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Opinião | Roberto Nasser |

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Roberto Nasser

Rota 2030: Toyota sai na frente

Empresa consegue redução de imposto sobre híbridos

Em meio às definições dos caminhos da indústria automobilística a serem traçados pelo projeto Rota 2030 para os próximos 12 anos, a Toyota se adianta. Marca entende as dificuldades dos órgãos do governo para se ajustar em torno de propostas para assegurar crescimento, ganho de tecnologia construtiva, redução de consumo e emissões, e definições para o futuro, incluindo apontar caminhos e soluções para o uso de combustíveis renováveis. Para assumir posição de referência, tem argumento de peso, o crescimento de vendas de seu híbrido elétrico Prius, de maiores vendas e estrutura no país. Saltou de 485 unidades em 2016 para 2.470 ano passado, graças a trabalho profissionalmente dirigido: envolvimento da rede de concessionários, redução de preços, situando-o pouco acima do Corolla. Cercou o consumidor com certezas de manutenção, garantia e fez crescer o valor de revenda.

Nas definições para os próximos anos, empresa, junto com outros interessados, conseguiram sensibilizar o ministro Marcos Jorge de Lima, do MDIC – Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços –, a adotar e antecipar medida incluída na estrutura do projeto Rota 2030: a aplicação de IPI idêntico à tributação dos carros 1.0, de 7%. Com isso, preços serão reduzidos e competitividade aumentará.

Medida tem início de vigor previsto para março, coincidindo com efeito-demonstração ora em aviamento pela Toyota, investindo para transformar o motor do Prius em flex, apto a operar com álcool.

Segundo a Toyota, no projeto de adequação do híbrido ao uso de etanol, combustível renovável gerando eletricidade, carro será recordista no cumprimento aos desejos dos órgãos federais, ao emitir a menor quantidade de CO2, enorme conquista para o meio ambiente, uma evolução decisiva o Brasil, como enfatiza Miguel Fonseca, vice-presidente executivo.

REGISTRO: HÁ 132 ANOS SURGIA O AUTOMÓVEL

Esquisito, tipo cruza de triciclo com carroça, soluções mecânicas hoje risíveis, feito em ferramentas primárias, este é o veículo automóvel patenteado pelo engenheiro Carl Friedrich Benz aos 29 de janeiro de 1886. Foi a primeira patente para um – digamos com boa vontade – automóvel movido por combustível de nome e funções estranhas, o Lidoin, derivado de petróleo empregado em limpeza doméstica.

Patente levou o número 37.435, concedido à Fábrica de Motores a Gás Benz & Cia, nome pomposo para pequeno negócio de sobrevivência familiar.

Benz não foi o primeiro a fazer um veículo apto a mover-se por seus próprios meios, tocado por um motor de combustão interna, mas o organizado técnico a buscar patenteá-lo. Antes, Siegfried Markus, da Áustria, havia produzido aparato idêntico e com aparência mais automobilística relativamente ao triciclo Benz.

A organização de Benz e a expedição da patente dão-lhe o merecido título de Criador do Automóvel.

Questão básica era o fato de os motores serem muito pesados relativamente à potência produzida, comprometendo rendimento. Assim, outro alemão, ainda contemporâneo de Benz, um certo Gottlieb Daimler, fazia-os para aplicações diversas, demorando a fazê-lo chegar a veículos leves, como um arremedo de motocicleta e a aplicação num veículo de quatro rodas.

Outro fato era a recente criação dos motores. O francês Etienne Lenoir fez um engenho com tal DNA, orginalmente para consumir gás – como eram os motores com aplicação industrial também produzidos por Benz, e o alemão Nikolaus Otto deu a diretriz ao alterar o ciclo operacional comprimindo o gás combustível, obtendo rendimento muito superior – e traçando o rumo dos motores de combustão interna, princípio vigente até hoje.

Curioso na história, o invento de Benz foi visto com susto tanto pelo insólito da proposta, quanto pela forma e, mais, pela ausência de escapamento, o funcionamento com enormes ruídos, espantando animais. Foi sua mulher, Berta, com os filhos mais velhos, em viagem até a casa de seus pais fez, sem saber o primeiro teste, aferiu os pontos fracos, chamou enorme atenção, ganhou espaço nos jornais, apresentou o produto e provocou vendas.

Como referência, apesar de as empresas terem juntado conhecimento, meios, capitais, Daimler e Benz não se conheceram.

Para ilustrar a história, a Mercedes-Benz ainda produz, em pequenos lotes e de tempos em tempos, unidades do Patent Wagen.


O Patent Wagen de Karl Benz e sua patente

RODA-A-RODA

Mercado – Para ajustar-se aos tempos de recuperação e preferências do mercado, BMW foca nos SAV – Sport Activity Vehicles, classificação por ela criada – e responsável por 55% de suas vendas no país.

O que – Apresentou o X2, para vende-lo em maio, junto com restante da família X: 1,2,3,4,5, 6 e 7. Destaque para o X5M. Letra indica os produtos com desenvolvimento especial da marca bávara para aumento de performance.

Números – Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi fechou o primeiro ano de agregação crescendo 6.5% e cravando 10,6M de veículos vendidos. Na prática, de cada nove veículos comercializados no mundo, um é da Aliança: Renault, Nissan, Mitsubishi, Dacia, Renault Samsung, Alpine, Lada, Infiniti, Venucia, Datsun, atuando em 200 países.

Pré-venda – Indefinida a imposição tributária sobre veículos importados, Volvo trouxe da Suécia iniciais 200 unidades do novo XC40, todas vendidas. SUV, quatro cilindros turbo, 2.0 litros, 190 cv, o mais potente do segmento.

Mais – Semiautônomo, quer dele fazer a bandeira da marca. Fluxo normal de importações previsto para julho, quando o Projeto Rota 2030, regulando o setor automobilístico, estiver em vigor, permitindo encomendas.

Opção – Peugeot importou novo lote de 500 unidades do SAV espanhol 3008. Mais acessórios, inflando conteúdo para atender reclamos da clientela.

…. II – Curiosamente optou aumentar vendas de produto importado, deixando de aplicar-se ao re-lançamento do nacional 2008, de ótimas características, porém de pequena e injusta participação no mercado.

Nova? – Proclama-se Nova Peugeot, rótulo curioso quando vistos seu mapa de vendas, performance, presença, encolhidas no Centro-Oeste – exceto Brasília –, Norte e Nordeste. Talvez deva relançar-se, como Peugeot, de Novo…

Caminho – Ford apresentou o Ka em versão Freestyle, esforço para fazer ponte entre o hatch e a morfologia de SAV e SUV, anunciando-o como produto mundial. Quer ser visto como um EcoSport pequeno.

Ajuste – Plataforma e partes do Ka, implementos em conectividade, maior altura do solo e promessas de Ford de habilidades para andar fora de estrada, apesar da tração simples.

Classificação – Enquadra-o como CUV – Compact Utility Vehicle. Nova categoria traz desnecessário tropeço fonético.

Quase novo – Honda iniciará distribuir aos revendedores versão revista do City, sedã construído sobre a plataforma do Fit. Mudanças, anteriormente indicadas pela Coluna, não caracterizam novo modelo, mas segunda parte do ciclo de vida.

O que? – Apesar de retoque, exige alterações no visual frontal e posterior, pequenas mudanças interiores, implementação da conectividade. Mecânica não muda – leia-se não terá o sistema ESC, pró-estabilidade.

Responsabilidade – Primeira Câmara de Direito Civil, do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu, a Prefeitura operadora do sistema de estacionamento urbano Zona Azul, é responsável pelos danos ocorridos aos veículos nela estacionados. Por enquanto vale para SP.

Melhor – Dunlop, marca ex-inglesa, agora japonesa, com o sobrenome do criador do pneu, implantou novo ciclo no Brasil. Esteve aqui ao início da indústria automobilística e depois foi-se. Nova fase, no Paraná, marcada pela conquista de grandes clientes, como Volkswagen, Fiat e Toyota, exibindo capacidade de disputar preços.

Presença – Fez 5 milhões de unidades em 2017; quer crescer 20% neste exercício; construir nova fábrica para pneus para carga. Curiosidade, os Dunlop equipando o novo VW Virtus, apresentado semana passada, eram importados.

Negócio – Início da retomada das vendas pela indústria automobilística mostrou o elo fraco da corrente de produção, a de autopeças. Para evitar interrupção no fornecimento de partes a Volkswagen aplica seu peso financeiro para facilitar empréstimos de grandes bancos às menores empresas. As maiores foram assumidas por multinacionais.

MAN 900 mil – Fábrica de caminhões e ônibus sucedendo tal atividade à Volkswagen, MAN registra atingir a marca de 900 mil veículos produzidos no país. Do total, mais de 750 mil construídos pelo inovador sistema Consórcio Modular, em Resende, RJ.

Liquidação – Motorrad, área de motocicletas da BMW faz promoção para limpar o estoque dos modelos 2017. Desconto de R$ 4.000 para as topo R 1200 Rallye, a R$ 71.900. Modelo R, desconto menor, a R$ 62.900.

Pesquisa – Para entender sua posição no mercado nacional, importadora da motocicleta Royal Enfield conduz pesquisa entre formadores de opinião especializados no setor.

O que – Marca, antes inglesa, agora é indiana mantendo desenho e conformação dos modelos surgidos na década de 50. Portam o saudosismo, preço menor, mas em uso sofrem as consequências do projeto superado.

Índia – Distante do nosso conceito de produtor de veículos, a Índia fornece ao Brasil as Royal Enfield, as partes formadoras da moto BMW G 310 GS, e muitos componentes do Renault Kwid.

Vento – Mário Araripe, o engenheiro cearense fundador da Troller, após passá-la à Ford, aplica-se ao mercado de geração de energia eólica. Implanta parques e os vende a investidores internacionais.

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