-Benz do Brasil

Maior fabricante de caminhões no Brasil – e consequentemente escrituradora dos maiores prejuízos durante a crise econômica –, Mercedes-Benz apostou no futuro, aplicou R$ 770 M para um salto de qualidade, implantando os processos indústria 4.0 em São Bernardo do Campo, SP, e na fábrica de cabines em Juiz de Fora, MG.

Indústria 4.0 é novo patamar de evolução, marcado pelo diálogo entre máquinas. Reduzindo intervenção de mão de obra, empregando carrinhos comandados eletronicamente para levar peças à linha de montagem. Sem papéis, todas as operações coordenadas por computadores, tablets e celulares, sistema envolvendo vendas, caminhão ao ser montado é individualizado, atendendo especificações do comprador. Processo envolve parte física, com implantação de linhas elétricas subterrâneas para fazer os carrinhos receber, transportar e entregar as peças nas mãos dos operários, mudança de equipamentos visando menor esforço físico e ganho de tempo, treinamento de fornecedores e colaboradores. Na prática o ganho de produtividade inicial é de 15% em tempo e espaço, aspecto crítico para a Mercedes, nascida numa fazenda e hoje cercada de casas, vilas e bairros vedando sua expansão.

A hiperconectividade – também chamada com intimidade de Dataparafuso por monitorar todas as partes e sua aplicação – eleva padrão de qualidade, pois ao acompanhar cada operação durante a construção, eventuais falhas são corrigidas na hora e local, e o ganho da qualidade dispensa a inspeção e os testes ao final da linha de produção. Outro item: reduz estoques a 48 horas, liberando espaços industriais.

Primeiro passo, a indústria 4.0 será estendida aos outros setores da fábrica – a Mercedes não é montadora, mas fábrica verdadeira, produzindo os órgãos vitais de seus caminhões, incluindo motores, câmbios, eixos, chassis. Como o sistema sabe quais os passos para agregar os órgãos mecânicos, equipamentos e acessórios para atender à encomenda dos clientes, a linha de montagem pode receber todos os modelos de caminhões, reduzindo a área necessária à produção.

O sistema é uma revolução industrial e sua implantação pela Mercedes motivará todas as outras marcas e montadoras à atualização.

HONDA IMPORTA NOVO CR-V




Honda CR-V de 5ª geração

Dos importados de maior sucesso, o Honda CR-V volta ao país, trazido dos EUA, quinta geração do bem-sucedido SUV – tem tração nas quatro rodas engatável automaticamente sob demanda – e mecânica liderada pelo motor turbo L4, 1,5 litro, 16 V, 190 cv, poderosos 24,5 m.kgf de torque; dianteiro, transversal, câmbio CVT por polias variáveis, 7 velocidades.

Nem parece utilizar a plataforma do Civic, ao oferecer enorme espaço aos passageiros, mantendo uma das características marcantes de seus veículos utilitários, a grande capacidade interna de combinar arranjos e criar espaços para levar objetos compridos. É veículo eminentemente familiar, apesar de não ser lento. Conectividade incrementada.

Honda Brasil maneja doce problema: sua capacidade produtiva está plena, e empresa espera crescimento do mercado para justificar a operação da fábrica pronta e fechada em Itirapina, SP. Enquanto não puder dar salto de vendas, utilizará de expedientes como fazer importações para manter atratividade aos salões dos revendedores, como o faz com os importados Accord e, agora, o CR-V. Carro completo, sem opções, R$ 179.900, o mais caro da marca aqui.

FCA INFORMA: SAI KETTER, ENTRA FILOSA



FCA indicou troca de comando para as operações na América Latina. Sai Stefan Ketter, engenheiro, brasileiro, apesar do nome, e assume Antonio Filosa, engenheiro, 44, italiano.

O engenheiro Ketter ganhou rótulo no Brasil: antipático competente. Fez ótimo serviço na FCA: implantou a marca Jeep; construiu fábrica em meio a canavial pernambucano; geriu o desenvolvimento dos três veículos nela produzidos, os Jeeps Renegade e Compass, e o Fiat Toro, os dois últimos líderes de venda em seu segmento. Acima disso, não divulgado, mudou o conceito de qualidade produtiva dos Fiat. Seus novos produtos, Argo e Cronos, estão mais para produtos alemães.

Tanta competência não fez amigos – ao contrário, anúncio de sua saída, motivou muitos drinques na noite de sexta, churrascos no sábado.

O engenheiro Ketter mudou toda a diretoria, resumiu quadros, aumentou a carga de serviços sobre os remanescentes, incrementou as avaliações tecnológicas em detrimento das humanas; meteu-se até nos programas de lançamento de produtos, e ofereceu aos concorrentes uma conclusão prática ao inovar à apresentação do Mobi: digital media influencers, gente escrevendo em blogs sem ser jornalista ou especializado em automóveis, em detrimento da imprensa especializada. Retorno pífio desta mídia.

Competente, volta à sua posição de vice-presidente mundial de manufatura.

Nada a ver
Engenheiro pelo Instituto Politécnico de Milão e gestor pela mineira Fundação Dom Cabral, Antonio Filosa é napolitano, com larga e ascendente carreira na marca: foi o gestor da fábrica Fiat em Betim, MG, recordista mundial ao produzir 3.300 carros/dia sob o mesmo teto; e pinçado a frequentar logística, compras, fornecedores, marketing, gestão de produtos, presidente da Fiat Argentina.

Dele espera-se olhar ameno: para a fábrica de Betim; para as relações com os colaboradores, também descompromissadas; com a imprensa especializada, vista pelo antecessor como elefantes a caminho do desaparecimento.

