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Opinião | Roberto Nasser |

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Roberto Nasser

Em Genebra automóvel dobra a esquina

Salão mostra mudança conceitual do automóvel

Agora chamado GIMS – Genebra International Motor Show –, condensada e prática mostra de automóveis europeus realizada na Suíça, e há anos com a postura de sinalizador de preocupações e caminhos para produtos e veículos, atingiu seu ápice prático nesta edição. À noite do dia 5, véspera da abertura à imprensa, em sua festa Volkswagen Night, uma surpresa: em vez da apresentação pontual pelo CEO de cada uma das 12 marcas sobre novidades, de automóveis, moto Ducati, algum protótipo especulador do futuro, como tal evento sempre se marcou, houve exposição oral de Matthias Müller, CEO do Grupo Volkswagen. Falou sobre o desenho da companhia para moldar o futuro da mobilidade urbana, tornando secundários detalhes como decoração, maior potência nos motores, variações em transmissões. À plateia pensante, exibiu protótipos para a nova era, e das empresas e facilidades para se adequar ao novo caminho: veículos elétricos com aplicações autônomas.

Um efeito-demonstração do a ser feito com a tecnologia hoje disponível, para grande mudança conceitual sobre o automóvel, seu uso racional, o foco em transporte público, a ser administrada homeopaticamente. A indústria automobilística não faz revolução, mas evolução. Iniciará com os elétricos, mas autônomos serão para países com recursos e cidades com tesouro sólido e infraestrutura urbana, pois tal implantação consome elevados recursos, e se vale de satélites, meios-fios, placas de sinalização de trânsito, faixas pintadas no solo para receber sinais e processá-los, fazendo o veículo andar sem condutor.

É mudança de rumo, traçar conceito e fazer a indústria e os produtos segui-lo. A implantação exige enorme envolvimento do segmento acadêmico, startups, num objetivo de encontrar-se com as necessidades da população e das cidades. A ONU projeta, em 2050 mais de 80% da população mundial morará em cidades, e a mobilidade urbana será fator fundamental para garantir o ir e vir em veículos, reduzir a frota circulante, engarrafamentos, emissões. O automóvel, como bem individual de transporte, iniciou mudar seu conceito de propriedade. E os fabricantes, como a Volkswagen, não serão mais fornecedores de veículos, mas parceiros das cidades no desenvolvimento de soluções para o deslocamento urbano.

Caminho
Maior fabricante mundial de veículos, VW dá exemplo em casa. Suas principais marcas, onde se incluem os caminhões MAN, iniciam ações pontuais com veículos autônomos no porto de Hamburgo. O MOIA, sistema de transporte criado por uma startup de controle acionário adquirido pela VW, prega o uso de minicoletivos autônomos para 6 passageiros nas cidades, com custo de passagem projetado como idêntico ao de taxi.

Para mostrar-se engajada a marca possui 8 produtos dedicados, com relevo em Audi Q6 e-tron, primeiro SUV elétrico, com autonomia de 500 km; o Porsche Mission E, nome da família elétrica. No caso, um SUV elétrico capaz de andar fora de estrada, e os VW I.D., família cujo interior foi projetado pelo brasileiro Marco Antonio Pavone com partido interessante: tamanho externo idêntico ao dos veículos comuns, como o Passat, mas espaço interno de carro superior, permissão dada pela ausência das massas e volumes ocupados pelos suprimidos motor, câmbio. Início de produção em 2019.

O Salão de Genebra 2018 tem tudo para ser a referencia de mudança na questão da mobilidade urbana, com a posição corajosa da VW em alocar € 34B – a grosso modo uns R$ 140 bilhões – para desenvolver novos produtos até 2022. Sob o aspecto institucional pode-se inferir, o escândalo dieselgate, atrevimento da antiga diretoria consentindo emissões superiores aos limites legais, foi sobrepujado pelo grande projeto de mobilidade urbana.

Mais
No foco novidadeiro e de caminhos, vertente assumida pelo GIMS, foi ocasião para exibir novidades. Para o Brasil, poucas cruzarão nossos portos, e a maior será o VW T-Cross, um utilitário esportivo. A grosso modo um Tiguan reduzido, pois construído sobre a plataforma MQB, nas medidas utilizadas por Polo e Virtus, motorização TSI 1.0; 1.6 Flex, e possível opção de TSI 1.4. No Salão do Automóvel, novembro.

