ANÁLISE

AUTOINFORME

Biodiesel sem padrão preocupa a indústria


Fabricantes querem testar diesel com adição de gordura animal


O governo brasileiro vai aumentar o volume de biodiesel no combustível de petróleo. Hoje o diesel vendido nos postos de combustíveis tem 8% de material biológico; os restantes 92% são provenientes de combustível fóssil.

A proposta é aumentar brevemente para 9% ou 10%, e isso preocupa os fabricantes de veículos. O Renova Bio, programa do governo federal que pretende elevar o uso de bioenergia no País a 18% até 2030, deve definir o aumento do biodiesel em 90 dias, com base nos debates das propostas do programa elaboradas a partir de consulta pública e estudos técnicos. O programa tem como objetivo atender uma das metas propostas no Acordo de Paris.

O presidente da Anfavea, Antonio Megale, disse que conceitualmente a indústria é favorável à adição de material biológico no diesel para uso em veículos, mas para isso é preciso que a alteração no combustível seja submetida a testes, caso contrário, conforme Megale, “as montadoras não podem garantir o bom funcionamento dos veículos”.

O presidente da Anfavea reclamou que o governo não disponibilizou, até hoje, a nova formulação do diesel com 9% ou 10% de biodiesel. “O aumento do biodiesel tem que ser testado”, disse, destacando ainda que deve aumentar a participação de biodiesel proveniente de gordura animal, o que muda a composição química do combustível.

O biocombustível é feito de fontes vegetais e animais, e, misturado com o diesel fóssil, reduz as emissões de poluentes, além de diminuir o uso de material finito.

O Brasil é o terceiro maior consumidor do mundo de combustíveis para transportes, segmento responsável por 43% das emissões de CO2 na atmosfera, mas também é líder no uso de energias limpas e o segundo maior produtor de etanol e biodiesel do mundo.

A pesquisadora da Embrapa Agroenergia, Itânia Soares, concorda que a alteração da composição do biodiesel, com o aumento da gordura animal, pode alterar as propriedades do combustível, pois ela (a gordura) apresenta maior teor de saturados em relação ao material extraído das plantas. Segundo a pesquisadora, os ésteres de cadeias saturadas são menos suscetíveis a degradação por oxidação que os ésteres insaturados, mas, por outro lado, solidificam-se mais facilmente. Essa característica, na prática, ocasiona o entupimento de bicos injetores dos veículos, comprometendo a queima eficiente do combustível. Assim, é imperioso que se façam testes nos veículos automotores antes de o produto alterado ser colocado à venda nos postos de combustíveis.

Embora seja mais viável economicamente, a participação da gordura animal na composição do bioediesel é de apenas de 20%, sendo os 80% restantes provenientes da soja.

MAIS DINHEIRO PARA FINANCIAR CARROS

O que move o mercado de carros no Brasil é a disponibilidade de crédito. É difícil comprar carro à vista. Tanto que a pequena retomada de vendas este ano (+2,2% até maio) é consequência, entre outras coisas, da maior disponibilidade de crédito: foram disponibilizados pelas financeiras das montadoras nos quatro primeiros meses do ano R$ 29,2 bilhões, alta de 15,3%. Os juros praticados pelos bancos ligados às montadoras são mais atraentes do que a dos bancos comerciais: em abril a taxa média de 1,65% ao mês, enquanto os independentes trabalharam com índice de 1,86%. O problema é que o banco da montadora só financia carro da própria marca e muitas vezes você pode encontrar esse carro mais barato no mercado paralelo. Então, precisa fazer as contas direitinho pra ver qual situação é mais vantajosa para o consumidor.

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Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
joelleite@autoinforme.com.br

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