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Opinião | Fernando Calmon | Alta Roda

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Fernando Calmon

Peugeot e Citroën tentam virar o jogo

Marcas buscam recuperação de vendas no mercado brasileiro

Dificuldades na matriz costumam ter reflexos nas filiais e o Grupo PSA (Peugeot, Citroën, DS e Opel) não é exceção. Novo administrador, ajuda do governo francês e um sócio chinês (Dongfeng) levaram à recuperação financeira da empresa. Líder do processo, o português Carlos Tavares trouxe resultados e enfrenta novos desafios ao acomodar as quatro marcas do grupo (cinco ao incluir a Vauxhall, filial inglesa da Opel).

Tavares é também o atual presidente da Acea (Associação dos Construtores Europeus de Automóveis) e recentemente chamou atenção ao questionar os pesados investimentos em carros elétricos e baterias, induzidos pelos governos europeus, sem atentar se fabricantes e consumidores, que pagam os impostos, podem arcar com os custos.

Ele nomeou para liderar no Brasil as operações das marcas a brasileira Ana Theresa Borsari, primeira mulher a exercer essa função no País. As francesas Peugeot e Citroën perderam espaço no mercado brasileiro e recuperá-lo está entre as prioridades. Embora sem anúncio oficial, 12 concessionárias Citroën e duas Peugeot acabam de encerrar atividades. Pertenciam ao empresário Sergio Habib, que começou como importador Citroën, chegou a concentrar a maioria das lojas e oficinas, além de ajudar na construção da imagem desta marca no Brasil.

Borsari monta um reposicionamento, conforme orientação da matriz. “Peugeot está mais próxima dos fabricantes premium, sem tirar espaço da DS voltada para a alta gama. Citroën continuará sua trajetória de produtos audaciosos, como C4 Cactus, porém direcionados aos altos volumes”, declarou à Coluna.

Para recuperar participação, dois produtos foram lançados com intervalo de cinco dias. Primeiro veio a revitalização do Citroën C4 Lounge. Nasceu como C4 Pallas há 10 anos e adotou o nome atual em agosto de 2013. Sempre produzido na Argentina, o sedã médio-compacto recebeu agora uma nova frente. Tecnologia LED está nos faróis, nas luzes de uso diurno e nas lanternas traseiras.

A empresa investiu mais na parte interna. Há materiais de melhor qualidade, nova central multimídia de 7 polegadas com GPS e compatível Android Auto e CarPlay, quadro de instrumentos digital (tela plana dá um pouco de reflexo) e ar-condicionado bizona. Espaço no banco traseiro é muito bom. Motor 1.6 turbo/173 cv (etanol) e caixa automática de seis marchas formam um conjunto de alto nível. Volante poderia ter menor diâmetro para uma tocada mais instigante. Oferece até seis airbags. Relação preço-benefício atraente: R$ 93.920 e R$ 102.790.

Segundo lançamento é o Peugeot 5008, versão de sete lugares do 3008. Este vem agradando por ser um crossover de estilo diferenciado, sem o exagero de um SUV. Preserva características de dirigibilidade próximas às de uma station. Trata-se de modelo com amplo espaço interno, graças aos 2,84 m de distância entre eixos. Há três bancos individuais na fileira intermediária e quem viaja no meio se acomoda até de forma razoável. Pesa 65 kg a mais que o 3008 e isso o deixa algo mais lento nas respostas ao acelerador. Volante exclusivo de menor diâmetro, com base e topo retos, traz sensações únicas ao guiar.

Incluído pacote robusto de assistência eletrônica ao motorista, situa-se entre R$ 157.490 e R$ 166.490. Quase preços de lista na Europa, em conversão direta, dão ideia do forte subsídio em razão da diferença de impostos aqui e lá.

RODA VIVA



PRIMEIRO acidente fatal envolvendo um veículo autônomo, em Tempe, Estado do Arizona (EUA), deve refletir no ritmo de desenvolvimento dessa tecnologia. Atropelamento de uma ciclista a pé por um Volvo XC60, em teste de desenvolvimento nas ruas pela empresa Uber, está sendo investigado. Depois de conhecido o resultado, poderá haver mais resistências regulatórias.

TOYOTA primeiro acenou e agora mostra o primeiro automóvel híbrido com motor flex (etanol/gasolina) do mundo. Japonesa ainda não confirmou, mas é praticamente certa a importação do Prius flex. Produção seria viável no Brasil, se a carga de impostos diminuir e se confirmado estímulo aos biocombustíveis. Como demonstração, viagem de São Paulo a Brasília só com etanol.

POLO, na versão de entrada, tem o mesmo motor de três cilindros do up! Apesar de quase 140 kg mais pesado, movimenta-se bem em cidade, mas na estrada e carregado se ressente da baixa potência em ultrapassagens. À medida que o poder aquisitivo se recuperar, deve atrair compradores por seus atributos de espaço interno e segurança passiva. É necessário modelo desse nível no Brasil.

COR branca tem preferência mundial: quase 40% do total vendido hoje, incluídos todos os segmentos, segundo a Basf. Preto, cinza e prata aparecem em seguida. Azul e vermelho vêm depois. A empresa desenvolve tintas com gerenciamento de temperatura integrado para diminuir aquecimento da superfície do carro, exigir menos do ar-condicionado e assim menor consumo de combustível.

RESSALVA: por equívoco de digitação, Jaguar E-Pace (menor modelo da marca) foi grafado como F-Pace, na coluna da semana passada.

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fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2

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