Curiosidades, Lagonda, nome de automóvel inglês de prestígio, único a quebrar o duopólio de Rolls-Royce e Bentley, depois modelo da Aston Martin, transformou-se em marca identificativa dos elétricos. Mantém o tratamento de elegância e qualidade britânicas, interior criado por um decorador, com poltronas, mescla de seda, lã e cashmere, couro, madeira, pretendendo clientela elevado poder aquisitivo, em especial chineses. Tem 5,3m de comprimento, e versão longa, 5,8m. Dinamicamente tem autonomia acima de 500 km. Em 2021.

Num tempo de fusões, concentrações, sinergias por sobrevivência, surpresa do surgimento de novo produtor, a chinesa Polestar. Seu modelo 1 é esportivo elétrico, motor de 600 cv, intentava produzir 500 unidades/ano, porém ter recebido 6.000 consultas motiva empresa a repensar projeto. Aceita encomendas com sinal de € 2.500 – pouco acima de R$ 10 mil –, mas Brasil não se inclui nos 18 mercados visados pela nova marca.


Polestar 1. Nova marca chinesa, esportivo, elétrico


Porsche Mission E Cross Turismo

Automóvel mais potente do mundo também apareceu em Genebra. Parece íntimo do altar do Deus da Velocidade, ao fazer 1.914 cv pela soma de cada motor aplicado diretamente à roda, indo à velocidade de avião pequeno: 415 km/h, com aceleração de 0 a 100 km/h em 1,87s! Carroceria e plataforma em fibra de carbono, detendo o peso – incluindo as baterias de lítio – arranhando os 2.000 kg. Aplica vetorizador de torque para manter as rodas apontadas para frente, e para controlá-lo, 72 centralinas, equivalendo à potência de 22 computadores Mc Book Pro. Preço? Não divulgado.

Como classificá-lo ao deixar em nível inferior todos os Super Mega Hiper Uber esportivos?


Rimac C-Two, quase 2.000 cv e 415 km/h de velocidade

COMO SERÁ O NOVO GOL? SAIBA EM JULHO



Após perder a liderança de mercado e cair à terceira posição por razões internas e externas, a Volkswagen vem em arrancada sustentável mirando a recuperação do primeiro lugar. Novos produtos, fortalecimento da rede, consistência na direção comercial e apoio da matriz tem ajudado no esforço, e mês passado a empresa ascendeu à vice-liderança. Investimento, nova postura e produtos, como Polo, Virtus e picape Amarok com motor V6 geram resultados e vendas.

Futuro há, e com reformulações a empresa anunciou 25 lançamentos nos próximos anos, incluindo cinco SUV e SAV: dois pequenos no mercado nacional; um sobre a plataforma Golf na Argentina; o novo Tiguan trazido do México em versões de cinco e sete lugares; e o Atlas, maior, dos EUA. O primeiro SUV nacional será o T-Cross, mostrado pela empresa como protótipo quase final no Salão de Genebra. Lançamento mundial em outubro e presença no Salão Internacional de São Paulo em novembro.

No mercado das vendas maiores definiu o Gol como o carro de entrada, apesar do up! ter dimensões menores. E resolveu, também, mantê-lo em produção como carro de acesso à marca no mercado sul-americano. Questão básica é a mudança de linhas, atualizadas com a presente assinatura de estilo da marca, e a dúvida sobre qual plataforma faze-lo. A atual, antiga, limitada, porém de menor custo, ou moderna, em variação da MQB, base de Polo, Virtus e Golf, flexível a formulações de largura e entre-eixos, mas de custo elevado?

Jüergen Stackmann, da mesa diretora de marketing e vendas na matriz alemã, juntamente com Thomas Owsianski, vice-presidente executivo para América do Sul – operação sediada na VW do Brasil –, em rápida entrevista durante o Salão de Genebra, esclareceram a continuidade, a manutenção do nome, a dúvida mesclando custos industriais para definir próxima geração, o prazo para decisão, projetando três anos para o novo modelo vir à luz. Os traços básicos de estilo estão dados, partindo de dentro para fora, como atual postura de estilo da marca. Na prática ganhar espaço para passageiros, como se fosse um carro grande por dentro e pequeno externamente.