Tem característica positiva ao meio: gosta de dirigir, e de automóveis novos e antigos. Para lembrar, a Fiat apenas se descolou do fim da fila do mercado quando teve mandatário apreciador de produto. Gostar de automóveis conduzindo fábrica de automóveis é fator fundamental ao êxito.

VOLKS FAZ 65 ANOS DE BRASIL



Situação invulgar, crescimento sustentado, recuperando segundo lugar em vendas, querendo voltar à liderança, Volkswagen comemorou 65 anos no Brasil. Não considerou como data base o início da montagem dos produtos da marca pela representante Brasmotor, mas de sua presença direta com pequena operação artesanal de montar sedans e Kombis em primária linha à Rua do Manifesto, bairro do Ipiranga, São Paulo.

Após, construção da fábrica em São Bernardo do Campo, SP; Taubaté, SP; fábrica de motores em São Carlos, SP; e beiradas de Curitiba, PR; comemora muitas histórias e a fabricação de 23 milhões de unidades – representadas pelo mais novo de seus produtos, o Virtus. Curiosamente não apresentou série especial para marcar a data.

RODA-A-RODA



EX-CARETA – Medo de extinguir-se pelo engessamento de suas propostas e envelhecimento de sua clientela, luxuosa norte-americana Cadillac se reinventou com veículos, competições, engenharia.

PODEROSA – Última novidade, motor V8, 4 litros, dois turbos e aproximados 550 cv de potência. Tudo novo, bloco em alumínio, diâmetro x curso 86 mm x 90,2 mm, seis mancais fixos, 9,8:1 de compressão, exigência de gasolina superior. Emprega os dutos de escapamento correndo pelo berço do V, solução antiga, assim como os turbos, solução Mercedes.

INDEPENDÊNCIA – Coisas da GM, é motor exclusivo para a divisão. Chevrolet continuará com V8 de geração anterior. Engenho equipará o cupê CT6 V-Sport, e ante a poderosa cavalaria, Cadillac adotou o axioma de Pirelli: “Potência não é nada sem controle”, aplicando tração nas 4 rodas para dirigibilidade.

MAIS UMA – Fábrica da Volvo em Ghent, Bélgica, iniciou produzir automóveis Lynk&Co, nova marca de volume da Zhejlang Geely. As três empresas pertencem à holding chinesa proprietária da Volvo. Ideia é criar nova marca com cara europeia – e não chinesa.

FILA ANDA – Com ou sem as regras do Rota 2030, o nunca terminado projeto do governo federal regrando as indústrias automobilística e autopartista, e o contraponto de redução de tributos relativamente ao ganho em tecnologia, BMW resolveu colocar o SAV BMW X3 em montagem em sua fábrica em Araquari, SC.

INVESTIMENTO – Quer presença no segmento de maior crescimento. A linha X representa 60% da montagem catarinense. Duas versões: motor L4, 2 litros, turbo, e 252cv; L6, 3,0 litros, 360 cv. R$ 310.000.

TIGUAN – Muito bom, porém mal explorado pela VW, reaparece no mercado em versão nova e opções de duas distâncias entre eixos, para cinco e sete passageiros; motores 1,4 e 2,0 litros, turbo com injeção de combustível. Câmbio automático, 6 velocidades, tração em duas e quatro rodas. Preços não ajustados, mas aposte entre R$ 110 mil e R$ 140 mil. Vem do México.

SINAL – No projeto da VW em ter 5 SUVs no mercado sul americano, exibiu o conceito do Projeto Tarek, também chamado Tharu. Em fugaz apresentação na China foi apresentado como Concept Powerful SUV. Motor L4, 1,4 litro, TSI.

MAIS - Será produzido na Argentina em 2020, sobre a jeitosa plataforma MQB em versão maior ante as utilizadas no Brasil para Polo e Virtus, base para o T-Cross, próximo produto da VW no Brasil.

TORO 2019 – Líder no segmento, picape Toro antecipou linha com carimbo do próximo ano. Agregou versões equipamentos como o desembaçador do vidro traseiro em todas, implementou acessórios.

O QUE – Das novidades, Endurance 1,8 litro, Flex, transmissão automática de 6 velocidades, e Volcano 2,4, Flex, automática, 9 velocidades. Preços entre R$ 91 mil para Endurance 1.8 Flex AT6 e R$ 143 mil a Volcano diesel, automática, 4x4.

DE VOLTA – Effa, antes encomendadora de veículos montados na China, assumiu feição industrial: monta em Manaus quatro modelos de picapes, cabines simples e dupla, motores 1,0, 53 cv, e 1,3, 78 cv, transportando entre carga e passageiros 940 kg. Preços entre R$ 40 mil e R$ 57 mil. Não indicou qual o fornecedor das peças e conjuntos.

ECOLOGIA – Fábrica Jeep em Pernambuco é a primeira Aterro Zero. Na prática, material sobrante da produção é reciclado, sem danos ao meio ambiente. Agrupa resíduos próprios e do parque de fornecedores em seu entorno.

PESQUISA – Atividade da empresa aproveita os retalhos das chapas estampadas para gerar peças menores, e transforma isopor em canetas e capas para CDs. Segredo da gestão do lixo é evitar produzi-lo. No período reciclou 1.500 toneladas de papelão – 300 mil árvores deixaram de ser cortadas.

CULTURA – Cinco anos após fechar o Walter P Chrysler Museum em Auburn Hills, perto de Detroit, Chrysler resolveu transformar o prédio onde construía o agora descontinuado Viper em local para 85 exemplares de sua coleção de 400 veículos históricos. Será espaço de convivência e bem-estar.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência