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Opinião | Valter Pieracciani | Inovação

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Valter Pieracciani

19/01/2018

Os desafios da colaboração entre corporações e startups

Há alguns obstáculos para fazer dar certo a relação entre elefantes e formiguinhas

Engajar nossa indústria com startups é mesmo a saída? Cada vez mais ouve-se que sim: que as startups são a melhor maneira que temos para construir um mundo melhor. Sendo assim, as corporações deveriam olhar para isso como um movimento estratégico para se tornarem mais inovadoras e terem acesso a tecnologias de vanguarda. No entanto, não é nada fácil fazer com que estes relacionamentos prosperem, pois muitos desses casamentos se desmancham antes mesmo de começar.

Mas por que? Quais são hoje os principais desafios no engajamento de grandes empresas com startups? Disciplinas novas requerem erros e acertos. Aprendemos muito em uma centena de projetos realizados nos últimos 15 anos no Brasil e, podemos dizer que os principais desafios são:

● Definir um direcionamento estratégico
Não há, na maioria das corporações, um modelo mental ou de gestão orientado à inovação aberta. As empresas esquecem de derrubar os muros, abrir as portas e passar a considerar, de verdade, as startups como parceiras estratégicas e efetivas para a inovação. As corporações, para se engajarem, têm de flexibilizar eventuais regras e isto não é nada fácil na era do compliance. A dica aqui é definir previamente e com a máxima clareza os focos estratégicos de inovação da companhia e quais deles serão alcançados com startups. Além disso, é necessário superar com energia as eventuais barreiras.

● Encontrar os parceiros ideais
O cenário do empreendedorismo de startups no Brasil é multifacetado e dinâmico. É um grande desafio identificar os parceiros certos para as necessidades específicas das empresas nesse mar de alternativas. É preciso ter um conhecimento avançado do ecossistema - uma espécie de inteligência de mercado - e validar cada passo no processo de seleção. Uma das formas mais efetivas de obter esse resultado é por meio do matchmaking, quando startups, investidores, especialistas de mercado, profissionais de grandes empresas e executivos de alta gestão têm interesses correspondentes. Sendo assim, as corporações não devem avançar em inovação aberta sem antes definir os critérios e requisitos que vão orientar a seleção das startups mais adequadas para as suas necessidades.

● Garantir o engajamento dos colaboradores e dos agentes internos
Não basta encontrar o parceiro ideal, é preciso avançar na integração entre os processos da empresa e os das startups, superar as barreiras tecnológicas, de conexão com sistemas legados - por exemplo, as travas culturais, como o “not invented here” -, e outros mil motivos aparentemente razoáveis - só aparentemente. Para isso, é preciso investir na gestão da mudança e na construção de uma cultura mais adaptável e propícia à inovação. Uma verdadeira cruzada na direção do engajamento dos colaboradores de ambas as partes. Eles terão que aprender a identificar, gerenciar e superar a resistência a mudanças. Primeiro em si mesmos e depois nas equipes e nos pares. ● Assegurar que o trabalho avance na direção desejada
O “casamento” requer uma gestão baseada nos preceitos do PMO (Project Management Office), ou seja, como se trataria qualquer projeto complexo na empresa. Metodologias ágeis de gestão de projetos, como Scrum e Lean, serão essenciais para que se encontre uma linguagem comum de controle e divisão dos trabalhos entre startups e equipes internas da corporação.

Nesta etapa do casamento, o caráter dos trabalhos deve assumir configuração de desenvolvimento experimental. A implementação das soluções e serviços específicos das startups deve ser feita numa perspectiva inicial de tolerância ao erro e de aprendizado, eventualmente, de forma isolada da operação principal, e de modo a viabilizar a adequação dos elementos tecnológicos às necessidades específicas do relacionamento.

É, portanto, um processo crítico que deve ser gerido de forma efetiva, para garantir o alcance dos resultados esperados. Uma das etapas-chave é, por exemplo, o desenvolvimento de um MVP (Minimum Viable Product), uma prototipação rápida. A implementação desses passos experimentais, dessas iniciativas-piloto vai gerar informações necessárias para a validação das proposições (eventualmente com a geração de business cases) ou possível correção e adequação, quando necessário.

Sua empresa está pronta para o desafio? Há muitas e excelentes oportunidades de trabalhar em colaboração com startups que, certamente, estarão alinhadas aos seus objetivos. O resultado pode ser excepcional.

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