RODA-A-RODA



AUSÊNCIA – Aguardado no Salão de Genebra, Li Shufu, bilionário chinês controlador da Geely, da Volvo, Lotus, London Cabs – e 10% da Mercedes –, não apareceu. Frustraram-se os 10 mil jornalistas presentes, interessados na nova referência mundial do universo do automóvel.

FUTURO – Imprensa quer saber fatos e interpretar movimentos, um dos quais visto como óbvio: ele comprará a FCA? Quarta produtora mundial, terceira no ranking dos EUA, operação em 187 países, incluindo o Ocidente e o mercado norte-americano, onde o Super China, como chamado, já tentou, sem resultados.

NEGÓCIO – Comprar a FCA e a icônica marca Jeep seria casamento perfeito de interesses. No mundo atual fazer automóveis, mesmo sendo Alfas e Maseratis – Ferrari não integra o portfólio – é apenas meio de ganhar dinheiro. E a FCA se transforma em incógnita com a saída, próximo ano, de seu polêmico resgatador, o canadense/italiano Sergio Marchionne.

NEGATIVO – Renault desmentiu ser seu novo SUV para o Mercosul, o Projeto Kadjar, com cópias para Rússia, China e Coreia do Sul. Planeja veículo com tal morfologia para espaço acima do Captur, porém com produto de maior porte.

KANGOO – Nome conhecido de pequeno comercial produzido na Argentina, batizará seu sucessor, próximo produto da marca, desenvolvido sobre o Dacia Dokker, romeno. Faz parte, informa Autoblog.ar, da nova divisão mercadológica da Renault, de produtos específicos para os integrantes dos BRICS, os emergentes demandando veículos aptos a suportar suas agruras.

RECALL – VW Argentina convoca proprietários de Amarok V6: aproximados 1.850 tiveram problemas na direção, causados por deficiência em mangueira de pressão hidráulica do sistema auxiliar.

NÃO – Os V6 vendidos no Brasil estão fora da chamada. Já portam a correção de fábrica.

SITUAÇÃO – Ano de início de recuperação em produção e vendas de veículos, todas as marcas querem assinalar números recordes. Séries especiais, descontos, promoções, ações com seus bancos – quase todo fabricante em um destes estabelecimentos de crédito sem agência aberta ao público em geral.

COMPENSAÇÃO – Presente iniciativa da Toyota foi incluir versão mais vendida do Corolla, a XEI, no rol dos concorrentes pelo público PdD –com exigências especiais e desconto por lei. Oferece a redução legal de 12% no IPI, e para bordejar a exigência legal de diminuição do ICMS aplicável em veículos até R$ 70 mil, oferece bônus em valor equivalente ao desconto do ICMS.

GENTE – Mark Hogan, norte-americano, ex-presidente da GM no Brasil e membro da diretoria mundial da corporação, redução OOOO Deixa função executiva de coordenar o mercado americano. OOOO Único não-japonês membro da mesa diretora mundial da Toyota, para crescer na América do Sul formou grupo de confiança, botou ordem nas operações, preparando a Toyota à expansão. OOOO Deixou a responsabilidade, mas mantém-se membro do conselho global no Japão e chairman nos Estados Unidos, além de conselheiro pessoal de Steve St, Angelo para a operação AL. OOOO Raul Anselmo Randon, 88, perfeccionista, passou. OOOO De uma oficina perseguiu a qualidade em fábrica de caminhões fora de estrada, equipamentos rodoviários, produção de maçãs, frutas, vinhos e o queijo Grana Padano RAR. OOOO Mariana Rios, cantora, atriz, apresentadora, evolução. OOOO Embaixadora de Jaguar e Land Rover, tentará agregar charme às marcas. OOOO Pablo Luchettta, engenheiro, ascensão. OOOO De gerente financeiro e de vendas, novo presidente da YPF, empresa argentina de petróleo e derivados no Brasil. OOOO

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